Mötley Crüe: Nikki Sixx & Cia invadem o Brasil

Resenha - Mötley Crüe (Credicard Hall, São Paulo, 17/05/2011)

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Por Lisa Magalhães
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Com direito a depilação no estilo Brasileiro e tanga de oncinha (como brincaram Nikki e Tommy pelo twitter) a polêmica banda californiana de Hard Rock MÖTLEY CRÜE aporta em terras canarinhas pela primeira vez após 30 anos de carreira.

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Mesmo em meio de sérios problemas comportamentais, espírito jovem e rebelde, a banda vem traçando uma trajetória de sucesso no cenário musical mundial. Um dos maiores focos de fofocas dos anos 80, regados de drogas, sexo e hard rock, a banda não seguiu em decadência quando todas as outras bandas de Hard Rock entraram em espiral descendente, e ainda conseguiu emplacar uma indicação para o Grammy com o último álbum “Saints of Los Angeles”.

O mais curioso é o mentor da banda, Nikki Sixx, que após morrer e renascer de uma overdose de Heroína, juntou suas memórias e experiências e lançou um livro acompanhado de trilha sonora (com a banda paralela SIXX AM) que acabou virando Best Seller. O tempo passa, Nikki não para, lança outro livro, agora de fotografias (mas recheado de seus comentários), mais orgânico, acompanhado novamente de uma trilha sonora do SIXX AM. This Is Gonna Hurt, lançado dia 9 de maio, alcança o top 10 da Bilboard, coisa que o MÖTLEY CRÜE não conseguiu em seus 30 anos de carreira.

O que esperar de uma apresentação do MÖTLEY CRÜE? Há como se esperar algo? O suspense é indiscutível.

Já pelas 18 horas a entrada do Credicard Hall parecia vir de uma fenda no tempo. Muitos dos fãs presentes passavam tranquilamente dos 30 anos, porém, alguns trajavam roupas totalmente 80’s, e pareciam saídos de filmes como ‘Wayne’s World’. Algo memorável para quem guarda na mente momentos atípicos. Senhoras com roupas de couro, senhores com jaquetas jeans e botas. Alguns aguardaram 30 anos para aquele momento, e nada poderia ser mais mágico.

E o suspense estava prestes a ser quebrado quando Buckcherry subiu ao palco. Josh Todd envenenou o publico com suas canções tóxicas, sexualizadas e românticas. Coisa que aprenderam muito bem com os mestres para os quais estavam aquecendo o público durante uma hora de apresentação.

Após a longa espera e um show espetacular e de tirar o fôlego da banda “obviamente inspirada na headliner” Buckcherry, o Credicard Hall estava a ponto de explodir na expectativa de ver o quarteto em cena.

A banda estava visivelmente empolgada com a vinda ao Brasil desde a confirmação do show, e pudemos acompanhar várias citações do Brasil em seus ‘twitts’. Subir ao palco era momento máximo, e quando as cortinas pesadas do Credicard Hall subiram, o público parecia prestes a um ataque cardíaco.
Abrindo sem dó nem piedade (às 23:05) com WILD SIDE, mostrando ao que vieram, colocaram a casa de show para pular. Clássica dos anos 80, um dos hits do álbum Girls Girls Girls, fez o Credicard Hall cantar em uníssono “AMEN”.

Grande música do mais recente álbum, a própria Saints of Los Angeles foi perfeitamente encaixada em seguida, assim como Live Wire (‘um pouco melhor do que de costume...’) e Shout at the Devil.

Um hit tocado repetidamente na MTV, Same Ol’ Situation, seguido da pesada Primal Scream, e quando tudo parece prestes e explodir, aquilo que já estava demorando acontece... Tommy Lee sai de sua toca (uma monstruosa bateria, porém não a ‘Rollercoster’ 360°) e vem oferecer uma bebida (jagerminster) para o povo brasileiro .. "Beba e passe para trás. Acho que tem o suficiente para todos aqui, afinal eu comprei a garrafa grande". (mas o povo não queria tomar e passar para o próximo, mesmo após Tommy dizer ‘HEY passe para o próximo!).

«N.E.: Alô mr Lee... a garrafa pode ter sido grande, mas nunca sairia da pista premium! E você decerto não é Jesus para multiplicar o pão e transformar água em vinho! Milagres não acontecem no Brasil!»

