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Black Sabbath: o grande show de nossas vidas em BH

Resenha - Black Sabbath e Megadeth (Esplanada do Mineirão, Belo Horizonte, 15/10/2013)

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Por Pedro Turambar
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Quando eu ouvi Black Sabbath pela primeira vez há 16 anos eu jamais imaginava que veria um show da banda. Nunca pensei que veria pelo menos Ozzy, Iommi e Geezer juntos, tocando os grandes clássicos. Em São Paulo eu tive uma pequena demonstração do que seria a monstruosidade do show lendário na capital mineira. Megadeth e Black Sabbath fizeram a noite de 15 de Outubro entrar para a história da música em Belo Horizonte.

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Cheguei no aeroporto de Confins na grande BH já com a urgência de ir até a pampulha e me juntar aos milhares que mal podiam esperar pelo início do show de abertura do Megadeth e logo mais o principal show da vida de muita gente que esteve na esplanada do Mineirão na noite do dia 15. Belo Horizonte praticamente não conta com metrô, resolvi ir de ônibus pegando a mesma linha que normalmente pegaria para ir a algum jogo. Ônibus que logo logo foi abarrotado de gente de camisa preta indo para o show, e loucos de ansiedade assim como eu, que após passar pela péssima experiência do Campo de Marte - vendo, mas sem poder ouvir o show - só esperava pelo melhor.

A Esplanada do Mineirão parece ser, a partir desse show uma das melhores locações da capital. O som aparentemente foi ótimo para todo mundo, não houve tanta confusão para entrar e sair - pelo menos de quem pude perguntar. O problema, sempre é o “assalto” nos preços de qualquer coisa. 10 reais uma Budweiser? Na Copa das Confederações ‘pelo menos’ esse preço era por um latão, ali era latinha mesmo.

Bem, chegando no gigante da pampulha fui conversar com as pessoas para sentir o clima de um show que eu já sabia que seria inesquecível. O que eu não parava de ouvir é “É o SABBATH cara!” e “Eu não consigo acreditar!”. Ninguém, assim como eu, achou que veria um show dos caras depois de tanto tempo. Homens, mulheres, casais, adolescentes, meninos, meninas, idosos, todos foram ao mineirão ver os Deuses do Metal se apresentando, talvez pela última vez.

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Às 19:45 em ponto às luzes do palco se apagaram e os telões começaram a introdução do show do Megadeth. Dave Mustaine começou a pancadaria com “Hangar 18” pra mineirada acordar de vez. Contando mais uma vez com David Ellefson - baixista da formação original de 83 que voltou para a banda em 2010 - a banda comandava o palco. “Wake Up Dead”, “In My Darkest Hour” e “Sweating Bullets” vieram em seguida deixando a esplanada do Mineirão batendo cabeça. Mustaine e companhia sabem conduzir um bando de headbanger. Apesar de em alguns momentos do show - principalmente no início - a voz de Mustaine sumir o som foi corrigido e podíamos ouvir com clareza as pancadas da banda.

“Kingmaker” música que abre o último disco do Megadeth - lançado em junho de 2013 - vem para deixar quem se empolgava com o show de abertura respirar um pouco e se preparar para mais cinco porradas. “She-Wolf”, “Tornado of Souls” - a minha preferida do show - “Symphony of Destruction” que contou com gargantas ensurdecedoras do público foi impressionante. Além das imagens dos leds no palco, que foram a meu ver outro show. “Pegue um homem mortal e o coloque no poder e veja-o se tornar um Deus” diz a letra de Symphony, e as imagens dos telões mostram muito o momento que o Brasil e tantos outros países insatisfeitos com seus governantes estão vivendo.

“Peace Sells” e “Holy Wars” foram as derradeiras de um curtíssimo mas inesquecível show do Megadeth na capital mineira. Aplaudimos Dave Mustaine - bem mais simpático que de costume e enfim deixando uma ótima impressão para o público -, David Ellefson, Chris Broderick e Shawn Dover pelo belíssimo show já com um frio na barriga e uma verdade: em alguns minutos veríamos e ouviríamos Iommi, Butler e Osbourne.

