David Bowie: O reinventor de si mesmo
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 21 de abril de 2013
"Sou contemporâneo do meu tempo"- DAVID BOWIE
Por mais libertador que possa parecer, o ato de escrever causa uma certa angústia, momentos de impasse que muitas das vezes rodeiam e rodeiam o objeto e trazem a aflição sabotadora ao resenhista: a castração da linguagem simbólica, a estrutura culta e outras besteiras técnicas que aprendemos com o ideário positivista. "Se afaste de seu objeto", ‘seja imparcial" podem ser regras úteis quando se fala em cozimento de legumes; mas são inócuas quando se fala de rock n´roll; são utópicas quando se fala de DAVID BOWIE.
A coisa aqui é séria, seríssima. Já falei várias vezes em outros ensaios que careço do espírito beligerante do crítico; ao menos do crítico estúpido, falando mal para ter o que falar. Se fosse considerar BOWIE por momentos de baixa criatividade, de carência no discurso, do arquétipo do "camaleão", seria preferível que prestasse esse desserviço falando sobre a música pop ordinária que preenche o staff de vários festivais da moda. Se BOWIE não foi o entertainer que MERCURY foi, se não foi o letrista que DYLAN é, de alguma estranha maneira, em quarenta e poucos anos de carreira, o inglês foi a junção caótica e, por vezes, figurativamente decadente, de performer vanguardista com o poeta niilista mor nos anos 70; a versão rocker afetada do movimento beatnik, o punk letrado travestido de artista de cabaré.
"O tempo pode me mudar e eu não posso enganar o tempo" – as eras BOWIE descartam qualquer licença poética nessa afirmação- folk, glam, art rock seguem, cronologicamente, a sequência que começa em "David Bowie" (1967) até o fim da trilogia de Berlim com "Lodger" (1979). Relações com soul, jazz, Krautrock, alimentadas por cocaína e pelas personas de ZIGGY STARDUST e THIN WHITE DUKE contrariam a lógica em seus mais diversos espectros- amante de arranjos grandiosos e influenciador direto do punk (ouça "Queen Bitch" de 1971 e sinta a chupada descarada dos PISTOLS meia década depois), minimalista em outros momentos, mas respeitado por guardiões do progressivo; BOWIE é a mostra da proeza que retratou tanto a versão ariana do soul em "Young Americans" quanto a clausura berlinense em "Low" com a mesma magnitude.
Na década seguinte, BOWIE se deparou com a década que havia superado a disco, o punk clássico e que via a emergência "new" ("wave"," romantic") no cenário pop. Reinventou-se, mudou a pegada, foi achincalhado por muitos e mostrou resiliência; em determinado momento afirmou ser "o cara mais sortudo e mais solitário no mundo". Parceiras desfeitas, aranhas de plástico e o TIN MACHINE marcaram a busca de alguém que, nessa altura, já tinha presenciado a queda de mitos intocáveis e veria o nascimento da década em que grunge e o britpop, enquanto movimentos, atingiram o Olimpo na mesma velocidade que encarariam o limbo nos incompreensíveis anos 90.
BOWIE veio, viu, venceu; manteve-se perene e necessário – jamais se relegou ao deprimente signo da nostalgia condensada em arquivos digitais de coletâneas. "Podemos ser heróis por um dia" vaticinou. E cumpriu.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A canção do Iron Maiden que arrepia Bruce Dickinson; "genial"
Nergal anuncia que o Behemoth suspenderá atividades em 2027
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
O gigante do jazz que impressionou Angus Young; "um dos maiores músicos de todos os tempos"
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
Banda venezuelana Van Der Dijs perde todos os integrantes em terremoto
Com Roger Daltrey e Eddie Vedder, Best of Blues and Rock 2026 confirma atrações
Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
O álbum do Guns N' Roses que Axl Rose queria superar; "Quero crescer como artista"
Quando Geezer Butler descobriu o tamanho da influência do Black Sabbath
Mike Portnoy - o melhor baterista de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
Clássico do Led Zeppelin supera 1 bilhão de plays no Spotify
O músico que James Hetfield diz ser a razão de o Metallica existir
A infância cubana que transformou Dave Lombardo em baterista
Há 40 anos, "Rádio Pirata Ao Vivo" transformava o RPM em um fenômeno sem precedentes
Lobão faz ranking com seus cinco melhores bateristas de todos os tempos
A resposta de Roger Waters ao fã que perguntou qual álbum do Pink Floyd mais gostou de fazer
Black Sabbath interrompeu turnê nos anos 70 porque Tony Iommi "passou dos limites"


Tributo a Syd Barrett une Pink Floyd, David Bowie, Violeta de Outono e John Paul Jones
Quando David Bowie saiu do fundo do poço com um aparelho que "mexia com o tecido do tempo"
O erro cometido pela gravadora dos Beatles que repetiu o que havia acontecido com eles
Quando Jeff Beck tocou na despedida de um personagem lendário do rock
O violentíssimo filme que inspirou David Bowie a criar Ziggy Stardust
Presença de Palco: dicas para iniciantes
George Harrison: O Beatle calado, sempre à sombra de Lennon e McCartney



