Woody Guthrie: Esta máquina mata fascistas
Por Mário Pacheco
Postado em 08 de fevereiro de 2006
Woody Guthrie é considerado um dos nomes mais importantes em toda a história da cultura popular norte-americana. Ele foi, praticamente, o criador da country-music moderna, que ajudou a promover através de uma vida de andarilho, onde as recompensas financeiras eram quase sempre nulas. Bob Dylan, por exemplo, costuma declarar a seus biógrafos que, se Woody Guthrie não tivesse existido, ele nunca teria abraçado a carreira musical.
A Califórnia é um jardim do éden
Um paraíso para você e para mim,
Mas, acredite se quiser,
Você não vai achá-la tão incrível,
Se não tiver o Dó-Ré-Mi.
(Refrão de uma música chama "Dó-Ré-Mi" alusão ao "dim-dim" escrita por Woody Guthrie)
De cidade em cidade, cantando para o povo com seu violão (onde se lia, em letras grandes, "Esta máquina mata fascistas"), Guthrie viveu de maneira exatamente opostas aos superstars que conhecemos hoje. Apesar disso, sua importância na música atual é grande demais para ser medida.
No Carnegie Hall, em janeiro de 1968, aconteceu o histórico concerto em memória de Woody Guthrie, falecido no ano anterior. Bob Dylan, Judy Collins, Arlo Guthrie, Joan Baez, Ritchie Havens, Peter Seeger, Country Joe McDonald e Tom Paxton foram alguns dos artistas que participaram do evento, todos tendo em Guthrie a maior influência musical de suas carreiras, lotaram o teatro novaiorquino por três noites seguidas.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Desses concertos foi extraído o álbum duplo "A Tribute to Woody Guthrie, contendo os momentos mais emocionantes, e que foi lançado pela Warner Bros, no início da década de 70 e relançado posteriormente em 1976.
Os sons do andarilho Guthrie (Sérgio Moriconi)
"Esta Terra é Minha Terra", produzido em 1976, é um filme honesto. Acompanha parte da vida de Woody Guthrie, lenda da música folk americana, influenciador de Bob Dylan e de todo os que se aventuraram numa cruzada política contra o establishment.
O diretor Hal Ashby gosta da cultura pop e é visível seu envolvimento. Tem um certo talento como diretor e leva a vantagem de ter sido editor, colocando alguns efeitos de edição um pouco fora dos padrões convencionais, além de valorizar a fotografia, muito boa, a cargo de Haskell Wexley, contemplado com um Oscar pelo trabalho. E não é só. Deixa David Carradine parecer à vontade o tempo todo, ao ponto de criar cenas improvisadas, imaginando o que seria o processo de criação de Guthrie, o tempo todo visto como um vagabundo andarilho, tirando daí a inspiração para várias de suas canções, parte delas, aquelas não diretamente relacionadas com a instrumentalização da consciência política, baseadas em trivialidades como a necessidade de manter o passo (keep on walkin) enquanto a carona não vem.
Naturalmente várias cenas têm rodovias e estradas vicinais como cenários, evidenciando mais uma vez que, tanto Carradine, quando Ashby, devem ter contriubído com a própria imaginação, porque é improvável que detalhes corriqueiros e diálogos que supõem uma grande presença de espírito de Guthrie, tenham sido retirados de notas de diários e testemunhos de amigos, parentes ou o próprio filho, Arlo, também músico. É assim que pequenos incidentes aparecem, deixando para segundo plano uma reles descrição "objetiva", fixando-se nos conformes de entretenimento, sem abusar no entanto da superficialidade absoluta.
"Quanto mais se come, mais se caga", filosofa Guthrie no banco de trás do carro de um simpático casal de velhinhos, que, chocados, o colocam porta afora. Uma atitude vulgar demais para um indivíduo que morreu pobre, mas como herói, e ainda no seu leito de morte recebeu das mãos de um Secretário de Estado americano uma distinção de mérito pelos serviços prestados a grandes obras de engenharia.
Uma contradição? De maneira nenhuma, Guthrie era desprendido ao ponto de abandonar o emprego numa estação de rádio de Los Angeles, porque ouviu falar do projeto de um filme documentário que tinha como objetivo esclarecer a população sobre um programa de grandes barragens que visavam irrigar as terras de pequenos proprietários rurais, programa que era torpedeado pelas grandes empreiteiras, interessadas em fazer especulação na região. Guthrie se ofereceu para fazer a trilha do filme, e mais, mudou-se com a família, saiu a campo para conhecer o lugar, conversou com os trabalhadores, promoveu shows no canteiro de obras e acabou ganhando a simpatia do diretor do programa, que lhe cedeu um pequeno escritório onde pudesse escrever suas canções.
Durante toda a vida, Guthrie trabalhou para criar uma consciência sindicalista entre operários alijados dos benefícios que a constituição garantia. Escreveu em jornais comunistas e até sua morte em 1967 dedicou-se a esta única causa. Ashby omite acontecimentos importantes, entretanto, respeitou a dignidade do personagem com uma boa dose de bom senso.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música de prog metal lançada a cada ano, de 1985 até 2025
A melhor banda de todos os tempos, segundo os leitores da Classic Rock
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
O músico que para James Hetfield representava a própria América
Filha de vocalista do Poison começa a vender "pack do pezinho"
10 músicas de metal internacional que estão na memória afetiva do brasileiro
Baterista responde a reclamações dos fãs sobre o Anthrax tocar sempre o mesmo setlist
Os cinco maiores álbuns da história do rock progressivo
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
Ex-Queensryche, Geoff Tate confirma dois shows no Brasil para 2027
Os 10 maiores baixistas de todos os tempos, segundo a Rolling Stone
Steve Harris aponta a música ideal para apresentar o Iron Maiden a quem nunca ouviu a banda
Masters of Voices reúne quatro gerações do rock e heavy metal na América do Sul e no Brasil
Europe lança "The Cult of Ignorance", faixa de seu próximo disco de estúdio
"Consigo tocar a maioria das músicas do Sabbath com dois dedos", disse Tony Iommi
Qual o melhor guitarrista que tocou com Ozzy Osbourne? Madman responde
As cinco bandas que Bob Dylan confessou que queria ter feito parte
A inesperada maneira como pai de Chester descobriu abuso que filho sofria na infância


A opinião de Madonna sobre o lendário Bob Dylan: "Eu tinha hormônios no corpo"
O desconhecido que tocou com Ringo Starr, George Harrison, Bob Dylan e Neil Young
Bob Dylan e o dueto mais sem química da história do rock: "Confuso e sem impacto"
O dueto que envolve Bob Dylan e acabou sendo lembrado como um desastre
Max Cavalera e os detalhes de sua saída do Sepultura, incluindo como e quando aconteceu
Primórdios: O Rock Brasileiro da década de 50
