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Megadeth (Clube Português, Recife, 20/04/10)

Por Bruno Bruce
Em 22/04/10
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Como uma cidade invariavelmente quente me traz tão boas lembranças? Minha maior: show do carioca Taurus, no Teatro Apolo, em 1986. Fico arrepiado até hoje. Nesta cidade conheci Guga, headbanger, editor do mais furioso e anti-clerical fanzine que conheci – o Acclamatur. Guardei uma cópia deste por mais de quinze anos (perdida em alguma mudança de residência).

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash! ou de seus editores.

Chegamos perto das 20h00 com a previsão de abertura dos portões para uma hora após. Como fui numa excursão de outro estado me preocupo com a localização do clube. Ambiente seguro, bastante movimentado, lotado com ambulantes a vender uma variedade imensa de comidas e bebidas (latão de cerveja por R$2,00: aprovado!). Após uns minutos de atraso, começa a desastrosa entrada no Clube Português, marcada por fura-filas, lentidão e a mais absoluta falta de informações. Temi que lá dentro a coisa piorasse mas lembrei que a produtora Raio Lazer, a mesma que trouxe para pernambuco o Iron Maiden, preza pela qualidade.

Fitinha no pulso, corro pelos corredores já escutando os locais da banda Cruor. A impressão de amplitude & espaços abertos ficaram na minha memória. Passei rápido mas notei a estrutura nos moldes dos antigos clubes da minha infância, mesclando áreas verdes e equipamentos para esportes.

Depois de conferir as camisas oficiais da turnê (nacionais de boa qualidade, por R$50,00 cada), de 6 copos grandes de cerveja e uma fatia deliciosa de pizza a R$5,00, entra no palco Megadeth. Primeira alegria: Dave Ellefson no baixo. Para mim, mito vivo do Thrash Metal, talvez pouco reconhecido, que retorna a banda. Mustaine adentra lento no palco, no timming dos grandes ídolos, confiante, trazendo a impressão de frágil compleição abaixo de um chumaço de cabelo digno da juba do Rei Leão (escutei esta comparação de alguém). Foram 90 minutos onde os headbangers pernambucanos (80% dos presentes) ovacionaram um dos inventores do Thrash tocando os clássicos mais umas 3 faixas do novo CD "EndGame". Foi lindo! Vi o show de três locais distintos, esquecendo que estava diante de um dos maiores encrenqueiros da história do Metal. O som parecia ‘embolado’, com parca definição em alguns instantes. Aponto a acústica como um dos pontos francos do Clube Português, mesmo que a mesa de som – bela, gigantesca, iluminada, chamando a atenção até dos leigos – se esforçasse para provar o contrário.

Arriscaria dizer que o público chegava a 3.000 pessoas! Ainda não li estatísticas oficiais deste evento em nenhuma mídia. Notei poucos intrusos na cena. Segunda alegria!

O acesso à área dos camarotes foi fácil, pontuada pela interpelação de seguranças educados, o que é uma raridade e característica da organização. Os dois bares… aah, que maravilhosa & alcoólica surpresa! Cerveja Heineken grátis, em quantidades diluviais, com rápido acesso… Nem em meus maiores sonhos! A apresentação acabou e os bares continuaram a prover cerveja. Terceira alegria.

A excursão merece algumas palavras. Somos da cidade de Natal, distando 300 Km de Recife, com cerca de 4 horas de viagem. A duplicação em curso da BR 101 quase dobrou este tempo, que poderia ter passado mais levemente se não fossem certos Humanos com pouca paz de espírito, digamos assim. Minha avó dizia: “Quer conhecer alguém? Coma um pacote de sal com ele” e isto refere-se ao fato de que necessitamos de tempo para realmente conhecermos os outros. A minha versão seria algo assim: “Quer conhecer alguém? Viaje comprimido num ônibus, com 50 pessoas sorvendo álcool”. Criaturas desconhecidas revelaram-se gratas surpresas e alguns amigos aumentaram mais ainda a folgada trinca em seu caráter. Mas é natural do Humano. Bad times!

O Sr. Adriano Dio (proprietário da loja Records) responsável por mais esta aventura, finca a bandeira de maior empresário do Heavy Metal local (com 2 ônibus cheios). Muito bem-quisto, doce, sendo referência potiguar. Aprovado com meu selo mais alto: love & respect!

NOTA DO EDITOR: Segue o possível setlist do show enviado por outros colaboradores.

Skin O' My Teeth
In My Darkest Hour
She-Wolf
Holy Wars...The Punishment Due
Hangar 18
Take No Prisoners
Five Magics
Poison Was The Cure
Lucretia
Tornado Of Souls
Dawn Patrol
Rust in Peace...Polaris
Trust
The Right To Go Insane
Head Crusher
Symphony Of Destruction
Peace Sells

www.diaderock.com.br: Veja as fotos de quem foi no show e compartilhe as suas.

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Sobre Bruno Bruce

Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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