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O intervalo entre um show e outro foi curtíssimo - ponto muito positivo para a produção aqui - apenas uns 20 minutos depois de Mustaine&Cia ouvimos uma voz rouca, meio velha - mas feliz como todo bom louco é - gritando Ôô ôô ôô ôô.... e nós, pequenos mortais respondendo com ainda mais entusiasmo. As sirenes anunciavam - por mais que não conseguíssemos imaginar que estávamos ali de verdade - que “War Pigs” estava começando.

Uma das músicas mais legais de se ver, ouvir e cantar ao vivo ecoou com gosto no concreto do Gigante. Quantas vezes não sonhamos em ser um daqueles felizardos que na turnê ‘Reunion’ dividia as estrofes de War Pigs com o Ozzy? Quem nunca gritou feito louco em casa, ou na rua “JUST LIKE WITCHES AT BLACK MASSES” ao ouvir que os ‘Generais estavam reunindo suas massas’? Quantos de nós sonhou em gritar que as ‘mentes que tramam destruição não são nada mais que feiticeiros da morte’? A máquina da guerra, continua ainda hoje agindo. Com uma letra assustadoramente atual e verdadeira, War Pigs é um exemplo do tamanho do Black Sabbath e da importância da banda para tudo que se seguiu.

Sem deixar ninguém por um segundo respirar Ozzy anuncia “Into the Void”. Que peso meus caros, como Tony Iommi conseguem colocar tanto peso naquelas SG’s ninguém nunca saberá, porque só ele sabe o segredo. “I can’t fucking hear you” era a deixa de Ozzy para que gritássemos feito os ‘fucking crazies’ que ele tanto queria. “Under the Sun” - a grande e grata surpresa no repertório dessa turnê - trouxe todo mundo abaixo. Que música! Que execução! Tommy Clufetos era a reincarnação de John Bonham vestido de Bill Ward da época do primeiro disco.

Caiu a ficha. Era o Sabbath. Eram três Deuses e um Minion absurdamente competente e empolgante. Era lindo de ver os mais velhos se acabando de felicidade, marmanjos e adolescentes com lágrimas no olhos por estarem presenciando a história. Ozzy dava - e vamos combinar, sempre deu - um show à parte. Divertido, louco, pirado! O Madmen era o retrato da nossa felicidade. “Snowblind” começou e o público em peso gritava “COCAINE”, nego não sabia se cantava, se ria, se chorava ou se pulava feito louco na segunda parte música. Até então o clima era de pura felicidade.

Tirando talvez, dois babacas da Galo Metal que ameaçaram e quase saíram no braço com um pai que estava com a filha adolescente. Uma vergonha, sendo atleticano ou não - e eu sou - não me conformo em misturar esse tipo de coisa com torcida, muito menos um otário desse querer briga com um pai que só estava defendendo a filha de dois caras que incomodavam todo mundo. Ficaram olhando de cara feia para o cara ameaçando mas não passou disso. “Aos ‘cara’ no palco véi, pelamordedeus, deixa disso” disse um do meu lado. Eu não podia concordar mais.

Colocando a babaquice de lado em um show que não merecia isso, Ozzy anunciou a primeira música do set que vinha do poderosíssimo “13”. “Age of Reason”. Tony Iommi nasceu para deixar um legado inalcançável, seus riffs. Velho ou não, cansado ou não, doente ou não, ninguém na história da música fez, faz ou fará algo igual a esse cara. O Black Sabbath gravou outro clássico, que daqui há alguns anos estará tranquilamente ao lado dos grandes da banda.

