Resenha - Once - Nightwish
Por Sílvio Costa
Postado em 15 de junho de 2004
Depois do apenas regular "Century Child" o Nightwish aposta em mudanças na sonoridade e tenta aproveitar a onda crescente de sucesso que cerca a banda desde o primeiro álbum. Este "Once" mostra o inegável talento de Tuomas Holopainen (K) como compositor e a já conhecida competência do resto do time de músicos. É claro que Tarja Turunen merece considerações à parte.
A abertura é feita com a climática "Dark Chest of Wonders". Cheia de variações e com um clima que chega a lembrar um pouco a também fantástica "Progenies of Apocalypse" do último disco do Dimmu Borgir. "Wish I Had an Angel" (que já tem um clip circulando por aí) tem como principal destaque o peso das guitarras de Emppu Vuorinen e os poderosos vocais de Marco Hietala. "Nemo" é o primeiro single do disco e é uma música calma, mesmo para os padrões do Nightwish. É, seguramente, a melhor performance de Tarja no disco e traz um grande trabalho de orquestração.
O disco contou com a participação de uma orquestra e corais, o que contribuiu muito para a criação de melodias realmente impressionantes. Em "Planet Hell", por exemplo, há um clima meio "O Senhor dos Anéis" graças à presença dos corais no início da faixa, que logo ganha um peso absurdo e um duelo de vozes entre Tarja e Marco que lembra os melhores momentos do maravilhoso Oceanborn (1999). Outra faixa em que se nota uma evolução musical gigantesca da banda é "The Siren". Com um clima meio dark, complementado pelo uso de instrumentos exóticos, como cítaras, esta é fortíssima candidata a melhor faixa do disco.
O grande problema do disco é a repetição. O Nightwish pecou pelo excesso desta vez. Se em Century Child faltou intensidade, pode-se dizer que em Once falta inventividade. A banda repete a mesma fórmula à exaustão. Tudo soa gótico demais e as músicas, em geral, são guiadas pela mesma batida reta de Jukka Nevalainen e as mesmas linhas de baixo, mais ou menos como outras bandas escandinavas têm feito ultimamente (o HIM é o maior exemplo desta fórmula, mas com eles, a proposta é justamente ser assim). É interessante, sem dúvida, mas não há como não se aborrecer lá pela sexta ou sétima faixa. Não é que não exista variação ou que o disco seja chato. Acontece que para uma banda que criou coisas como "She is my Sin" ou "The Sacrament of Wilderness" não há como se esperar menos que um disco repleto de idéias. A faixa que eu, pessoalmente mais gostei, foi a belíssima balada "Higher Than Hope". Apesar do clima meio Disneylândia que a letra deixa passar, trata-se de uma música que conseguiu ficar fora do esquema predominante no resto do disco e, apesar de trazer alguns elementos freqüentes em músicas do Nightwish (como, por exemplo, uma narração, que, neste caso, soa meio deslocada) consegue desvencilhar-se do modelo adotado em Once. Outro destaque inegável é a também lindíssima "Kuolema Tekee Taiteilijan", onde só se ouve a voz de Tarja, acompanhada pela orquestra e pelos teclados de Tuomas.
Para fechar essa história, não é um disco ruim como Century Child, mas também não pode ser considerada a redenção da banda, que ainda deve um bom trabalho há, pelo menos, quatro anos, desde que ganhou vida o excelente Wishmaster.
Tracklist:
01. Dark Chest Of Wonders
02. Wish I had An Angel
03. Nemo
04. Planet Hell
05. Creek Mary's Blood
06. The Siren
07. Dead Gardens
08. Romanticide
09. Ghost Love Score
10. Kuolema Tekee Taiteilijan
11. Higher Than Hope
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