Resenha - Perfect Machine - Vision Divine
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 25 de abril de 2006
Nota: 6 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Basta conferir a nota que concedi ao disco "The Perfect Machine", o mais novo lançamento da banda italiana Vision Divine, para uma síntese direta e reta do que eu achei desta bolacha: trata-se de um álbum acima da média. Isso é fato. Mas ainda bem pouco acima da média. Ainda é um trabalho de um grupo em busca de identidade própria, que tenta encontrar sua sonoridade particular no concorrido (e superlotado) universo das bandas do chamado power metal. Merece ser ouvido. Mas talvez seja rapidamente esquecido na sua prateleira.
Vision Divine - Mais Novidades
Muita coisa mudou desde que o Vision Divine nasceu, reunindo em um projeto paralelo os amigos de infância Olaf Thorsen (guitarrista) e Fabio Lione (vocalista). Desde o primeiro disco de 1999, auto-intitulado, Lione abandonou o grupo para dedicar-se inteiramente ao Rhapsody, enquanto Thorsen saiu do Labyrinth para se concentrar 100% no Vision Divine. Em 2004, a nova formação, agora com a adição do frontman Michele Luppi (sim, ele tem nome de mulher, mas é homem), lançaria o interessante "Stream of Consciousness", prova clara do amadurecimento de um projeto solo que se tornaria banda nas mãos de seu criador e mentor, Mr.Thorsen.
Neste segundo CD com o line-up renovado, o Vision Divine "desacelera" o seu power metal e investe ainda mais em uma interessante faceta progressiva - que atira para quase todos os lados e flerta com elementos sinfônicos e, vejam só, até com uma pitada de hard rock e do chamado AOR (Adult Oriented Rock, ou Rock Para Adultos). No entanto, esta mistura sonora ainda não funciona de maneira coesa e, um tanto cansativa, carece do tempero fundamental, aquela pimenta que faria o Vision Divine soar absolutamente diferente de congêneres como o próprio Rhapsody, Stratovarius ou Hammerfall. Ao final da audição, fica no ar aquele gostinho de "Putz, é bacaninha. Mas acho que já ouvi isso antes".
"Land of Fear", por exemplo, é uma espécie de "template track" da banda típica de power metal - e o mesmo vale para as óbvias "God is Dead" e "First Day Of A Never-Ending Day", por exemplo, todas recheadas de uma combinação "guitarra + teclado + bateria" das mais manjadas.
E, na verdade, não é por falta de tentativas que o Vision Divine peca: "The Perfect Machine" é um disco conceitual que foge completamente dos já explorados dragões, elfos, bárbaros sanguinários e cavaleiros medievais. Trata-se da saga sci-fi futurista do biólogo Arnaldo Mattei, que em 2043 finalmente consegue mapear e decifrar o DNA humano, encontrando a chave para o fim das doenças - forçando as células a se regenerarem e repararem para sempre, garantindo a imortalidade ao ser humano e criando a "máquina perfeita". Mas, afinal, onde entraria Deus nesta história? Será que o novo paraíso na Terra teria a aprovação do Criador?
Enquanto você fica aí pensando e filosofando, a gente fala de música: o conceito é ótimo e, antes de tudo, inovador. As letras são muito boas. E a produção de "The Perfect Machine" ficou a cargo de ninguém menos do que Timo Tolkki, o gênio confuso por trás do Stratovarius - o que, portanto, já é garantia de qualidade para quem curte este gênero musical. Vale ressaltar ainda a performance esforçada de Luppi, cuja voz tem um tom diferente dos gogós gritados aos quais estamos acostumados em determinadas vertentes metálicas.
Mas então, me diga, caro colega headbanger: mesmo com tantas boas referências, o que deu errado em "The Perfect Machine"? E eu respondo: faltou aquele frescor chamado "novidade", que injeta vigor e intensidade no universo musical - e que diferencia ser chamado de "aquele tal de Vision Divine" para ser chamado de "O Vision Divine". Percebe?
Não me entenda mal: "The Perfect Machine" não é ruim. Trata-se, efetivamente, de um bom disco, com bons momentos, com destaque para a visceral "The Ancestor's Blood" e para a gostosa baladinha "Here In 6048". Mas tinha tudo para ser um disco "excelente". E entre "bom" e "excelente" existe, antes de tudo, um profundo abismo criativo.
Line-Up:
Olaf Thorsen - Guitarrista
Federico Puleri - Guitarrista
Michele Luppi - Vocalista
Oleg Smirnoff - Tecladista e Pianista
Andrea "Tower" Torricini" - Baixista
Danil Morini - Baterista
Tracklist:
01 - The Perfect Machine
02 - First Day Of A Never-Ending Day
03 - The Ancestor's Blood
04 - Land Of Fear
05 - God Is Dead
06 - Rising Sun
07 - Here In 6048
08 - The River
09 - Now That You've Gone
Gravadora:
Hellion Records (www.hellion.com.br)
Site Oficial:
http://www.visiondivine.com
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 5 álbuns de rock que todo mundo deve ouvir pelo menos uma vez, segundo Lobão
A melhor música de heavy metal de cada ano da década de 1980, segundo a Loudwire
"Aprendam uma profissão, porque é difícil ganhar a vida", diz Gary Holt
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
O ícone do heavy metal que foi traficante e andava armado no início da carreira
O disco de thrash metal gravado por banda brasileira que mexeu com a cabeça de Regis Tadeu
A lenda do metal nacional cujo apelido veio após arrancarem suas calças
A banda de rock que Robert Smith odeia muito: "Eu desprezo tudo o que eles já fizeram"
Steve Harris revela qual música gostaria de resgatar para os shows do Iron Maiden
A banda de rock dos anos 1990 que acabou e não deveria voltar nunca, segundo Regis Tadeu
Adrian Smith explica por que não há improviso nos shows do Iron Maiden
O melhor álbum do AC/DC de todos os tempos, segundo Lars Ulrich do Metallica
A música do Motörhead que tem verso "sacana" e marcou Rob Halford
"Se viraram bem sem mim" - Adrian Smith relembra audição frustrada para grande banda em 1991
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
Led Zeppelin e a incrível banda brasileira que iria abrir os seus shows
Evanescence: estranha criatura em foto de Amy Lee com seu filho
A opinião de Roger Waters sobre o Radiohead em seu auge criativo

Coldplay: Eles já não são uma banda de rock há muito tempo



