Resenha - Once - Nightwish
Por Raphael Crespo
Postado em 19 de julho de 2004
Enquanto o bom Evanescence ainda engatinhava, de forma milimetricamente planejada, é claro, rumo ao sucesso no mundo pop, uma fantástica banda da Finlândia já figurava entre as melhores do mundo dentro do heavy metal. Com a fórmula de guitarras pesadas e vocal feminino, elevada à enésima potência, tanto no peso quanto na qualidade da cantora, o Nightwish estourou no gueto do metal com seu segundo álbum, Oceanborn (1998), e hoje, ironicamente, na cola dos colegas americanos - que apenas no ano passado estrearam em CD, com o bem-sucedido Fallen - chega ao auge de sua carreira, para deixar de vez o underground, com seu quinto álbum: Once.

No exato dia de seu lançamento, o novo CD do Nightwish alcançou o topo das paradas finlandesas, chegando ao disco de ouro, marca igualmente obtida após duas semanas de vendas na Alemanha, onde 100 mil cópias desapareceram das lojas de forma impressionante. Enquanto o Evanescence, da boa cantora Amy Lee, vende milhões com seu som um pouco mais voltado para o pop, os finlandeses usaram de artifícios mais mercadológicos no novo álbum, principalmente no single Nemo, música um pouco mais comercial que o normal, que anda tocando aos borbotões nas rádios rock e já chegou, inclusive, ao primeiro lugar da parada de clipes da MTV Brasil.
Uma coisa é certa: aqueles que comprarem o álbum Once esperando tudo na linha da música Nemo, que mesmo mais comercial é mil vezes mais pesada que um disco inteiro do Evanescence, podem levar um susto. Em seu novo lançamento, o Nightwish aparece extremamente pesado e com as guitarras mais ''na cara'' do que nunca, além das intervenções para lá de agressivas do baixista Marco Hietala nos vocais. Mas, o disco tem seus atrativos para os ouvidos mais sensíveis, como a doce voz de Tarja Turunem, um coral e a participação da orquestra The Academy of St.Martins in the Field, cujos músicos gravaram a trilha sonora da trilogia 'O senhor dos Anéis', escrita por Howard Shore.
Dono da banda e responsável por praticamente toda a composição das músicas, o tecladista Tuomas Holopainen dá um show de criatividade. Nemo, apesar de ser a faixa mais pop, é uma das melhores do álbum. Mas, o grande destaque fica para as músicas mais pesadas, quando fica evidente o contraste das guitarras com a voz de Tarja.
Dark chest of wonders abre o disco com um riff pesadíssimo, lembrando um pouco a introdução de Fuel - única música realmente pesada que o Metallica fez no período dos fracos álbuns Load e Reload -, antes da entrada do coral, que abre passagem para a evolução de Tarja. Wish I had an angel, igualmente heavy, vem na seqüência e já marca o primeiro duelo vocal entre a musa e o baixista. No quesito peso, as melhores faixas de Once são as duas primeiras, além de Planet Hell, Dead Gardens e Romanticide.
O álbum também tem faixas que causam uma certa estranheza, como na longa e belíssima Creek Mary's blood, que seria perfeita se não tivessem algumas chatas intervenções de um indígena norte-americano balbuciando cânticos em sua língua nativa. Em The Siren, Tarja experimenta um novo estilo de cantar inspirado na música da Índia.
As presenças do coral e da orquestra dão um toque grandioso à maioria das músicas, em especial à épica Ghost love score, de 10 minutos de duração, e a Higher than hope, uma linda balada, não tão longa, mas igualmente progressiva. O álbum conta ainda com Kuolema Tekee Taiteilijan, que, apesar de cantada em finlandês, encanta, pela beleza da voz de Tarja.
Outras resenhas de Once - Nightwish
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O lendário álbum dos anos 1970 que envelheceu mal, segundo Regis Tadeu
Tobias Forge explica ausência da América do Sul na atual tour do Ghost
A música mais ouvida de cada álbum do Megadeth no Spotify
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Ex-Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks retoma clássicos da fase áurea em nova turnê
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
As 11 melhores bandas de metalcore progressivo de todos os tempos, segundo a Loudwire
Bruce Dickinson cita o Sepultura e depois lista sua banda "pula-pula" favorita
Bruce Dickinson sobe ao palco com o Smith/Kotzen em Londres
Os 5 álbuns que podem fazer você crescer como ser humano, segundo Regis Tadeu
A opinião contundente de Andre Barcinski sobre "Lulu", do Metallica; "Tudo é horrível"
A música dos Beatles que ganhou elogios de George Martin; "uma pequena ópera"
O grande erro que Roadie Crew e Rock Brigade cometeram, segundo Regis Tadeu
Ozzy foi avisado pelos médicos que corria risco de morrer se fizesse o último show
Elton John elege a maior canção de rock de todos os tempos; "não há nada melhor que isso"



Angra, Helloween e Arch Enemy puxaram a fila: 5 bandas que ganhariam com retornos
O álbum que mudou a vida de Simone Simons (Epica)
A música do Motörhead que marcou a vida de Marko Hietala, ex-baixista do Nightwish
A reação da "diva" Tarja Turunen ao ouvir o Within Temptation pela primeira vez
Paisagem com neve teria feito MTV recusar clipe de "Nemo", afirma Tarja Turunen
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


