Ramones: "Mondo Bizarro", um clássico dos anos 90
Resenha - Mondo Bizarro - Ramones
Por Mateus Ribeiro
Postado em 15 de setembro de 2017
Quem viveu os anos 90 jamais esquece essa década. Em inúmeros aspectos, os últimos dez anos do século passado foram marcantes para quem os vivenciou. No meu caso, os anos 90 me pegaram pela música. Por volta de 1996 comecei a me interessar por Heavy Metal, ouvindo escondido discos de vinil da coleção do meu irmão mais velho.
Dentre esses discos, um me chamava muito a atenção: "Mondo Bizarro", dos RAMONES. A capa, que combina bastante com o nome do disco, me deixava curioso. Para completar, na época, assistia bastante o clipe de "Poison Heart", carro chefe do disco.
Pois bem, passados os anos, resolvi adquirir uma cópia em CD de "Mondo Bizarro". Já conhecia grande parte da discografia da banda, e logo na primeira audição, fiquei chocado. A banda manteve a simplicidade em suas composições, mas tudo estava amadurecido. Sem contar que a entrada de CJ, integrante mais jovem da banda, deu um gás gigantesco para a banda.
Um dos discos mais enérgicos da banda, "Mondo Bizarro" mantém um padrão de qualidade do começo ao fim. "Censorshit" abre o disco com maestria."The Job That Ate My Brain", com seu tom ácido, segura bem o pique. "Poison Heart" (amada e odiada por muitos) , a maravilhosa "Anxiety" e "Strength To Endure" (um dos melhores trabalhos de CJ como vocalista) formam uma sequência matadora. "It´s Gonna Be Alright" é uma baita homenagem aos fãs da banda, e chega a ser emocionante em alguns momentos. A primeira parte do disco é rápida, mas um caminhão de emoções.
A segunda metade se inicia com um cover, "Take Is As It Comes". Uma versão um tanto quanto tensa para o clássico do Doors. Quebra um pouco o ritmo, mas prende a atenção. "Main Man", outro trabalho sensacional de CJ nos vocais, apesar de um pouco mais "cadenciada", é uma típica música lado b da banda que funcionaria muito bem ao vivo. "Tomorrow She Goes Away" poderia estar em qualquer disco da banda: rápida, e sua letra fala sobre amor. A próxima, "I won´t Let It Happen", cumpre a missão de ser a balada do disco. Um dos poucos pontos fracos do disco, mas também não é nada comprometedora. "Cabbies on Crack' retoma o pique, com uma melodia um tanto quanto pegajosa, e uma letra de certa forma polêmica. Vale lembrar que a música conta com um mino solo, que chega a lembrar Heavy Metal. "Heidi Is a Headcase" é uma das melhores músicas alternativas da banda, e prepara o ouvinte para o final arrebatador. "Touring" encerra o disco da maneira mais animada possível, como deve ser um disco dos RAMONES. Falando sobre a loucura que é viver em turnê, a música acaba e faz o ouvinte dar o play novamente no álbum.
Ao menos na minha opinião, "Mondo Bizarro" é o ápice dos RAMONES. Um disco quase perfeito, bem produzido, empolgante e com a essência "Ramônica". Desde as pedradas até as músicas mais calmas, tudo o que o fã dos rapazes de Nova York tanto admira está presente nesta obra prima dos anos 90.
Além de Marky dar uma aula na bateria, CJ se mostrou um ótimo substituto para a lenda Dee Dee Ramone. Junto de "Animal Boy" e "Road To Ruin", é o meu preferido da banda.
Uma pena que a banda duraria apenas mais quatro anos, e que seus integrantes sempre estivessem envolvidos em alguma polêmica interna. De qualquer maneira, "Mondo Bizarro" , apesar de pouco lembrado, fica ao lado de "Nevermind", "Ten", "Metallica", e tantos outros discos lançados no início da década de 90. Não deve nada para nenhum desses lançamentos aclamados. Porém, talvez, por ter um número imenso de discos espetaculares, o décimo segundo disco dos RAMONES não seja uma referência para os fãs. Para alguns, é bom que se diga. Para este que vos escreveu, é um dos maiores discos dos anos 90.
GABBA GABBA HEY!
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