Para entender: o que é power metal?
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 28 de março de 2016
O power metal surgiu no final da década de 1970, e as duas bandas pioneiras do gênero foram o Judas Priest e, principalmente, o Rainbow. Mas foi apenas no início dos anos 1980 que o estilo começou a se popularizar e a se desenvolver de maneira consistente, com a aparição de uma geração de bandas europeias que deram seguimento às sementes plantadas pelo Rainbow e pelo Priest.
Há um certo senso comum entre os pesquisadores de que "Kill the King", música presente no terceiro disco do Rainbow, "Long Live Rock 'n' Roll" (1978), foi a primeira composição a apresentar os elementos que caracterizariam o power metal nos anos seguintes. Estão ali o andamento acelerado, o clima épico, os vocais grandiosos, a técnica explícita dos músicos e uma letra falando sobre temas medievais.
Musicalmente, o power metal se caracteriza por combinar elementos do heavy metal tradicional e do speed metal, mantendo andamentos rápidos e a ênfase sempre na melodia e na harmonia. A imensa maioria das bandas do estilo utiliza vocais limpos, quase sempre com cantores com timbres altos e agudos. Alguns grupos incorporam aspectos sinfônicos e clássicos em suas composições, mas não de maneira tão profunda quanto as bandas de symphonic metal. Um ponto marcante do power metal está nas letras, que costumam explorar temas focados em fantasia e mitologia, com exemplos textuais específicos como as séries O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia. Uma nova geração de bandas atualizou essa temática, trocando os temas vindos da literatura por letras que exploram histórias de guerras mais recentes, como é o caso do Sabaton.
Uma curiosidade interessante: no início da década de 1980, antes de o power metal ser considerado um subgênero do heavy metal, diversas bandas utilizavam o termo como forma de se diferenciar dos nomes mais clássicos e que estavam na estrada há mais tempo. O Metallica, por exemplo, utilizava a classificação "power metal" em um cartão de apresentação nos seus primeiros anos, como forma de dizer que a sua música era mais poderosa e agressiva do que aquele tipo de som que os metalheads estavam acostumados até então, de nomes como Judas Priest, Iron Maiden e outros.
Talvez o principal celeiro de bandas do estilo tenha sido a Alemanha, terra natal de nomes fundamentais para o power metal como o Helloween, Gamma Ray, Blind Guardian, Running Wild e Edguy. No entanto, o estilo também sempre foi forte em outros países. Os Estados Unidos, por exemplo, deram ao gênero nomes importantes como Virgin Steele, Riot e Iced Earth, além de serem a terra natal de uma das bandas responsáveis pelo rejuvenescimento do gênero, o Kamelot.
Aqui no Brasil o power metal é conhecido pelo termo "metal melódico" e possui uma enorme quantidade de fãs. Durante a década de 1990 e 2000, foi sem dúvida o tipo de som preferido da imensa maioria dos fãs de metal brasileiros, e um dos fatores fundamentais para isso foi a popularidade de bandas nacionais como Viper, Angra e Shaman.
Ainda que atravesse uma certa entressafra e queda de popularidade, o power metal segue dando ao mundo bandas muito interessantes. O Kamelot vem renovando o gênero ao inserir influências góticas em sua música. O Edguy faz o mesmo, mas trocando o gothic por aspectos de hard rock. Bandas como Sabaton, Dragonland, Theocracy, Sinbreed, Galneryus, Orden Ogan e Civil War lançaram discos excelentes nos últimos anos, mostrando que o estilo segue firme e forte.
Para quem quer saber mais sobre o power metal, segue um discografia selecionada do estilo:
Rainbow: "Rising" (1976) e "Long Live Rock 'n' Roll" (1978)
Judas Priest: "Sad Wings of Destiny" (1976), "Sin After Sin" (1977), "Stained Class" (1978) e "Killing Machine" (1978)
Riot: "Narita" (1979), "Fire Down Under" (1981) e "ThunderSteel" (1988)
Jag Panzer: "Ample Destruction" (1984)
Helloween: "Walls of Jericho" (1985), "Keeper of the Seven Keys Part I" (1987), "Keeper of the Seven Keys Part II" (1988), "Master of the Rings" (1994), "The Time of the Oath" (1996), "Better Than Raw" (1998) e" The Dark Ride" (2000)
Running Wild: "Under Jolly Roger" (1987), "Port Royal" (1988), "Death or Glory" (1989) e "Black Hand Inn" (1994)
Viper: "Soldiers of Sunrise" (1987) e "Theatre of Fate" (1989)
Gamma Ray: "Heading for Tomorrow" (1990), "Sigh No More" (1991), "Insanity and Genius" (1993), "Land of the Free" (1995), "Somewhere Out in Space" (1997), "Power Plant" (1999) e "Blast From the Past" (2000)
Sanctuary: "Into the Black Mirror" (1990)
Iced Earth: "Night of the Stormrider" (1991), "Burnt Offerings" (1995), "The Dark Saga" (1996), "Days of Purgatory" (1997), "Something Wicked This Way Comes" (1998) e "Horror Show" (2001)
Blind Guardian: "Somewhere Far Beyond" (1992), "Imaginations From the Other Side" (1995), "Nightfall in Middle-Earth" (1998), "A Night at the Opera" (2002), "At the Edge of Time" (2010) e "Beyond the Red Mirror" (2015)
Rage: "Trapped!" (1992), "Black in Mind" (1995) e "Soundchaser" (2003)
Angra: "Angels Cry" (1993), "Holy Land" (1996), "Rebirth" (2001) e "Temple of Shadows" (2004)
Virgin Steele: "The Marriage of Heaven and Hell Part I" (1994), "The Marriage of Heaven and Hell Part II" (1995) e "Invictus" (1998)
Stratovarius: "Episode" (1996), "Visions" (1997), "Destiny" (1998) e "Infinite" (2000)
Grave Digger: "Tunes of War" (1996) e "Knights of the Cross" (1998)
Edguy: "Vain Glory Opera" (1998), "Theater of Salvation" (1999), "The Savage Poetry" (2000), "Mandrake" (2001) e "Hellfire Club" (2004)
Kamelot: "Karma" (2001), "Epica" (2003), "The Black Halo" (2005) e "Ghost Opera" (2007)
Lost Horizon: "Awaking the World" (2001) e "A Flame to the Ground Beneath" (2003)
Avantasia: "The Metal Opera" (2001), "The Metal Opera Part II" (2002) e "The Scarecrow" (2008)
Shaman: "Ritual" (2002)
Masterplan: "Masterplan" (2003)
Hybria: "Defying the Rules" (2004)
Powerwolf: "Bible of the Beast" (2009)
Para entender cada estilo do Rock e Heavy Metal
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