Resenha - Unbreakable - Scorpions
Por Sílvio Costa
Postado em 03 de setembro de 2004
Nota: 7 ![]()
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É duro não sentir mais tesão pelo som da banda que a gente cresceu ouvindo, ainda mais quando a culpa é da própria banda, que parece ter esquecido como se faz um bom disco e precisa apelar para propostas moderninhas e insossas para garantir o seu espaço. Depois do fraco Pure Instinct (1996) e do tenebroso Eye II Eye (1999) parecia que não tinha nada que fizesse o Scorpions recuperar a velha forma e a credibilidade perdidas. Nem mesmo os lançamentos de Moment of Glory (2000) e Acoustica (2001) serviram para restabelecer a boa relação do grupo com os fãs. Parece que a mensagem de indignação dos fãs foi compreendida e os mestres teutônicos do hard/heavy voltam a gravar algo que mereça ostentar aquele sagrado logotipo.

É claro que ainda estamos longe de ter o hard rock visceral que fez a fama deste quinteto germânico desde o início da década de 70. Mas lançar um disco honesto e repleto de temas grudentos que, entretanto, não apelam para afinações baixas e guitarras pseudo-pesadas para figurar nas listas das ditas rádios de rock já é um feito memorável. O Scorpions não apenas conseguiu lançar um trabalho verdadeiramente digno de figurar na sua extensa discografia como também conseguiu se reinventar, sem perder a identidade, caindo na armadilha dos modismos musicais.
A sonoridade da banda está praticamente intacta. É o mesmo hard/heavy feito sob medida para quem aprecia peso e distorção sem que isto signifique perda de sensibilidade. A produção – a cargo do competentíssimo Erwin Musper, que já havia trabalhado com a banda em Pure Instinct – valorizou aquilo que o Scorpions tem de melhor. A voz de Klaus Meine soa ainda melhor, tanto nas músicas mais pesadas, como "Blood Too Hot" e nas baladas, como acontece na inevitável "Maybe I Maybe You". "Someday is Now" é, seguramente, uma das melhores deste disco, pronta para ser entoada nas arenas do mundo. "Bordeline", que conta com a participação do atual baixista do Dokken, Barry Sparks, é a mais heavy do disco, chegando a lembrar os bons momentos do clássico Blackout (1982).
Rudolf Schenker e Matthias Jabs dão sucessivos shows em cada uma das faixas. Os riffs presentes em Unbreakable seguramente figuram entre os melhores já criados por essa dupla – uma das melhores da história do hard rock. Basta conferir o que eles aprontam em faixas como "Can you Feel it" ou na modernosa "This Time" para entender como isso acontece. É o disco que o Scorpions deveria ter gravado há uns dez anos, mas que foi deixando de lado em nome de sonoridades mais acessíveis ou experimentalismos desastrosos. Ainda bem que eles guardaram para agora, quando discos feitos com honestidade, talento e respeito aos fãs estão se tornando cada vez mais escassos. Nesses tempos de domínio absoluto do fast food musical, o grupo resgata a verdadeira essência dos anos 70/80 mostrando que música se faz é com trabalho duro e uma porção bem generosa de talento. Não basta que a mídia diga que é bom. Boa música deve resistir ao teste do tempo e, neste aspecto, o Scorpions tem se mostrado insuperável.
Desculpas aceitas.
Site oficial:
http://www.the-scorpions.com
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