Como eu tinha ido no show de São Paulo, eu sabia o que viria em seguida quando as luzes se apagaram. Havia sido a única música audível de verdade no Campo de Marte, ali seria de outro planeta. E foi. A música que tantas vezes evitei de ouvir por medo quando era criança, a gênese do Heavy Metal, a melhor música executada ao vivo que eu já vi... “Black Sabbath”. Quem estava lá há de concordar comigo. O clima sombrio e a voz de Ozzy nos transportava para outro lugar. O silêncio da adoração era tão grande que dava para ouvir mais de 20 mil queixos caindo no chão.

A dupla “Behind the Wall of Sleep/NIB” veio para lembrar - aos que cometeram a grande heresia de esquecer - o tamanho de Geezer Butler. Era mais um momento de ficarmos ‘fucking crazies’. E como! A banda pegava na nossa mão e nos jogava lá em cima.

“End of The Beginning” foi muito bem cantada, e foi outra grande execução, com a bateria fortíssima, “Faires Wear Boots” (Que bateria! Que bateria!) - uma das letras mais divertidas e legais do Sabbath foi cantada em coro e depois veio a instrumental “Rat Salad”, outra coisa linda de se ver. Eu ficaria tranquilo ali umas 10 horas ouvindo os três tocando qualquer coisa.

Depois disso os velhinhos foram tomar um ar e Clufetos começou seu show particular. DEUSES como esse cara é bom. Bill Ward está no olimpo do Metal, e Clufetos em nenhum momento parece querer substituí-lo, e sim - sempre - homenageá-lo. Solos da bateria na minha humilde opinião são meio chatos às vezes, mas o que esse cara fez foi de outro mundo. 8 minutos de solo passou como 8 segundos. O publico só acordou porque ele terminou o solo com o bumbo anunciando “Iron Man”. “HE IS IRON MAN” dizia Ozzy apontando para Tony Iommi. “God is Dead?” foi outra maravilha, essa música é de qual ano mesmo? Não é possível ser nova...

“Dirty Woman” era o início do fim, e como eu fiquei feliz por ela estar no set list. Junto com Sabbath Bloody Sabbath (que infelizmente não estava junto) é a minha música preferida. Peitos, peitos e mais peitos pipocavam no telão. Enquanto Ozzy ia se divertindo no palco. A voz dele sumiu um pouquinho na última parte da música mas já era o fim do show e não é tão fácil assim atingir aquelas notas hoje em dia, eu me diverti da mesma forma com a música, mas muitos ao meu lado pareciam guardar as forças para “Children of The Grave” que É, sem a menor dúvida a melhor música para se ouvir em um show (não existe a possibilidade de ficar parado) e “Paranoid”.

“God bless you!”, “You are number one!” e nós nos sentíamos abençoados. Que show incrível, que aula de presença em um palco. Que comando do público. Iommi e Geezer são absurdos e mestres de seus instrumentos, as mãos de Geezer parecia ter vida própria. Tommy é um ótimo baterista, impressionou todo mundo. E Ozzy Osbourne? O que dizer do frontman mas divertido e carismático da história? Que ele está velho? Que a voz não é mais a mesma? Que ele lê as letras numa tela? Ou apenas agradecer por ele ainda estar aí fazendo o que faz, da forma como faz? Eu agradeço!

Belo Horizonte, a capital brasileira do Metal, conheceu na noite do dia 15 de Outubro de 2013 o melhor show da sua história. Obrigado Black Sabbath.

Nós também amamos vocês. Que Deus os abençoe!

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Sobre Pedro Turambar

Pedro Turambar nasceu Pedro Américo e sonha em ganhar a vida escrevendo, de bula de remédio a romances épicos. Descobriu o rock 'n roll nas viagens de família quando criança, ouvindo Bob Dylan, Cat Stevens e Pink Floyd, mas sua cabeça explodiu de verdade quando ouviu a voz de Ozzy Osbourne e os riffs de Iommi pela primeira vez. Fundou o blog O Crepúsculo para falar sobre tudo e aguenta as piadinhas até hoje. No twitter atende por @pedroturambar.

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