Resenha - From The Cradle To The Stage - Rage

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Por Maurício Gomes Angelo
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20 anos de história. 25 álbuns no currículo – incluindo aí vários EP’s, lançamentos especiais e sendo 17 desses de estúdio. Seria Peter "Peavy" Wagner um workaholic? Melhor: quantos workaholics deste nível existem?

Seja lá qual for este número, Peter sabe muito bem como comemorar duas décadas de trabalho pesado. Voltar a Bochum, cidade alemã que o viu nascer com o Avenger, lotar o clube Zeche (pequeno, porém bastante acolhedor) e desfilar alguns de seus maiores clássicos em duas antológicas horas. "Orgy Of Destruction", título assaz sintomático, dá início ao show com duas pedradas encantadoras: "War Of Worlds" e "Great Old Ones", completando a mesma tríade de abertura de seu último álbum, "Soundchaser". A nova formação, há 5 anos junta, consegue reunir brilhantemente o thrash/speed do início de carreira com a veia mais melódica (trazendo os refrães grudentos desta, claro) experimentada durante a década de 90. E o Rage é, sem dúvida, a banda que melhor consegue agregar as duas coisas, tirando melodias surpreendentes da composição mais pesada possível.

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Se em estúdio já fascinam, a potência que adquirem ao vivo é recompensadora. Victor Smolski supre perfeitamente a ausência de qualquer dupla de guitarristas predecessores, sendo incrivelmente rápido, preciso e habilidoso, indo desde harmônicos a lá Malmsteen (e a influência do sueco é notável) até riffs da melhor escola thrash oitentista. Seu solo, a propósito, trabalha muito bem suas diversas influências, fazendo valer (e muito) os 6 minutos de duração. Falando em instrumental, a seqüência de "Unity", soberba, com o vôo solo de Mike Terrana na bateria, abusando de malabarismos, brincadeiras e usando todo o kit, acredite, não cansa.

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Em termos técnicos, a operação das câmeras não é tão profissional quanto deveria. Por vezes têm-se a impressão de um certo amadorismo no ar, como se você ou eu pudesse fazer a mesma coisa. Os ângulos são óbvios (porque não uma câmera sob a bateria de Mike? ou uma vista "aérea" melhor?) e certas posições incomodam. Isto deixa as duas horas de duração do show perigosamente enfadonhas num certo momento. O tamanho diminuto do clube Zeche deve ter impedido um trabalho mais abrangente, mas não é desculpa para a falta de inteligência.
Todavia, não há nada que a atuação deste power trio e a qualidade de suas composições, muito acima da média, não compensem. "Sent By The Devil", "Enough Is Enough", "Soundchaser", "Don’t Fear The Winter" e "Higher Than The Sky" (com seu refrão entoado quatro músicas antes de sua execução!) provam o momento sublime em que vivem.

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Se a gravação é meio tosca, o mesmo não se pode dizer da produção do DVD. Altamente cuidadosa, apresentando um show gráfico em telas e menus, o conteúdo do segundo disco é profissionalíssimo A começar pelo documentário "20 Years Of Rage", quase cinematográfico, com Peavy contando minuciosamente detalhes da história da banda, divida em partes e sendo entremeada por vídeos e fotos raras, além de depoimentos dos outros músicos. Ainda temos mais dois documentários em estúdio, não menos interessantes, making off de um show da banda e uma seqüência fantástica de vídeo clips. Desde "Down By Law", de 1987, até "Down", de 2002, destacando-se "True Face In Everyone" e o medley com a orquestra em "Língua Mortis". Neste ínterim podemos ver o quanto a música do Rage passou por várias fases e principalmente a profunda mudança na voz de Peavy. Saindo do tradicional speed oitentista, onde abusava dos agudos, tão tradicionais na época (lembrando personalidades tão díspares quanto King Diamond e Jimmy Brown, do Deliverance) até a voz quase completamente grave dos tempos atuais. Independente da ênfase, Peavy é ótimo, como cantor, compositor, líder e baixista. Desde segundo disquinho, a se lamentar somente a ausência de uma legenda em português, que pode atrapalhar quem tem dificuldade com a língua britânica.

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"From The Cradle To The Stage – 20th Anniversary" transpira uma banda gigantesca em musicalidade e competência mas incompreensivelmente tímida em fama e adoração. Fazendo shows com os do Live N’ Louder e lançando material deste gabarito eles têm tudo, e muito mais do que o suficiente, para mudar este quadro. Indispensável para headbangers. Rage On!

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Hellion Records – 2005.


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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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