Resenha - Rock In Rio - Iron Maiden

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Por André Toral
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Nota: 7


Resenhar "Rock in Rio" é uma tarefa muito interessante, pois é como se tivéssemos a missão de comentar o próprio show ocorrido no dia 19 de janeiro de 2001. Após uma longa espera, e inclusive adiamento na data de lançamento, "Rock in Rio" saiu e... Bem, façamos algumas considerações.

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Que o Iron Maiden, desde "Fear of the Dark", vem decaindo em sua curva de inspiração musical, muitos concordam. Basta comparar o período em questão com o que a banda era antigamente. Após a saída de Bruce, tivemos boas músicas compostas com Blaze, e, por mais que a maioria não concorde, X Factor foi um bom álbum, pelo menos na opinião de Steve Harris, que o considera entre os melhores do Maiden. Porém, Virtual XI foi crítico, embora tenha lá seus momentos interessantes.

Aí voltaram à banda Bruce Dickinson e Adrian Smith, e todos pensaram: "agora o Maiden vai arrebentar!". Não arrebentou. "Brave New World" é um álbum que traz músicas com muitas influências dos dois álbuns anteriores, especialmente X Factor; algumas músicas parecem sobras de estúdio, embora "Ghost of the Navigator" seja muito próxima a "Seventh Son of a Seventh Son". Assim, é difícil crer que Bruce Dickinson esteja feliz com "Brave New World", considerando-se que o mesmo disse que iria compor o melhor álbum da banda. E quem mandou em tudo como sempre? Steve Harris. E Steve deve estar tendo algum problema muito sério para não permitir aos demais efetuarem suas opiniões. Note que desde "Fear of the Dark" a banda vem seguindo um direcionamento semelhante, especialmente no que diz respeito a introduções, dedilhados, etc. E qual o mal de o Iron Maiden olhar para o passado e dizer: "vamos fazer um álbum inspirado em The Number..., Powerslave e Piece of Mind?". Tanta banda usa desta sinceridade! E isso acaba mostrando respeito a uma determinada fase muito festejada entre os fãs. Agora, beber na fonte da falta de inspiração não dá.

Voltando ao "Rock in Rio", pode-se imaginar o que este represente após todo este discurso. Temos seis músicas de Brave New World. Para que isso tudo? Aliás, recordem-se que a banda já tocou sete músicas do Virtual XI ao vivo. Até parece que os fãs dão preferência a material inédito em um show.

O fato é que o CD começa a rolar e, após uma introdução, temos a energética "The Wicker Man", que, sem sombra de dúvida, se estabeleceu no hall dos clássicos maidenianos. Interessante notar que existem traços de overdubs (colagem de estúdio) no refrão da música, mas que agitou o público, agitou!

Em "The Ghost of the Navigator" somos abençoados pelo clima "Seventh Son...", sendo que a sonoridade da canção, ao vivo, ficou muito potente. E na continuação temos "Brave New World", a qual tem melhor desempenho em estúdio, pois Nicko utilizou uma bateria menos densa. A esta altura, temos o primeiro clássico antigo, "Wrathchild", com desempenho razoável. Na verdade, isso se deve aos abusos do pedal duplo de Nicko e, em algumas partes, às guitarras meio emboladas.

E salve!!! "Two Minutes to Midnight"! Talvez muitos não repararão nisso, mas Nicko encheu a música de viradas e ritmos de bateria diferentes, além de haver utilizado pedais duplos demasiadamente em alguns momentos. A questão é que nada é melhor que ouvir "Two Minutes to Midnight" no "Live After Death". Logo em seguida, o clima se ameniza com "Blood Brothers", uma canção idêntica ao material de "X Factor" e que poderia muito bem ser substituída por algum clássico antigo do Maiden, embora tenha contado com participação efetiva da platéia no seu refrão.

Retornando aos tempos de Blaze, podemos ouvir o desempenho de Bruce ao interpretar "Sign of the Cross", que é uma canção belíssima e melodiosa, a qual pode-se aproximar de "Rime of the Ancient Mariner". E para falar sério, esta música foi feita para a voz do Bruce. Somente penso que, se o intuito era incendiar a galera, deveriam ter tocado "Man on the Edge", que é uma porrada das mais agitadas que a banda já fez.

Retornando ao "Brave New World", temos o peso de "The Mercenary", que seria muito interessante caso não tivesse um refrão tão repetitivo, daqueles que qualquer um se cansa de ouvir logo na primeira vez; deveriam ter aproveitado para inserirem no set list outro clássico antigo. E por falar em clássico, somos brindados com "The Trooper", a qual teve uma participação fenomenal da galera; realmente um momento fortíssimo do show no Rock in Rio. Que energia! Mas há um defeito grave aqui: no primeiro solo da música, onde duas guitarras o tocam simultaneamente, uma das guitarras não acompanha a outra, considerando que as notas são as mesmas! Muito estranho.

Finalizado o primeiro CD (o material é duplo), espera-se que o segundo traga os tão amados clássicos antigos. E assim é. Iniciando, temos a belíssima "Dream of Mirrors", mesclando melodia, peso e partes bem melancólicas; perfeita. O fato é que ao vivo seu resultado é tão impressionante quanto no estúdio, e a platéia participativa comprova isso. Logo em seguida, somos remetidos ao tempos de "Virtual IX" com "The Clansman", música que foi feita sob medida para ser tocada em situações ao vivo. A única observação é que Blaze tem melhor desempenho que Bruce no refrão. Bem, talvez fosse mais interessante substituí-la por outra música mais conhecida, mas... pulamos para "The Evil Thath Men Do", uma canção um tanto desgastada pelo tempo, mas que mesmo assim continua a agitar os fãs. E para comprovar que o Iron foi muito criativo, mesmo numa fase desgastada envolvendo Bruce, temos "Fear of the Dark", cantada em uníssono por todos os presentes. Além disso, todos os músicos estão de parabéns por haverem despejado energia suficiente para enlouquecer a todos! Somente opino que seria mais interessante se Nicko deixasse de fazer na bateria o que não se necessita.

"Iron Maiden" (a música) bota fogo em qualquer ambiente, e no show do Rock in Rio não foi diferente, embora hajam sons embolados de guitarras. "The Number of The Beast" continua a ser indispensável em shows, tanto que a platéia se esgoela para cantar cada palavra! E por falar nisso, "Hallowed Be Thy Name" também emociona os corações metálicos por ser simplesmente sobrenatural. A denominação "clássico" é muito pouco para algo desta grandeza. Por pouco "Sanctuary" não fica igualzinha a estúdio, pois o riff de guitarra lembra bastante o timbre do mesmo no início dos anos 80; dá-lhe punk!

Fechando o tão esperado "Rock in Rio", temos "Run to the Hills", descarregando toneladas de peso no público, que reagiu extremamente eufórico. Ah, para quem não sabe, os teclados ao vivo são tocados por Michael Kenney, aquele desde os tempos de "Seventh Son...", que esteve no Rio de Janeiro, por trás do palco.

No fim de cada CD temos faixas enhanced, multimída, as quais são uma prévia do DVD que a banda soltará em breve do show no Rock in Rio.

Enfim, cabem algumas considerações finais de aspectos gerais do CD. Vamos a eles:

Bruce Dickinson: nunca conseguiu ter o mesmo desempenho de estúdio ao vivo no que diz respeito aos seus agudos que influenciaram toda uma geração de vocalistas no mundo, mas ainda continua cantando bem. Sua tonalidade de voz atual é bem grave, e Bruce mantém um controle bem firme quanto a isso. Vale lembrar que no palco do Rock in Rio, o vocalista corria de um lado a outro, e isso explica alguns momentos onde o mesmo baixou o tom em notas mais altas.

Três guitarras: será necessário que a banda tome muito cuidado ao planejar as partes de cada guitarrista em um show, pois em muitos momentos do álbum tem-se a impressão de que os sons estão embolados. Estão mesmo! Dave Murray continua sendo o gênio que segura a maior parte de solos, enquanto Adrian Smith tem pouca participação neste quesito; Janick Gers acaba participando mais.

Steve Harris: como baixista é excepcional. Não há nada que discutir!

Nicko: não há uma música em que o baterista não insira viradas e pedais duplos desnecessários, principalmente nos clássicos antigos. Há de se rever isso.

Produção: a produção feita por Kevin Shirley ficou muito boa, mesmo. Ainda bem que Steve Harris foi co-produtor, pois como produtor foi um desastre em registros como "Live in Donnington", "A Real Live One" e "A Real Dead One".

Ilustrações: o encarte traz umas fotos legais, porém não havia porque inserir a letras das músicas, pois quem não as conhece? Ao invés disso, poderiam ter aproveitado o espaço com mais fotos. A capa também é bem legal e, em versão limitada, existe uma capa em 3D bem interessante.

O fato é que "Rock in Rio", em comparação a demais registros ao vivo da banda, fica bem abaixo do esperado em termos de set-list. Até mesmo o "Live in Donnington" traz um repertório excelente; infelizmente foi ofuscado pela produção pífia de Steve Harris. Assim, "Live After Death" continua a ser o play ao vivo de maior grandeza do Iron, assim como a participação da banda no Rock in Rio I fica bem acima do presenciado no Rock in Rio III. Não quer dizer que não compense comprar o CD "Rock in Rio", especialmente se os caros leitores forem tão fãs quanto eu, mas é difícil deixar de dizer a verdade: o Maiden necessita urgentemente retornar às raízes! E se preparem, pois o investimento no CD se aproxima de R$ 50,00!

Para finalizar, agora é escutar e tirar suas próprias conclusões! Divirtam-se e Up the Irons!


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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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