Jane's Addiction: "Chris Cornell tinha a voz dos anjos"
Por Brunelson T.
Fonte: Rock in The Head
Postado em 01 de setembro de 2017
O vocalista e guitarrista do JANE’S ADDICTION, Perry Farrell e Dave Navarro, renderam homenagens a Chris Cornell em uma nova entrevista para o site Alternative Nation. Segue alguns trechos:
Perry Farrell: "Chris Cornell falou sobre a sua vida, provações, tribulações, agonias e êxtases. Precisamos de pessoas assim, precisamos de heróis, músicos e vocalistas para serem os nossos mensageiros".
Perry: "Ele era realmente uma pessoa muito gentil e foi assim que ele tirava a sua angústia: cantando. Ele ficava na frente do microfone e percebia que era hora de abrir a sua alma, e isso foi realmente uma coisa incrível de se testemunhar".
Perry: "Foi um mundo muito especial de onde surgimos, onde as coisas eram muito difíceis ao nosso redor. O que foi ótimo e grande sobre toda esta situação, era que estávamos escrevendo músicas sobre as nossas vidas e a nossa vida estava meio fudida, mas também foi ótimo e emocionante".
Perry: "É bom gritar sobre alguma coisa. Pode ser até sobre uma coisa negativa, mas é apenas uma maneira de tirar algo do seu peito, então você se sente melhor depois disso".
Perry: "Nos primeiros anos de banda era tudo o que você gostaria de um grupo: o SOUNDGARDEN era selvagem e eles não estavam ‘domesticados’. Eles eram perigosos, resignados e estavam dispostos a lhe bater uma grande quantidade de dor se você abrisse os seus ouvidos para aquilo. Eles também não se importavam, só queriam deixar você ter e sentir tudo aquilo - e eu gosto disso".
Perry: "Eles atingiram uma certa altura como banda quando lançaram o 4º álbum de estúdio em 1994, ‘Superunknown’, em questão de composição e melodicamente falando - especialmente na canção 'Black Hole Sun'. Ele deixou uma música que o mundo inteiro irá se lembrar e agora o mundo inteiro tem uma música para os seus corações... E isso é tudo o que você pode pedir como músico para a sua vida".
Dave Navarro: "Historicamente, se você olhar através dos tempos os artistas em geral são criaturas muito vulneráveis. Chris foi capaz de convocar os anjos e ele também foi capaz de convocar os demônios dentro da mesma música, com o mesmo instrumento. O alcance da emoção que ele tinha nunca foi paralelo a nenhum outro músico".
Dave: "É estranho falar sobre o avanço do seu legado, já que estamos todos muito traumatizados por isso... Perdemos um dos grandes e perdemos um dos melhores que já houve".
Dave: "Chris era uma pessoa bem camarada e tinha a voz dos anjos. Ele era vulnerável, introvertido e intenso ao mesmo tempo, e acho que isso ressoou nas pessoas".
Dave: "Como músico, Chris estava vindo de outra dimensão... Muitos dos materiais do SOUNDGARDEN foram criados em tempos e melodias muito estranhas. O que ele estava fazendo vocalmente tendia a endireitar estas estranhas assinaturas de tempo e ele conseguiu ‘enganar’ a platéia para pensarem que era um padrão normal - porque fazia sentido para nós. Agora, a sua atenção se foi sobre o que estava acontecendo com a sua paixão, o que estava acontecendo nas suas letras e o que estava acontecendo com a sua voz. O seu timbre vocal foi um presente de Deus, uma voz dada por Deus".
Dave: "Escutei o SOUNDGARDEN pela 1ª vez quando estava dirigindo o meu carro em Hollywood. Um amigo meu tinha uma fita cassete e ele havia me dito: ‘Cara, coloque essa fita para tocar e escute a música ‘Hands All Over’ (lançada no 2º álbum de estúdio do SOUNDGARDEN em 1989, ‘Louder Than Love’). Eu só me lembro de ter sido atingido por aquela canção, sabe? A levada era implacável, repetitiva e hipnótica. Sonicamente era bem diferente de qualquer coisa que já tinha escutado antes e então, Chris Cornell entra com o seu vocal..."
Confira o vídeo clipe da música "Hands All Over":
Morte de Chris Cornell
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