Resenha - Arcade Fire - Funeral
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 02 de março de 2006
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Quem conferiu a turnê do The Strokes em 2005 pelo Brasil, certamente surpreendeu-se com aquele bando de malucos que fizeram a abertura do show. Poucos, muito poucos por sinal, deviam conhecer naquele momento algo sobre a carreira do Arcade Fire, banda que vem do Canadá. "Funeral" é o seu álbum de estréia, e a base de todo o trabalho que aqueles doidos vem desenvolvendo desde o seu lançamento oficial em 2005.
Infelizmente, "Funeral" só pode ser encontrado por aqui em versão importada, o que varia muito o seu preço. Mas procurando em lojas especializadas, você pode encontrá-lo com um preço bastante aceitável. Vendo o CD, o que já chama bastante a atenção é o fato de o grupo contar com nada menos que sete integrantes. Isso que a banda não executa nenhuma vertente mais complexa do rock, é simplesmente rock n' roll anos sessenta e setenta com uma acentuação para a música alternativa, e para o que especialistas tendem a denominar de Indie Rock. Win Butler é o principal vocalista, além de tocar ao vivo baixo e um pouco de guitarra. Régine Chassagne é a voz feminina da banda, mas que também toca teclado, acordeão (um instrumento que se ouve em todas as faixas) e até bateria. Richard Parry e Tim Kingsbury fazem a dupla que se revezam somente nos instrumentos de corda: guitarra e baixo; Will Butler fica com a percussão essencialmente, mas se deslocando para o teclado e guitarra. Sarah Neufeld é membro fixo no violino e Jeremy Gara investe pouquíssimo na guitarra, e fica quase todo o tempo na bateria. Enfim, uma macaquice generalizada que poderia fazer da banda algo totalmente inútil e sem aspiração para a qualidade. Mas a coisa funciona muito pelo contrário. São todos exímios músicos, com bastante carisma, criatividade e vontade em cima do palco. E tudo está registrado aqui em "Funeral".
Tenho a nítida certeza que estamos diante de um promissor nome do rock atual. Chega de copiar fórmulas de sucesso, e sim investir em uma personalidade totalmente própria. Essa é, certamente, a maior ambição do Arcade Fire, que mesmo se lançando no mercado recentemente, conseguiu compenetrar suas qualidades em um disco muito bem produzido e recheado de composições legais. Algo que vemos desde a emotiva "Neighborhood #1 (Tunnels)", passando pela mais animada e cativante "Neighborhood #2 (Laika)". E é fazendo esse tipo de rock mais animado que a banda acerta realmente a mão, o que iremos comprovar mais a seguir, com "Neighborhood #3 (Power Out)". Apesar de preferir esse tipo de composição, "Crown of Love" e "Wake Up", que são duas baladas, merecem destaque em uma análise mais profunda, já que os toques de acordeão e os violinos se encaixam muito bem com o estilo da banda. Por fim, a melhor música de todas - "Rebbelion (Lies)" - voltando ao clima mais animado e cativante do disco.
"Funeral" trabalha ao todo com diversos e diferentes estilos dentro do rock, e talvez seja por isso uma das melhores coisas que veio até mim nos últimos tempos. Os canadenses do Arcade Fire estão trilhando pelo caminho certo, buscando o seu merecido espaço, jogando limpo e com a sua própria invenção criativa dentro do rock. Banda totalmente propícia a alcançar vôos mais altos, e, sinceramente, acho que você precisa urgentemente conhecer esse grupo. É algo novo, diferente, e especialmente, muito bom. Revelação de 2005 segundo a Bizz! e são poucos seus concorrentes para esse mesmo prêmio em 2006. Pelo menos até agora.
Site oficial: www.arcadefire.com
Line-up:
Win Butler (vocal/guitarra/baixo);
Régine Chassagne (vocal/teclado/acordeão/bateria);
Richard Parry (guitarra/baixo);
Tim Kingsbury (guitarra/baixo);
Will Butler (guitarra/baixo/percussão);
Sarah Neufeld (violino);
Jeremy Gara (guitarra/bateria).
Track-list:
01. Neighborhood #1 (Tunnels)
02. Neighborhood #2 (Laika)
03. Une Annee Sans Lumiere
04. Neighborhood #3 (Power Out)
05. Neighborhood #4 (7 Kettles)
06. Crown of Love
07. Wake Up
08. Haiti
09. Rebellion (Lies)
10. The Blackseat
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Derrick Green explica por que seu primeiro disco com o Sepultura se chama "Against"
Como é a estrutura empresarial e societária do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Metal Hammer coloca último disco do Megadeth entre os melhores da banda no século XXI
Metallica não virá à América do Sul na atual turnê, destaca jornal
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
Por que David Gilmour é ótimo patrão e Roger Waters é péssimo, segundo ex-músico
A música do Iron Maiden sobre a extinção do Banco de Crédito e Comércio Internacional
Como está sendo a adaptação de Simon Dawson ao Iron Maiden, de acordo com Steve Harris
Como o cabelo de Marty Friedman quase impediu a era de ouro do Megadeth
O guitarrista que usava "pedal demais" para os Rolling Stones; "só toque a porra da guitarra!"
Justin Hawkins (The Darkness) volta a defender críticas feitas a Yungblud
Matt Sorum admite que esperava mais do Velvet Revolver
A canção pop com "virada de bateria" que Ozzy Osbourne achava o máximo da história da música
Bruna Lombardi lembra "fora" que deu em Jon Bon Jovi
O hit da Legião Urbana que Renato Russo considerava "pretensioso e babaca"
Por que Luis Mariutti e Ricardo Confessori saíram do filme do Andre Matos?
Gilby Clarke: Axl Rose nem falava diretamente comigo



Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Nightwish: Anette faz com que não nos lembremos de Tarja
Megadeth: Mustaine conseguiu; temos o melhor disco em muito tempo



