Resenha - Nothing Is Easy: Live At The Isle of Wight 1970 - Jethro Tull
Por Nelson Endebo
Postado em 05 de junho de 2005
A ST2 deveria ganhar uma medalha de reconhecimento de utilidade pública por esse lançamento. Senão vejamos: Jethro Tull, um dos bastiões do rock progressivo mundial, tocando para uma platéia de incautos, cuja reação à sua magnitude deixa transparecer o abismo que separa a minha geração daquela que aconteceu nos fantásticos anos 70. Ali, naquela apresentação, ninguém poderia saber que o reluzente era ouro. "Nothing Is Easy: Live At The Isle Of Wight 1970" recaptura a magia de toda uma época para uma geração criada sem magia alguma. E como bem conjeturou meu camarada Maurício Gomes Ângelo em sua análise do álbum, talvez seja um dos melhores "ao vivo" da história do rock.

A ilha de Wight, no sul da Inglaterra, abrigou, de 1968 a 1970, um dos maiores festivais de sua época. O Jethro Tull, em incipiente carreira, tinha dois consistentes álbuns nas costas, "This Was" (1968) e "Stand Up" (1969), e divulgava seu recém-lançado terceiro e maravilhoso "Benefit", posto por muita gente em altar para adoração. Naquela época, o progressivo folk-celta-clássico-mágico que fez a fama do quinteto liderado pelo bardo Ian Anderson ainda estava delegado à posterioridade, sendo tão somente uma mistura explosiva de blues sujo com melodias épicas e alguma ligação com o meio erudito, como bem expressa o lindo arranjo para "Bourée", de Johann Sebastian Bach. A performance, como define um emocionado Ian Anderson no texto do encarte, é pura energia das imperfeições técnicas que o rock, suado, visceral, imoral e sacana, precisa ter. A noite de 30 de agosto de 1970 era a última daquela edição, e coube ao Jethro Tull a tarefa de fechar, junto a Jimi Hendrix (que faleceria no mês seguinte), um festival que contara com gente como Miles Davis, Who, Doors, Joni Mitchell, Hawkwind, Leonard Cohen, Gilberto Gil (!), Cactus, Free, Donovan, ELP e outros. O fardo era pesado, meu chapa. Só que o Jethro Tull não era (nem nunca foi) uma banda qualquer. Sob a tutela da flauta transversa de Anderson, mais expressiva e pesada que muita guitarra por aí, os ingleses só não foram mais incendiários do que Hendrix, já que o mesmo levaria a expressão literalmente e protagonizaria o clássico ritual de pôr em chamas a velha Strato.
A performance é irrepreensível; a gravação, cristalina e sem maquiagem. Martin Barre é um guitarrista abençoado, dotado de um talento raro entre os guitarristas: saber tocar guitarra. Seus solos ensinam e emocionam. A musicalidade é pura e a orgia corre solta. Não há truques, pedais gigantes, fogos de artifício, ventiladores, duelos ensaiados. "Nothing Is Easy: Live At The Isle Of Wight 1970" é documento escarrado do encontro de cinco almas em torno de um propósito único. Ouça a versão para a linda "My God" e aprenda. A cozinha de Clive Bunker (baita baterista) e Glen Cornick, pilotando o baixo no limite dos graves e da farra, é daquela espécie extinta com o fim da década. O tecladista John Evan, perfeito, arrasa com Anderson em "With You There To Help Me", cujas melodias flutuantes dariam a tônica nos álbuns seguintes do Tull, todos clássicos ("Aqualung", "Thick As a Brick" e "A Passion Play" em seqüência? Que banda faz isso hoje?).
Emerson, Lake & Palmer, Jimi Hendrix e The Who já lançaram discos com suas respectivas apresentações na ilha. O disco do Jethro Tull é versão diferente para uma mesma história e deve ser degustado com sabedoria. O verdadeiro ouro reluz mesmo sem polimento.
1 - My Sunday Feeling
2 - My God
3 - With You There To Help Me
4 - To Cry You a Song
5 - Bourée
6 - Dharma For One
7 - Nothing Is Easy
8 - Medley: We Used To Know/For A Thousand Mothers
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor baterista de todos os tempos, segundo David Gilmour do Pink Floyd
Os 20 piores discos da história do rock and roll, segundo a Classic Rock
A música do Pink Floyd que David Gilmour mais gostava de tocar ao vivo
11 bandas de metal que são carregadas nas costas por um único integrante
A faixa do Guns N' Roses em que Axl Rose atingiu a nota mais alta de sua carreira
O álbum de heavy metal preferido de Rob Halford, vocalista do Judas Priest
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
O hit do Nightwish com que Anette Olzon não concordava e virava as costas no palco
Soundgarden fará show do intervalo na abertura da temporada 2026/27 da NFL
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
5 músicas de metal que entregam o melhor momento nos primeiros 30 segundos
Eluveitie, Soilwork e Kanonenfieber se apresentarão no Bangers Open Air 2027
A canção do Led Zeppelin que Geddy Lee usa para mostrar o talento de John Paul Jones
A música "ótima" que é a pior faixa de "Nevermind", de acordo com a Louder
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
A música dos Beatles odiada tanto por John Lennon quanto por Paul McCartney
As músicas menos populares do Metallica, de acordo com número de plays no Spotify
"Um baita de um babaca"; o guitarrista com quem Eddie Van Halen odiou trabalhar

O cantor que Ian Anderson diz merecer respeito por ter o trabalho mais duro do rock
O clássico do progressivo que fez Geddy Lee querer levar o Rush a caminhos mais ambiciosos
Tony Iommi coloca o papo em dia com Ian Anderson durante almoço
A banda que obrigou o Jethro Tull a buscar um som mais original
O feito inacreditável que mostrou a força gigantesca do rock progressivo nos anos setenta
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão



