Resenha - Once - Nightwish

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Por Raphael Crespo
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Enquanto o bom Evanescence ainda engatinhava, de forma milimetricamente planejada, é claro, rumo ao sucesso no mundo pop, uma fantástica banda da Finlândia já figurava entre as melhores do mundo dentro do heavy metal. Com a fórmula de guitarras pesadas e vocal feminino, elevada à enésima potência, tanto no peso quanto na qualidade da cantora, o Nightwish estourou no gueto do metal com seu segundo álbum, Oceanborn (1998), e hoje, ironicamente, na cola dos colegas americanos - que apenas no ano passado estrearam em CD, com o bem-sucedido Fallen - chega ao auge de sua carreira, para deixar de vez o underground, com seu quinto álbum: Once.
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No exato dia de seu lançamento, o novo CD do Nightwish alcançou o topo das paradas finlandesas, chegando ao disco de ouro, marca igualmente obtida após duas semanas de vendas na Alemanha, onde 100 mil cópias desapareceram das lojas de forma impressionante. Enquanto o Evanescence, da boa cantora Amy Lee, vende milhões com seu som um pouco mais voltado para o pop, os finlandeses usaram de artifícios mais mercadológicos no novo álbum, principalmente no single Nemo, música um pouco mais comercial que o normal, que anda tocando aos borbotões nas rádios rock e já chegou, inclusive, ao primeiro lugar da parada de clipes da MTV Brasil.

Uma coisa é certa: aqueles que comprarem o álbum Once esperando tudo na linha da música Nemo, que mesmo mais comercial é mil vezes mais pesada que um disco inteiro do Evanescence, podem levar um susto. Em seu novo lançamento, o Nightwish aparece extremamente pesado e com as guitarras mais ''na cara'' do que nunca, além das intervenções para lá de agressivas do baixista Marco Hietala nos vocais. Mas, o disco tem seus atrativos para os ouvidos mais sensíveis, como a doce voz de Tarja Turunem, um coral e a participação da orquestra The Academy of St.Martins in the Field, cujos músicos gravaram a trilha sonora da trilogia 'O senhor dos Anéis', escrita por Howard Shore.

Dono da banda e responsável por praticamente toda a composição das músicas, o tecladista Tuomas Holopainen dá um show de criatividade. Nemo, apesar de ser a faixa mais pop, é uma das melhores do álbum. Mas, o grande destaque fica para as músicas mais pesadas, quando fica evidente o contraste das guitarras com a voz de Tarja.

Dark chest of wonders abre o disco com um riff pesadíssimo, lembrando um pouco a introdução de Fuel - única música realmente pesada que o Metallica fez no período dos fracos álbuns Load e Reload -, antes da entrada do coral, que abre passagem para a evolução de Tarja. Wish I had an angel, igualmente heavy, vem na seqüência e já marca o primeiro duelo vocal entre a musa e o baixista. No quesito peso, as melhores faixas de Once são as duas primeiras, além de Planet Hell, Dead Gardens e Romanticide.

O álbum também tem faixas que causam uma certa estranheza, como na longa e belíssima Creek Mary's blood, que seria perfeita se não tivessem algumas chatas intervenções de um indígena norte-americano balbuciando cânticos em sua língua nativa. Em The Siren, Tarja experimenta um novo estilo de cantar inspirado na música da Índia.

As presenças do coral e da orquestra dão um toque grandioso à maioria das músicas, em especial à épica Ghost love score, de 10 minutos de duração, e a Higher than hope, uma linda balada, não tão longa, mas igualmente progressiva. O álbum conta ainda com Kuolema Tekee Taiteilijan, que, apesar de cantada em finlandês, encanta, pela beleza da voz de Tarja.

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Sobre Raphael Crespo

Raphael Crespo é jornalista, carioca, tem 25 anos, e sempre trabalhou na área esportiva, com passagens pelo jornal LANCE! e pelo LANCENET!. Atualmente, é editor de esportes do JB Online, mas seu gosto por heavy metal o levou a colaborar com a seção de musicalidade do site do Jornal do Brasil, com críticas de CDs e algumas matérias especiais, que também estão reunidas em seu blog (http://www.reviews.blogger.com.br). Sua preferência é pelo thrash metal oitentista, mas qualquer coisa em termos de som pesado é só levantar na área que ele mata no peito e chuta. Gosta também de outros tipos de som, como MPB, jazz e blues, mas só se atreve a escrever sobre o que conhece melhor: o metal.

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