Resenha - System Has Failed - Megadeth

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Por Júlio César Tortoro Ribeiro
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Depois de anunciar o fim do Megadeth, em 2002, devido a inúmeros problemas, como danos em seu braço e contratempos com integrantes da banda, Dave Mustaine recomeçou seu trabalho para voltar à cena. Inicialmente, The System Has Failed seria um trabalho solo do guitarrista e vocalista, mas acabou saindo sob alcunha da grupo e com músicos contratados para as gravações, todos tocando da maneira como Mustaine idealizou na hora de compor. O resultado de tudo isso é uma coleção de algumas das melhores músicas que o líder do Megadeth já escreveu.

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Mustaine contou com o guitarrista Chris Poland, integrante original da banda e que gravou os álbuns Killing is My Bussiness... And Business is Good! (1985) e Peace Sells... But Who's Buyng? (1986); o baterista Vinnie Colaiuta, experiente músico de jazz e fusion; e o baixista Jimmy Lee Sloas. A junção de tantos bons músicos juntos, tocando um material de primeira, não poderia dar em outra coisa que não fosse um ótimo álbum, um dos melhores do Megadeth. Enfim, a banda apresentou um trabalho que consegue agradar do começo ao fim, trazendo originalidade, bom gosto, peso, solos alucinantes e letras sarcásticas.

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Uma comparação com a consagrada formação que gravou Rust in Peace (1990), Countdown to Extinction (1992), Youthnasia (1994) e Cryptic Writings (1997) é inevitável. Marty Friedman (guitarra), Dave Ellefson (baixo) e Nick Menza (bateria) fizeram falta? Sim, músicos que compoem e tocam muito bem são raros atualmente, mas Mustaine superou tudo isso com escolhas acertadas e músicas poderosas, como há tempos a banda não gravava. Muito se especulou sobre um retorno ao speed/thrash metal da fase So Far, So Good... So What! (1988) e Rust in Peace, mas isso não aconteceu. Ele reuniu elementos antigos e adicionou novas sonoridades a eles [N. do E.: além de Mustaine, obviamente, o Megadeth sairá em turnê com Menza, o ex-King Diamond Glen Drover na guitarra e o ex-Iced Earth James MacDonough no baixo].

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A mescla de elementos clássicos do Megadeth com novas idéias é o maior atrativo do álbum. Blackmail the Universe poderia facilmente estar em So Far, So Good... So What!, ou seja, tem guitarras despejando riffs palhetados, baixo veloz e bateria rápida com dois bumbos e variações. Ótima faixa de abertura, mostrando toda a qualidade dos músicos, principalmente dos menos conhecidos do público metal, Sloas e Colaiuta, que formam uma cozinha impecável tamanha precisão e peso. Primeiro single do álbum, Die Dead Enough vem com uma pegada caracteristica do Megadeth pós-Youthnasia e lembra um pouco Angry Again. Estão lá a cadência na bateria, harmonias vocais e de guitarras bem encaixadas, refrão certeiro e teclados ao fundo. Aliás, talvez o maior diferencial de The System Has Failed seja a adição dos teclados fazendo cama em algumas canções. Destaque absoluto ainda para o dueto fenomenal entre Poland e Mustaine, com solos fantásticos.

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Kick the Chair, primeira música mostrada ao público antes do lançamento, leva o ouvinte diretamente aos tempos de Rust in Piece. Velocidade, peso, guitarras dobradas executando harmonias diferentes... E o que Colaiuta faz durante toda a canção é covardia: com técnica precisa nos bumbos, variações na condução e alternância de tempos, ele rouba a cena. A música em questão é o tema central do álbum, que fala sobre injustiça e indignação. The Scorpion diminui a rotação e arrisca na parte experimental. Tem groove no baixo e guitarras marcadas e cadenciadas abrindo espaço para um ótimo trabalho de métricas vocais. Uma fusão dos três últimos álbuns da banda, com a adição dos teclados e efeitos ao fundo que criam uma ótima textura sonora. O refrão é excelente.

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Se me perguntassem o que aconteceria ao juntar Tornado of Souls com Trust, responderia Tears in a Vail. Não apenas a melhor música do álbum, mas também uma das melhores do Megadeth! A letra fala do fim da banda de uma forma bem particular, os riffs cavalgados acompanhados da bateria e do baixo e trabalhados em tempos diversificados, variações ao decorrer da música, que começa cadenciada e quebrada até se tornar rápida e alucinante, os certeiros solos de Poland e Mustaine... Enfim, tudo somando pontos para Mustaine.

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I Know Jack, introdução para Back in the Day, é uma mistura de Iron Maiden com Megadeth, ou seja, guitarras gêmeas acompanhadas da bateria e baixo speed/thrash e capitaneadas pelos vocais de Mustaine. Something I'm Not e Truth Be Told compartilham caracteristicas mais modernas, seguindo a linha do mediano The World Needs a Hero (2001), porém com mais força e consistência. Vale ressaltar que Mustaine usa muito bem as influências new metal em Truth Be Told, com groove no refrão que depois abre espaço para uma parte bem veloz, com direito a pedal duplo do magnifico Colaiuta.

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Já Of Mice and Man deixa um pouco a desejar, soando como uma versão mais fraca de Use the Man (de Cryptic Writings). Tem um solo bem legal de Poland, mas nada que justifique sua presença em meio a um álbum tão bom. Shadow of Deth é uma marcha muito interessante, com solos de Mustaine e letras bem sacadas. Na verdade, uma breve introdução para My Kingdom, que encerra de The System Has Failed com os elementos que fizeram deste álbum um trabalho tão especial: letras excelentes, guitarras afiadas e cozinha indefectível. Tomara que não seja o último registro do Megadeth!

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Sobre Júlio César Tortoro Ribeiro

Paulistano fanático por música e lutas, não sou jornalista, mas sempre gostei de escrever como Hobby, e por isso mantenho um blog totalmente amador chamado Its Electric no qual discorro sobre esses assuntos. Sou contra o radicalismo e apóio quem como eu ainda compra material das bandas e escreve sobre as mesmas por puro gosto.

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