Nightwish: O fim de uma era com o "Once"
Resenha - Once - Nightwish
Por Danilo Oliveira
Postado em 17 de junho de 2014
Nota: 10 ![]()
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7 de Junho de 2004. Era lançado uma das principais obras do heavy metal da época. "ONCE", quinto álbum de estúdio dos finlandeses, mostrou o desenvolvimento da banda nos arranjos, nas melodias, e o grande músico que é Tuomas Holopainen. No DVD do álbum, "End of an Era", fica evidente o sucesso que suas músicas faziam. Os fãs choravam, berravam seus nomes. Mal sabiam estes que, naquela noite no Hartwall Areena, era a última vez que viam a maior formação do heavy metal com vocal feminino. No fim do show, Tuomas entrega uma carta à vocalista Tarja Turunen. Depois disso, muitos já sabem o que aconteceu.
"Dark Chest of Wonders’’, dá início ao álbum com um riff pesado e distorcido na entrada, sendo seguido por um coro e uma orquestra sensacional. Logo de início, da pra perceber o grande nível técnico que o álbum irá seguir. Tarja canta em meio aos estrondos da orquestra durante a faixa. Dark Chest of Wonders tem uma pegada obscura e triunfal.
Logo a seguir, entra o dueto entre Tarja e Marco Hietala, "Wish I Had an Angel", música tema do filme "Alone in the Dark". A música não tem orquestra, seguindo um parâmetro mais industrial de heavy metal. O refrão foi muito bem feito, assim como a música toda. Hietala, nesta faixa, mostra o quanto ele agrega na banda. Uma das maiores faixa de Once. Virou single, é claro.
Então, dá início a terceira faixa, "Nemo". Nemo é uma música típica de 5 estrelas. Tudo nela funciona perfeito. A música ganhou um videoclipe muito bem produzido, não sendo a toa que não saía das paradas mais top do mundo da música na época. A orquestra fica de apoio nessa faixa, deixando o heavy metal rolar puro e sinfônico. No fim da música, após o teclado marcante de Tuomas, ela entra de vez pra encerrar a faixa. Aumente o som nessa parte! O arranjo aqui é lindo, e fecha a música com maestria.
Após essas três faixas, vemos que os finlandeses não estão de brincadeira em Once. O álbum, definitivamente, não é só um grande álbum de symphonic metal; mas, sim, um grande álbum de música.
"Planet Hell" é mais uma boa música com os arranjos a lá hollywoodianos do álbum. A faixa foi usada em um especial do programa da rede globo, afinal, ela traz uma mensagem muito bonita e coerente sobre o meio ambiente em que vivemos hoje. Ela começa com um arranjo de coro e orquestra bonito por um minuto, dando entrada aos riffs e teclado da faixa. Marco divide mais uma vez o vocal com Tarja nessa faixa, mostrando a química que há na junção dos dois vocalistas. Perceba, no meio da faixa, o clima Century Child invadindo o som.
"Creek Mary’s Blood" traz um vocalista de tribo indígena nos vocais. A voz do cantor é potente, e agrega um som bem de natureza na música. A faixa traz um arranjo cinematográfico, bem bacana. Muito boa a atuação da Tarja nesta faixa, também.
"The Siren" é criativa e exótica, e funciona muito bem como sexta faixa no álbum. A música tem um ar meio que egípcio, e Tarja dá mais um show de canto aqui. Marco também aparece na faixa, com uma voz parecida com o que ele faz no Tarot, bem bacana.
"Romanticide" é uma faixa pesada e agressiva, tendo seu destaque no final do som. Aquela parte final da música é show de bola!
"Ghost Love Score" é a grande investida da banda em Once, com duração de exatos 10 minutos. A música em si é um filme. Alterna, perfeitamente, entre momentos calmos e agitados, orquestra e heavy metal. A faixa emociona, e faz dez minutos muito bem ouvidos de música. O coro está de muito bom gosto, principalmente, na parte:
"My fall will be for you
My love will be in you
You were the one to cut me
So I`ll bleed forever."
É com esse refrão cantado pelo coro, que em fade out, evanesce o som de Once. Há, também, as faixas "Kuolema Tekee Taiteilijan" e "Higher Than Hope". Ambas, de bom agrado! Quando termino de ouvir o álbum, sinto ter escutado muita das coisas que meus ouvidos pedem numa música. Mas, também, sinto-me melancólico.
Tarja, subitamente, era demitida da banda através da carta entregue pelos membros naquele fim de noite no Hartwall. O assunto, rendeu uma novela e tanto na cena do rock. Os membros acusavam-na em mídia, Tarja processava-os em defesa de seus autorais, seu marido e produtor chegou a falar que Tuomas "não tinha atitude de homem", enfim. Hoje, todos sabem que seu retorno à banda, é impossível.
O Nightwish continuou com sua excelência nos álbuns posteriores, ao lado da vocalista Anette Olzon; e hoje, após a demissão da mesma (!), recebe a ótima vocalista Floor Jansen, dona de um grande potencial vocal. Tarja, por sua vez, entrou em carreira solo, já está no quarto álbum de estúdio, apresenta boas músicas, e um estilo artístico próprio (afinal, na banda, ela não atuava nas composições). De qualquer maneira, a perda foi recíproca: Tarja perde um ótimo compositor pra sua voz, e Tuomas perde uma ótima voz pra sua composição. E nós, a formação de cinco músicos que, dificilmente, teremos igual na cena do symphonic metal.
Once é a magnum opus do symphonic metal. NOTA: 10
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