Resenha - Mondo Bizarro - Ramones
Por Rafael Carnovale
Postado em 14 de abril de 2003
Acusam o Ramones de fazer sempre o mesmo disco, a mesma música, só que com pequenas modificações para que "soe diferente". Pode até ser, mas então porque o quarteto norte-americano é tão cultuado, porque fez mais de 2000 shows em 24 anos de carreira? Com a mesma música não seria possível. O segredo estava na energia e na competência do grupo. Com três acordes e muita força, a banda sempre pariu discos de altíssimo nível, alternando momentos mais agressivos com momentos mais "melódicos" o que lhes valeu a alcunha de comerciais, principalmente após lançarem em 1989 "Brain Drain" com o super-sucesso "Pet Sematery".

Anos se passaram, o baixista Dee Dee Ramone saiu e a banda se reuniu para tentar juntar os cacos de tal perda (Dee Dee era peça vital na composição do grupo). CJ, um baixista então desconhecido, foi contratado para ser o novo responsável pelo posto que era de Dee Dee, uma sra. responsabilidade. Disto saiu um disco ao vivo gravado na Espanha,"Loco Live". A fúria ramônica ressurgia!
"Mondo Bizarro" foi a transposição da fúria de um Ramones rejuvenescido para o estúdio. "Censorshit" já ditava o tom ácido do disco, com críticas à censura norte-americana. Dee Dee ajudaria a banda, contribuindo com o sucesso "Poison Heart" (a música mais comercial do disco, que seria parte da trilha do filme Pet Sematery 2) e com as excelente "Strenght to Endure" e a mais que punk-rock "Main Man". Marky Ramone se mostrava um compositor de mão cheia, emplacando duas músicas ramônicas com muito estilo: a pesadíssima "The Job that Ate my Brain" e a hardcore "Anxiety".
Mas este disco tinha um condutor mestre: Joey Ramone. Foram deles as músicas mais furiosas e mais cativantes, como "It’s Gonna Be Alright" (um agradecimento aos fãs da banda por todo o apoio) e pérolas como "Cabbies on Crack" (uma história real aonde Joey quase morreu nas mãos de um taxista maluco), que continha um solo endiabrado, cortesia de Vernon Reid (Living Colour).
Merecem destaque ainda a belíssima "Touring", que misturava trechos de "Rockaway Beach" e "Rock and Roll High School" com toques de surf-music, e a irmã de "Sheena is a Punk Rock", "Heidi is a Headcase", além do cover furiosíssimo de "Take as it Comes" do The Doors. CJ se mostrava um belíssimo cantor, além de um bom baixista, e a banda acertou a mão em cheio neste disco.
Hoje, ouvindo este petardo, resta um pouco de tristeza e alegria. Alegria, porque os Ramones nunca se venderam e sempre acreditaram no ideal Punk, e tristeza, porque Joey e Dee Dee se foram, e momentos como este só se repetirão em nossas mentes.
Lançado em 1992 pela Radioactive Records.
Outras resenhas de Mondo Bizarro - Ramones
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música do Led Zeppelin de todos os tempos, segundo Ozzy Osbourne
Por que "Wasted Years" é a pior faixa de "Somewhere in Time", segundo o Heavy Consequence
A música do Iron Maiden que "deveria ter sido extinta", segundo o Heavy Consequence
A banda brasileira que sempre impressiona o baixista Mike LePond, do Symphony X
Tony Dolan não se incomoda com a existência de três versões do Venom atualmente
A música do Rainbow que Ritchie Blackmore chama de "a definitiva" da banda
Líder do Arch Enemy já disse que banda com membros de vários países é "pior ideia"
BMTH e Amy Lee - "Era pra dar briga e deu parceria"
O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
Hulk Hogan - O lutador que tentou entrar para o Metallica e para os Rolling Stones
Brad Arnold, vocalista do 3 Doors Down, morre aos 47 anos
O álbum que é para quem tem capacidade cognitiva de ouvir até o fim, segundo Regis Tadeu
Morre Greg Brown, guitarrista e membro fundador do Cake
O que Max Cavalera deveria levar para tratar na terapia, segundo Andreas Kisser
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
O megahit do RPM que todos pensam ser sobre amor e não é, segundo Paulo Ricardo
Heavy Metal: os vinte melhores álbuns da década de 80
Regis Tadeu e o cantor que é "antítese do popstar" e fez mais sucesso solo que em banda


Viúva de Johnny passa a ter controle total sobre negócios do Ramones
A banda punk que Billy Corgan disse ser "maior que os Ramones"
Cinco músicos ligados ao punk que eram "treinados demais" pro clichê dos três acordes
Os "primeiros punks" segundo Joey Ramone não são quem você imagina
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias



