Resenha - Once - Nightwish
Por Clóvis Eduardo
Postado em 08 de agosto de 2004
(Universal - nacional)
O novo álbum do Nightwish vinha gerando uma grande expectativa desde o fim de 2003. Não à toa, pois a banda finlandesa caiu no gosto da galera, há algum é sensação no heavy metal e precisava mostrar mais serviço para agradar aos fãs. O tecladista, líder e principal compositor Tuomas Holopainen apresenta um trabalho muito bem feito e, apesar de os discos anteriores - principalmente Wishmaster (2000) e Century Child (2002) - possuírem boas músicas, o que faz a diferença em Once é um instrumental ainda mais elaborado e a participação de uma orquestra sinfônica em todas as músicas.

O resultado final é muito agradável. Com os teclados em cima das usuais bases, o grande mérito de Holopainen é mesmo no campo das composições. Tarja Turunen, por sua vez, mantém o alto nível e é encantadora a maneira como emposta sua voz em alguns momentos, como em Dark Chest of Wonders, faixa que abre o CD. Outros momentos em que a linda vocalista rouba a cena são Creek Mary's Blood e Ghost Love Score, nesta com a ajuda de um coral que faz da música de dez minutos a mais bonita de Once.
Além dos destaques óbvios, Emmpu Vuorinen está mais notável no novo trabalho. Seus solos estão ficando melhores e o som da guitarra ficou mais à frente e, diga-se de passagem, com uma afinação muito mais agressiva. Siren é um belo exemplo da performance perfeita de Vuorinen. O batera Jukka Nevalainen continua firme, apesar de limitado, e a maneira como usa a caixa, erguendo bastante o braço, é uma marca inconfundível, podendo ser conferida no vídeo clipe de Nemo.
Once apresenta um repertório bem variado. Kuolema Tekee Taiteilijan é uma balada em finlandês, daquelas de sentar e ficar ouvindo Tarja em seus belos momentos líricos, mas é totalmente adversa a Planet Hell, uma música forte na qual quem mais se destaca é o baixista Marco Hientala, com um timbre de voz mais grave e forte. Seu trabalho vocal é muito bom.
Wish I Had an Angel talvez seja a faixa mais delicada de ser analisada, já que sua base eletrônica não engana até mesmo o mais ignorante no quesito percussão - eu mesmo, por exemplo. Qualquer um saca de primeira que não se trata de bateria e, para os mais puristas, certamente caiu muito mal. Sem contar, é claro, de que estamos diante de um ponto baixo num álbum de muitas qualidades.
Resumindo, em Once percebemos que o Nightwish está com mais feeling, principalmente nos momentos em que orquestra e banda estão a todo vapor. Quer uma amostra: ao fim da faixa Nemo, primeiro single do disco, aumente o volume e perceba quão poderosa ficou a sonoridade do novo álbum do quinteto finlandês. Vale a pena conferir.
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