"Finalmente chegamos, São Paulo, 'mother fucking' Brasil. Cara, nem acredito que estamos aqui. Só um minuto para eu olhar os rostos de vocês. Isso é incrível. Não sei por que demoramos tanto para vir para cá." «Tommy Lee»

Tommy volta para sua toca, e os acordes de Home Sweet Home começam a sair do teclado ao lado da bateria... Seguida de Don’t Go Away Mad, uma das musicas mais ‘gostosas’ da noite.
Mick Mars teve seu momento de invencionice, emendando em Dr Feelgood, outra música vinda do ápice do Hard Rock no mundo. Eis que Too Young to Fall In Love começa, e por mais incrível que possa parecer, a banda pareceu cumprir agenda com essa. ‘Não tocamos essa música há muito tempo’ foi a desculpa antecipada para a surpresa da noite: TEN SECONDS TO LOVE. Desculpa desnecessária para uma das músicas mais bem tocadas de toda a noite! Eles deveriam tocar apenas músicas ‘não tocadas há muito tempo’, pois pelo jeito resulta em belo espetáculo.

Para não deixar a poeira abaixar, Smokin’ in the boys room, cover da banda Brownsville Station (dessa você não sabia, não é mesmo?) tocando uma versão que ‘deveria ter sido gravada’ no álbum Theatre of Pain. «HEY!»

A falta de comunicação com a Harley Davidson no Brasil deixou Girls Girls Girls menos empolgante e nada surpreendente (alguma moto no palco seria MUITO legal ao invés do playback dos roncos dos motores). Porém, era prenúncio de fim de show, visivelmente um dos pontos altos e Kickcstart My Heart ‘encerraria’ a apresentação.

A banda deixa o palco, e a demora para o encore foi ABSURDA, dando vazão a pensamentos sobre ‘o que daria tempo de fazer’ neste ínterim. Voltaram então com Looks that Kill, talvez desnecessária, por ter sido um sacrifício ouvir tantos erros em uma só música. Vince provavelmente muito ‘louco’ esquecendo de entrar, cantando quando queria... Será estratégia? Para o público dizer ‘não, já chega! Foi maravilhoso até agora, mas acabou, não estraguem o nosso sonho!’.

No fim, o show foi mágico, e no espírito Hard Rock proposto. A banda interagiu bastante com o público e o palco embora simples e sem pirotecnias foi interessante, com cenários de prédios e um enorme logo do Crüe ao fundo da bateria cheia de engrenagens de Tommy Lee, além de trazer também um pedestal de microfone para Sixx com o que pareciam ser pedaços de moto.

Enquanto os Toxic Twins (Steven Tyler e Joey Perry) estão em crise, os “Terror Twins”(Sixx e Lee) estão prósperos naquilo que se propuseram há 30 anos, superando a cada dia aquilo que poderia ser considerado o ápice de suas carreiras.

Para aqueles que acompanham a carreira do MÖTLEY CRÜE desde o início, a grande emoção não foi ver Nikki, Tommy e Vince. Foi, decerto, ver o GRANDE homem da banda: Mick Mars, que não é grande no tamanho, mas é ENORME em garra. Sofre de severas dores em decorrência da doença, ‘espondilite anquilosante’, diagnosticada aos 17 anos e que levou até aconselhamento médico para que deixasse as tours. Mas tocar é o oxigênio de Mick, e não se pode tirar o oxigênio de alguém, pois isso é morte, decerto. E de morte, Mick entende. De morte e luto. Carrega um fardo incomensurável de dor pela morte de um grande amor de sua vida, e isso pode ser visto em seu semblante triste e carregado, que por breves momentos pôde ser visto esboçando um sorriso durante a apresentação. Com dor quando se faz aquilo que lhe dá prazer, e mesmo que tendo por vezes que se ‘escorar’ em algum lugar para conseguir continuar no palco, andando como um ‘robô’, Mick Mars arrecadou muitos elogios. (exceto pelo encore, onde Vince Neil ‘esqueceu de cantar’ e acabou atrasando tudo, e deixando inclusive a culpa parecer do Mick) Palmas para este gigante em perseverança e amor ao Rock N Roll!

O interessante é imaginar como algumas pessoas ainda podem dizer que ‘fora o Tommy Lee, ninguém mais ali toca de verdade, é tudo gravado’. Se fosse, acho que erros como esse em Looks That Kill não aconteceriam, ok? BANDA DE HARD ROCK é BEM diferente de banda de progressivo. É para ser LEGAL ‘have some fun’ e não ser ‘igual ao álbum, perfeito, sem escorregões’. Se quiser isso, compre um álbum de alguma dessas bandas chatas, coloque tuas pantufas e seu pijaminha listrado, pegue um pacote de pipocas nhac e boa diversão (no conforto de seu sofá super chato, na tua casa super chata)...

... E se quiser diversão? GRITE CRÜE!

SETLIST
Wild Side
Saints of Los Angeles
Live Wire
Shout at the Devil
Same Old Situation
Primal Scream
Home Sweet Home
Don't Go Away Mad (Just Go Away)
Guitar Solo
Dr. Feelgood
Too Young to Fall in Love
Ten Seconds For Love
Smokin' In The Boys Room (cover de Broomstick Station)
Girls, Girls, Girls
Kickstart My Heart
Encore:
Looks That Kill

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