Intercâmbio: o rock entre americanos e ingleses (e uns blues no meio)
Por Claudinei José de Oliveira
Postado em 20 de novembro de 2015
Certa vez, perguntaram ao mestre B.B. King se ele não se sentia roubado pelos músicos brancos ingleses da década de 1960, por estes terem se apropriado do seu blues. Com sua costumeira serenidade, B.B. King respondeu que, muito pelo contrário, se podia sobreviver de sua arte, levá-la aos quatro cantos do mundo e, ainda, se ela havia rompido as barreiras de um gueto cultural, ele só tinha a agradecer a esses músicos ingleses.

De fato, assim como o rock'n'roll da década de 1950, o blues estava, no início da década de 1960, enquanto "produto cultural" norte-americano, estagnado.
Foi a apropriação peculiar que a geração inglesa nascida, às vezes, literalmente, nos escombros da Segunda Grande Guerra fez desses estilos, a responsável por tornar "bluesmen" como Robert Johnson, Willie Dixon, Howling Wolf, Muddy Waters, John Lee Hooker, o próprio B.B. King e tantos, tantos outros, lendas de renome mundial.
Foi, também, essa mesma geração de músicos a responsável pelo rock'n'roll dos anos 1950 ter se tornado O ROCK, um estilo musical atemporal e aglutinador e, assim, tirá-lo da lista das mudanças passageiras que a juventude, em sua "inconsequência", logo substituiria por outra, vendida como novidade pela indústria cultural norte-americana, através, principalmente, de seus filmes.

No início dos anos 1960, nos Estados Unidos, o rock'n'roll já era tido como uma moda ultrapassada. Um exemplo disso é o fato de que no estado de Minnesota, o jovem Robert Allen Zimmerman, cujo sonho de adolescência era fazer parte da banda de Little Richard, trocou sua guitarra elétrica por um violão, mudou o nome para Bob Dylan, homenageando um academicamente conceituado poeta galês e se tornou o "herói folk" da juventude cabeça das universidades.
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E foi no intercâmbio entre esse rock'n'roll britanicamente "revigorado" e a maturidade poética da música "folk" dylanesca que o rock se manifestou como arte passível de ser levada a sério.
Ao mesmo tempo, uma parcela de músicos britânicos, dos quais o grande expoente foi, sem dúvida, Eric Clapton, tratou o rock que tomava as paradas de sucesso com um certo preconceito puritano, preferindo um estilo que ainda não houvesse se corrompido pelas formas baseadas nas vendagens. Foi aí que o blues norte-americano entrou em cena, fazendo a cabeça de um grupo de músicos que definiram a guitarra elétrica como instrumento peculiar. Para tanto foi essencial a presença de um "exilado cultural" norte-americano, que passou a atender por Jimi Hendrix.

Esse blues amplificado, porém, não era, de todo, novidade. O período musical compreendido entre 1965 e 1966, no qual Bob Dylan, influenciado pela "eletricidade" dos Beatles trouxe, na tradução do título de seu primeiro álbum elétrico ("Bringing It All Back Home"), "tudo isso de volta para casa", já apontava nessa direção, principalmente se considerarmos as turnês que o músico fez na mesma época, escudado pela banda The Hawks (posteriormente auto-rebatizada The Band), muito bem documentadas no volume 4 da "Bootleg Series" ("The Royal Albert Hall Concert") e no documentário "No Direction Home", dirigido por Martin Scorsese. Porém, Dylan se notabilizou por não esquentar lugar numa característica artística e, em 1966, devido às tensões enfrentadas na estrada e a um acidente motociclístico, ele se recolhe para retornar totalmente remodelado.

O som amplificado e distorcido, carregado de elementos blueseiros, no entanto, dará a tônica do rock produzido em fins dos anos 1960 e início dos 1970, sustentado por uma nova figura emblemática: os "guitar hero". Estava aí a gênese do hard rock, do heavy metal, do punk rock e do rock progressivo.

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