Quando Chris Cornell temeu que o Soundgarden fosse comparado com Black Sabbath ou Led Zeppelin
Por Bruce William
Postado em 05 de fevereiro de 2026
Seattle virou sinônimo de anos 90, mas a conversa do Chris Cornell é sobre o clima antes do estouro, quando o Soundgarden ainda estava tentando entender onde se encaixava, e onde não queria se encaixar. Nesse ambiente, certas referências podiam virar motivo de cara torta, mesmo quando a banda estava só tocando o que gostava.
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Falando sobre uma música bem do começo, "Incessant Mace", Cornell contou que a faixa tinha um pé no blues, era lenta, e tinha um vocal/letra com uma pegada mais "gótica europeia". Só que, segundo ele, a leitura em Seattle era outra: por serem americanos e por causa das influências de infância, aquilo soava para muita gente como Black Sabbath ou Led Zeppelin - e aí vinha a rejeição.
A fala dele diz o seguinte: "A gente escreveu uma música chamada 'Incessant Mace' bem cedo, que soava baseada no blues. Era bem lenta. Liricamente e vocalmente, era muito gótica europeia. Mas eu acho que, por sermos americanos e por causa das nossas influências quando crianças, soava para as pessoas mais como Sabbath ou Zeppelin, e as pessoas odiavam. Essa foi a primeira reação, na verdade: que aquilo era a coisa mais 'uncool' que alguém podia fazer naquele ponto da música, naquela cidade. Aquilo foi um ponto de virada na nossa carreira como banda. Porque a gente podia tocar qualquer coisa atonal, pós-punk, ridícula, esquisita, e todo mundo achava ótimo."
O detalhe interessante aqui é como essa "patrulha" funcionava: o que era torto, estranho, barulhento e pós-punk passava; o que lembrava demais o rock setentista mais clássico levantava a sobrancelha. É o tipo de coisa que explica por que muita banda daquela cena ficou obcecada em não ser confundida com o que estava estourado no mainstream na época.
E aí entra o contexto de uma faixa como "Big Dumb Sex", do "Louder Than Love" (1989). Mesmo sem a gente precisar transformar isso numa aula sobre "gêneros", dá pra ler a música como um recado de identidade: "não confunde a gente com esse pacote aí". A frase de Cornell serve como fotografia de um tempo e de um lugar: uma cena com regras próprias, e uma banda jovem descobrindo, na prática, o que ganhava aplauso e o que fazia o povo cruzar os braços.
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