Para entender: o que é rock progressivo?

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
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Nascido na Inglaterra entre o final dos anos 1960 e o início da década de 1970, o rock progressivo surgiu do desejo de algumas bandas em ir além do formato padrão do rock e da música pop, em uma tentativa de elevar o gênero a níveis mais altos de credibilidade artística.

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Para tanto, as bandas progressivas buscaram ir além do que era feito até então, rompendo os limites técnicos e de composição habituais ao rock, criando canções mais longas (em contraste com o padrão single, entre 3 e 4 minutos) que fugiam do popular esquema estrofe-refrão-outra estrofe-repete o refrão. Para alcançar tal objetivo, muitas vezes os arranjos incluíam elementos e estruturas extraídos ou inspirados em outros estilos como a música clássica, o jazz e a world music.

Há algumas características marcantes e bastante fortes no estilo, que ajudam a definir de uma maneira clara o rock progressivo. A já citada busca por algo além do formato padrão do pop trouxe canções com duração mais longa, com trechos instrumentais estendidos, interlúdios musicais e contrastes entre um movimento e outro. Inspirando-se em um recurso comum à música clássica, muitas vezes ouvimos longas suítes em álbuns de prog, canções que se desenvolvem e evoluem em camadas crescentes até atingir o ápice. A improvisação é um elemento importante, agregando mais possibilidades além dos solos tradicionais. Tudo isso leva a composições que, não raro, ultrapassam os 20 minutos de duração.

Mantendo a coerência, os artistas progressivos inseriram instrumentos que foram além dos tradicionais guitarra, baixo, teclado e bateria habituais ao rock. Instrumentos como flauta, saxofone, violino, sintetizadores, efeitos e colagens eletrônicas ampliaram o leque de timbres disponíveis, deixando a música naturalmente mais rica. Dois desses instrumentos, o moog e o mellotron, tornaram-se intimamente associados ao prog, com suas sonoridades características transformando-se quase em sinônimos do estilo.

Em relação ao ritmo, a exploração de possibilidades além do tradicional 4/4 é onipresente. Novas possibilidades de andamento e mudanças na dinâmica das canções, além de uma liberdade maior na abordagem rítmica, refletem isso. O mesmo raciocínio vale quando analisamos as harmonias e as melodias presentes nos discos progressivos, que soam muito mais elaboradas e complexas do que o pop e rock comuns e trazem influências do jazz e do clássico. O desenvolvimento de passagens tendo como ponto de partida estruturas modais, assim como experimentações com harmonias atonais e dissonantes, são ingredientes marcantes.

Talvez a característica mais forte do rock progressivo seja a popularização da abordagem conceitual. Um disco contando uma única história, dividida em várias faixas que se desenvolvem de maneira contínua. Álbuns como "The Wall", por exemplo, tem a sua força e impacto muito maiores quando digeridos e entendidos pelo conjunto de suas canções e não apenas por uma ou outra faixa isolada. Essa ideia se reflete também nas artes dos discos, e exemplos de bandas que desenvolveram uma identidade visual marcante são fartos. A colaboração entre o Yes e o ilustrador Roger Dean produziu artes impactantes que deram uma cara para a intrincada musicalidade da banda inglesa, enquanto a associação do Pink Floyd com o estúdio Hipnosis transformou em imagens repletas de surrealismo a sonoridade singular do quarteto liderado por Roger Waters e David Gilmour.

Outro ponto essencial do prog foi a transposição dos temas das canções e dos discos para o palco, com a inclusão de cenários grandiosos, figurinos e performances teatrais nos shows, buscando oferecer uma experiência sensorial completa. O Genesis foi um dos exemplos mais influentes disso, com Peter Gabriel assumindo diferentes personas a cada turnê. O mesmo vale para o aparato de palco do Pink Floyd, que elevou o padrão dos concertos a um nível até então inédito com seus porcos infláveis, aviões voadores e muros enormes.

O rock progressivo alcançou o seu auge criativo e de popularidade durante a década de 1970, através de bandas como Pink Floyd, Yes, King Crimson, Genesis, ELP, Yes, Jethro Tull e Gentle Giant. O gênero seguiu vivo nas décadas seguintes, com novos nomes renovando o estilo em cada década.

Abaixo está uma pequena discografia selecionada para quem busca saber mais sobre prog (existem muitos outros discos excelentes, as indicações abaixo são só pra começar a curtir), bem como uma playlist com alguns dos maiores clássicos do estilo:

King Crimson - In the Court of the Crimson King (1969)
ELP - Emerson, Lake & Palmer (1970)
Van der Graaf Generator - H to He Who Am the Only One (1970)
Yes - The Yes Album (1971)
Caravan - In the Land of Grey and Pink (1971)
Genesis - Nursery Crime (1971)
Yes - Fragile (1971)
ELP - Tarkus (1971)
Jethro Tull - Aqualung (1971)
Pink Floyd - Meddle (1971)
Van der Graaf Generator - Pawn Hearts (1971)
Genesis - Foxtrot (1972)
Premiata Forneria Marconi - Storia di un minuto (1972)
Yes - Close to the Edge (1972)
Jethro Tull - Thick as a Brick (1972)
Gentle Giant - Octopus (1972)
ELP - Brain Salad Surgery (1973)
King Crimson - Lark’s Tongues in Aspic (1973)
Genesis - Selling England by the Pound (1973)
Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)
King Crimson - Red (1974)
Supertramp - Crime of the Century (1974)
Camel - Mirage (1974)
Yes - Relayer (1974)
Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway (1974)
Pink Floyd - Wish You Were Here (1975)
Mike Oldfield - Ommadawn (1975)
Camel - The Snow Goose (1975)
Van der Graaf Generator - Godbluff (1975)
Rush - 2112 (1976)
Camel - Moonmadness (1976)
Pink Floyd - Animals (1977)
Rush - A Farewell to King (1977)
Rush - Hemispheres (1978)
Pink Floyd - The Wall (1979)
King Crimson - Discipline (1981)


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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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