Resenha - Darker Days Ahead - Terrorizer
Por Maurício Dehò
Postado em 22 de janeiro de 2007
Nota: 10 ![]()
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O Terrorizer pode ser considerado uma verdadeira seleção do Metal. Criado em 1986, em Los Angeles (EUA), teve em sua formação original Oscar Garcia nos vocais, David Vincent no baixo e vocal, Jesse Pintado na guitarra e Pete Sandoval na bateria. Estes últimos, mais tarde, estariam no Napalm Deeth e no Morbid Angel, respectivamente, ganhando ainda mais reconhecimento.

O quarteto lançou em 1989 "World Downfall", um verdadeiro clássico do grindcore, que lançou estilo tanto na vertente quanto no death metal. Quase 20 anos depois que o quarteto encerrou suas atividades de forma bastante breve, Pintado resolveu reativar o Terrorizer ao lado de Sandoval e, em 2006, eles lançaram "Darker Days Ahead" – no Brasil pela Hellion Records.
O título não poderia ser mais premonitório. Outra vez mal deu tempo de esquentar os motores e, em 21 de agosto de 2006, aos 37 anos, devido a problemas no fígado, Jesse Pintado faleceu em um hospital na Holanda, onde vivia.
Como o que fica é o legado, Jesse deixou seus fãs com um presente de despedida e tanto após a sua saída do Napalm Death. "Darker Days Ahead" nem parece ter sido feito após tanto tempo. A diferença, como o próprio Jesse disse uma vez em entrevista, são um pouco mais de peso e velocidade (se é que isso é possível no Terrorizer!) e as afinações de guitarras mais baixas.
Com a formação reformulada composta pelo guitarrista Tony Norman, desta vez tocando baixo (Morbid Angel), e Anthony Rezhawk, também conhecido por Tony Milita, nos "urros" (Resistant Culture), Jesse e Sandoval conseguiram mais uma série de petardos que não devem nada ao primeiro álbum da banda. E "petardos" não é modo de dizer. São 12 faixas, incluindo uma introdução e um "outro", mostrando o que uma banda de grindcore deve ter: (muita) agressividade, (muito) peso e (muita!) velocidade.
O trabalho, sem nenhum solo, é uma combinação de riffs muito fortes e criativos de Jesse, com um vocal bem encaixado de Tony, a seu modo, mas tão bom quanto o de Oscar Garcia (que preferiu permanecer no Nausea a voltar ao grupo) e as batidas extremas de Sandoval, que não perdeu a mão.
Nos 40 minutos do CD, em que só uma música tem pouco mais de 4 minutos (petardos!), o Terrorizer não tem a intenção de inovar ou revolucionar a cena grind/death. Eles seguem com a mesma qualidade de 1989 quando começaram com "World Downfall".
A produção, feita por Juan "Punchy" Gonzalez, é um ponto alto, dando conta de balancear todas as partes e deixar o som bem cheio, por meio da "multiplicação" de guitarra e vozes. Engraçado é o que se pode perceber, principalmente na 2ª metade do álbum, que há uma distorção, quase um chiado ao fundo, parecendo querer transportar os ouvintes para a época em que começaram, sem todas as modernidades tecnológicas de hoje.
Falando do CD em si, ele começa com uma intro bem obscura e uma faixa de abertura, que dá nome ao álbum, matadora, cheia das palhetadas de Jess. A próxima é "Crematorium", outro destaque, cujo riff é levado pela bateria, sempre na velocidade máxima. Suas linhas vocais lembram um pouco o Sepultura em seus primeiros álbuns, bem cru. O estilo de Tony Milita é bem próprio, mais grave do que agressivo, mas que combinou com as novas composições e com os backing vocals acrescentados nos refrões.
Já "Fallout" mistura a rapidez a partes mais cadenciadas. Uma das melhores, "Doomed Forever" mostra que o que vale não é só a técnica, mas a criatividade que aparece no riff simples, que se repete durante a música, e no refrão marcante. Além disso, tem um clima bem pesado, desacelerando o ritmo no fim, ao som de sinos.
Outras como "Mayhem" e "Blind Army" (esta com destaque para o baixista Tony Norman) tem a "sujeira no som" mais em destaque, lembrando os primórdios do death metal e do próprio grind. Perto do fim, outro ponto alto é a regravação: "Dead Shall Rise v. 06", originalmente do debut. Sem muita diferença de 1989, o que melhora é a gravação, principalmente da bateria. O fato é que a música é boa mesmo.
E, para acabar, nada melhor que surpreender os fãs. "Ghost Train" é um instrumental de dois minutos e meio com uma levada no... PIANO!!! Mas não pense numa balada. A faixa é na linha catastrófica, com acordes dissonantes e guitarras distorcidas ao fundo.
Mais ainda por ser o legado final de Jesse Pintado, "Darker Days Ahead" é imperdível, merece nota 10 e já deixa os fãs com saudades do mexicano. Ao invés de se modernizar o Terrorizer faz em seu novo álbum justamente o que influenciou toda uma leva do grindcore e mostra que, mesmo com apenas dois álbuns, entrou para a História.
Ainda para quem gosta, em 2003 foi lançado "From The Tomb", material retirado de sessões de ensaio de 1987. Nos planos de futuros de Jesse ainda estava lançar um DVD com um documentário contando a história do grind. Resta torcer para alguém acabar o trabalho por ele... e Hail Terrorizer!
Track list:
1. Inevitable [intro] (1:03)
2. Darker Days Ahead (3:46)
3. Crematorium (3:54)
4. Fallout (3:48)
5. Doomed Forever (3:23)
6. Mayhem (3:57)
7. Blind Army (3:06)
8. Nightmare (3:42)
9. Legacy Of Brutality (2:25)
10. Dead Shall Rise V.06 (3:32)
11. Victim Of Greed (4:11)
12. Ghost Train [outro] (2:35)
Formação no álbum:
Jesse Pintado - guitarra
Pete Sandoval - bateria
Tony Norman - baixo
Anthony Rezhawk, o Tony Militia - vocal
Lançamento brasileiro programado pela Hellion Records.
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