Resenha - Live Rust - Neil Young
Por Raul Branco
Postado em 27 de julho de 2000
Escolher um disco de Neil Young para a Discografia Básica do Rock não é uma tarefa fácil. A obra de Young é tão extensa quanto sua carreira, e ele nunca entrou em estúdio se não tivesse algo para dizer. Este artista canadense gravou álbuns antológicos como "Everybody Knows This Is Nowhere", "Harvest", "After The Gold Rush", "Zuma", "Rust Never Sleeps", "Re-Actor", "Freedom" etc., tocou com bandas como Buffalo Springfield, CSN&Y, Stray Gators, The Band, Crazy Horse e Pearl Jam, influenciou músicos de country rock e do movimento grunge, flertou com o eletrônico e ainda foi injustiçado numa premiação do Oscar...

Para começar, que tal um disco duplo ao vivo, acompanhado pelo Crazy Horse, sua melhor banda de apoio? Com o "auxílio luxuoso" de Frank Sampedro (guitarra e teclados), Billy Talbot (baixo) e Ralph Molina (bateria), Neil Young registrou sua antológica turnê de 1978 para divulgar o disco "Rust Never Sleeps", complementada por algumas músicas de sua – já na época – impressionante carreira.
Para começar, apenas Young, seu violão de 12 cordas e uma gaita. A seqüência acústica inicial é linda e agridoce, emendando "Sugar Mountain", "I’m A Child" (um libelo anti-racista) e "Comes A Time". Ainda no mesmo espírito, senta-se ao piano para a comovente interpretação de "After The Gold Rush", com um sentido solo de gaita; para finalizar esta parte do show, ele larga o teclado, se dirige ao público, enquanto pega seu violão Martin de 6 cordas, e toca a primeira versão no show de seu hino ao rock‘n’roll, "My My, Hey Hey (Out Of The Blue)".
A partir daí, a eletricidade explode. Acompanhado pelo Crazy Horse, seguem-se "When You Dance I Can Really Love" e "The Loner".
Os ruídos de uma tempestade que se aproxima e pedidos de pensamento positivo para afastar a chuva, tirados do primeiro Festival de Woodstock, servem de introdução para a música seguinte. É a segunda versão registrada ao vivo (foram pelo menos três em seus discos até agora) de "The Needle And The Damage Done", onde o autor lamenta pelo estrago que as drogas fizeram com alguns de seus amigos e conhecidos, principalmente Bruce Berry, que foi sua inspiração. Tristemente embalada pelo violão de Neil Young, não há como não se comover ouvindo versos como "every junky is like a setting sun...". O clima se torna mais leve com a balada "Lotta Love", sucesso de seu disco "Comes A Time", onde, acompanhado pelo Crazy Horse, destacam-se o som do piano e o vocal mais suave para justificar versos como "it’s gonna take a lotta love to change the way things are".
Mas nós estamos falando de Neil Young. E Neil Young, mais que um cantor e compositor de primeira linha, é um guitarrista. Numa das fotos do show vê-se, presa à correia de sua Gibson preta, um botton com a foto de Jimi Hendrix, e ele presta homenagem ao seu guru: é hora de detonar! A distorção come solta, sem se importar se é um rock ou uma balada o que vem pela frente. "Sedan Delivery", "Powderfinger" e "Cortez The Killer" vem de enfiada. O público dá uma respirada mas, antes que possa recuperar o fôlego, ouve a antológica "Cinnamon Girl" e, com a guitarra uivando de tanta microfonia, os acordes de introdução para um dos pontos altos do programa, "Like A Hurricane".
Hora de encerrar. Agora em sua versão elétrica, a mesma música com outro nome, "Hey Hey, My My (Into The Black)" e, servindo de licor para esse banquete musical, uma versão de mais de sete minutos de "Tonight’s The Night".
Uma dúvida fica no ar: como um disco tão atual pode ter mais de 20 anos? A resposta só pode ser uma: é um disco de Neil Young.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Bono e The Edge explicam o que mantém o U2 unido há 50 anos
O gênero musical que Slash considera mais vibrante que o rock atualmente
A canção de dois adolescentes que impediu "Bohemian Rhapsody" de chegar ao topo das paradas
Nicko McBrain reconhece que Iron Maiden foi injusto com Blaze Bayley
A música que Ian Gillan considera a melhor de sua carreira, acima dos clássicos do Deep Purple
Os graves erros que Mick Mars cometia no palco do Motley Crue, segundo Tommy Lee
A música que Jon Bon Jovi nunca cantaria, segundo Desmond Child
Zakk Wylde lembra breve período como guitarrista do Guns N' Roses
A melhor música dos Rolling Stones, segundo a Paste Magazine
Angra reúne Kiko, Falaschi e Akira Takasaki, do Loudness, em apresentação de "Burn", do Purple
A banda de metal que Gene Simmons dizia que iria tomar o lugar do Kiss
O guitarrista que Angus Young considera o mais superestimado do rock
O motivo que enterrou os planos do Sonata Arctica para os 30 anos de carreira
As últimas músicas tocadas por 15 bandas de rock e metal que não fazem mais shows
Nicko McBrain revela que indicou Aquiles Priester para seu lugar no Iron Maiden

A banda liderada por uma mulher que Neil Young considera uma das maiores da história
12 bandas que já adiaram ou cancelaram shows por motivo de saúde em 2026
Neil Young escolhe os três maiores compositores de todos os tempos


