O álbum que David Gilmour vê como uma continuação de "The Dark Side of the Moon"
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de dezembro de 2025
Aos 79 anos, David Gilmour segue tão inquieto quanto nos tempos de Pink Floyd. Em 2024, o guitarrista lançou "Luck and Strange", seu primeiro álbum solo desde "Rattle That Lock" (2015), e, segundo declarou, trata-se de sua obra mais forte desde o clássico absoluto da banda, "The Dark Side of the Moon". A afirmação foi dada à Classic Rock e repercutida pela jornalista Gaia Neiman, que destacou como Gilmour enxerga nesse trabalho uma espécie de reencontro espiritual com o auge criativo de sua antiga banda (via Far Out).

Neiman resumiu o sentimento do músico ao afirmar que ele vê no álbum "um corpo sólido e coeso de trabalho". Gilmour explicou: "É a coesão do todo - a escrita, o trabalho, o entusiasmo que ainda sinto ao ouvir tudo como um álbum." Ele acrescentou que "Luck and Strange" o empolga de uma forma que o faz revisitar comparações com "Dark Side": "Há uma consistência de pensamento e sentimento que me entusiasma e me leva a fazer esse tipo de comparação."
A produção de Charlie Andrew - conhecido por seu trabalho com o Alt-J - empurrou Gilmour para novos territórios criativos. O britânico admitiu que trabalhar com Andrew representou uma libertação, citando sua disposição em aceitar caminhos diferentes: "Minha aceitação do que ele estava me mostrando ajudou a mover tudo para uma direção diferente que me pareceu uma libertação."
A jornalista Gaia Neiman enfatiza que, apesar das diferenças sonoras, a atmosfera existencialista do álbum remete à que consagrou Pink Floyd. Assim como "Dark Side", "Luck and Strange" mergulha nas grandes questões humanas, envolto em paisagens sonoras expansivas e contemplativas. Até mesmo um velho aliado marca presença: o baixista Guy Pratt, que inclui discretos "presentes" para os fãs de Pink Floyd ao longo do disco.
O aspecto pessoal também atravessa fortemente a obra. Gilmour trabalhou ao lado de seus filhos mais novos, o que trouxe uma dimensão íntima e calorosa às letras. Ele próprio reconhece que essa fase de vida alterou sua forma de criar: "Antes havia muito pensamento sobre carreira e o desejo de alcançar sucesso. Isso se tornou algo mais calmo e menos ambicioso nos meus anos mais tarde."
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