Resenha - Dark Side Of The Moon - Pink FLoyd
Por Daniel Mendonça
Postado em 18 de abril de 2003
Um grande espetáculo nos céus. Cores e luzes que olhos sóbrios não conseguem enxergar. Vozes que a audição ainda não aprendeu a ouvir. O lado escuro da lua, onde, até hoje, só a insanidade conseguiu alcançar. A voz desesperada que ecoa nos céus e que se faz ouvir sempre que o chamado da loucura nos abre os ouvidos. Uma viagem sem volta para um mundo onde moram todas as nossas angústias.
É dentro deste cenário psicótico-surreal que quatro rapazes ingleses, entre meados de 72 e 73, criaram a obra fundamental do rock, "dark side of the moon". E numa projeção bastante otimista, dificilmente, nos próximos 150 anos, aparecerá algo comparável ao que Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason gravaram há três décadas.
A qualidade da produção (que, mesmo com toda a tecnologia atual é difícil de ser igualada), a beleza dos timbres e arranjos, o lirismo provocador de Roger Waters, a sobreposição de efeitos nas músicas, não são o que mais impressionam na obra-prima do Pink Floyd. O grande diferencial é a unidade perfeita, a relação que os temas tem uns aos outros. É como se fosse uma só canção dividida em 9 partes e que representam um ciclo, que pode ser o ciclo da existência humana (o disco começa e termina com sons de batimentos cardíacos). Quando o disco começa vão aparecendo os temas que certamente habitam nosso imaginário durante a vida.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
"Breathe" representa a passagem para o estado de consciência ("olhe em volta e encontre o seu espaço"), um mundo novo que se abre em nossa frente. "Time", um dos grandes clássicos aqui contidos, trata do tempo ora sob uma visão anarquista de, por exemplo, David Henry Thoureau ora sob as efígies do carpe diem: "cada ano se torna mais curto / sem nunca parecer encontrar o tempo / planos que ou não chegam a nada / ou viram uma meia-página de linhas rabiscadas".
"The Great Gig In The Sky", uma das poucas músicas de Wright na banda, é sem dúvida, o momento mais intenso. Em apenas 4 minutos, a voz da cantora Clare Torry, sem cantar palavras, mas sons, leva o ouvinte a uma atmosfera inimaginável onde a beleza, a loucura, a ternura e o desespero, caminham lado a lado numa viagem única e dilacerante ao lugar mais profundo de nossas almas.
Em "Money", Waters cria a mais sarcástica letra sobre ambição e dinheiro jamais feita ("Dinheiro, é um crime/ divida-o igualmente, mas não tire um pedaço da minha torta"). E logo depois, um dos momentos mais belos do álbum: "Us and them", uma singela composição sobre solidão, isolamento e as diferenças entre pessoas. Tudo que pode resultar em cegas batalhas.Waters comparece com versos de rara inspiração ("Nós e eles / e acima de tudo / somos apenas homens ordinários / Eu e você / apenas Deus sabe / que não é o que escolheríamos fazer") para outra contribuição musical de Wright.
Os versos caóticos de "Brain Damage / Eclipse" completam a viagem aos nossos "cérebros danificados". A letra parte para o apocalipse que inicia um novo ciclo, onde a insanidade é a única saída para nossas desilusões ("você tranca a porta / e joga a chave fora / existe alguém dentro da minha mente / e não sou eu (...) E se a nuvem explode / como um furacão em seus ouvidos / você grita e ninguém parece ouvir"), e finaliza, brilhantemente, "tudo debaixo do sol está em sintonia / porém, o sol está sob a eclipse da lua".
Passaram-se dez, vinte, trinta anos e "Dark Side Of The Moon" continua arrebatando admiradores ao redor do mundo. Ele, que ficou 14 anos (!!!) nas paradas da billboard e ainda vende às centenas de milhares todos os anos, dificilmente (para nossa sorte) saíra de catálogo. E, de fato, depois de fevereiro de 1973, o mundo da música nunca mais voltaria a ser o mesmo...
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