O baterista inglês que foi lenda viva durante a primeira metade da década de sessenta é hoje um grande, se não completo desconhecido da maioria das pessoas que curtem rock. A geração seguinte só lembra daqueles que suas façanhas influenciariam. Lanço a grande pergunta: Quem foi o primeiro baterista tão barulhento que passou a usar dois bumbos para marcar a sua batida? Seria Keith Moon? Ou quem sabe, John Bonham? Não! A resposta correta é Bobby Woodman.

Woodman e Makins oxigenaram o cabelo e pasaram a usar roupas de palco nas ruas, o que chamava atenção principalmente de trabalhadores mais sérios quando viajando de transporte público. Woodman e Makins acabariam dispensados da banda por serem 'selvagens' até demais. Woodman seria substituído por Brian Bennett, outro grande baterista de era.

Em tempo, Georgie Fame, que também seria obrigado a oxigenar o cabelo, tornar-se-ia o pianista fixo dos Beat Boys, no lugar de Alan (que seguiria adiante para tocar com a segunda formação da banda Vince Taylor & the Playboys). Logo atrás, seguiria Bobby Woodman, substituindo o que era visto como o melhor baterista inglês da época, Brian Bennett. Vince Taylor seria possivelmente um dos maiores astros do rock inglês durante a era pré-Beatles e seu grande hit "Brand New Cadallac" foi, anos depois, novamente elevado a grande rock pela banda The Clash.

Entre '60 e '61, The Playboys foi contratada por outro empresário, Tommy Littlewood, para ser a banda base para excursionar com uma série de crooners, entre eles Keith Kelly, Lance Fortune, Screaming Lord Sutch, além do próprio Vince Taylor. Embora não usassem mais o nome The Playboys, fora Kenny Fillingham que não seguiu com eles, eram essencialmente a mesma banda.

Este é o período mais prolífero na carreira de Bobby Woodman em termos de gravar discos. Grava vários discos com Johnny Halliday, incluindo "C'est Le Mash Potatoes" que ganhou um filme promocional francês. Woodman também voltaria a gravar com Vince Taylor em seu primeiro álbum em solo francês, chamado "Le Rock C'est Ça!" - Vince Taylor et ses Play-Boys. Os Playboys nesta ocasião é montada por Bob Steel e Tony Harvey nas guitarras, Alan LeClaire no piano, Johnny Vance no baixo e Bobby Woodman, que volta a usar seu verdadeiro nome, Bobby Clarke, na bateria. Lançado pelo selo francês Barclay em 1962, foi seguido por outro álbum, lançado em 1965, chamado simplesmente "Vince . . !", trabalho solo de Vince Taylor, agora sem os Playboys. A banda consiste em Ralph Danks e Johnny Taylor nas guitarras, Alain Bugby no baixo, Bobby Clarke na bateria, mais Ivan Jullien no trumpet e Bob Garcia no saxofone. Bobby teria permanecido na França não fosse um convite lucrativo que ele recebeu para retornar à Inglaterra.
Foi em fevereiro de 1968, com a formação da banda The Roundabout, que se trouxe Woodman de volta para Inglaterra. The Roundabout foi uma banda criada pela cabeça e bolso de dois empresários, Tony Edwards e John Colletta. Montado inicialmente com Chris Curtis, baterista dos Searchers e Jon Lords, tecladista do grupo Flowerpot Men, conta a história que, ao tentar convencer Ritchie Blackmore, então morando na Alemanha, para entrar na banda, Blackmore somente aceitaria o convite se conseguissem como baterista, Bobby Woodman. Foi o que aconteceu.
Em um celeiro alugado e mobiliado com instrumentos e equipamentos, The Roundabout ensaiava sua primeira formação com Richie Blackmore na guitarra, Jon Lord nos teclados, Nick Simper no baixo, Bobby Woodman (durante este período retornando a usar o velho apelido) na bateria e o recém chegado Dave Curtis nos vocais. Tentando fazer música inspirado em Vanilla Fudge, a banda passou por mutações e alguns membros foram sacados e substituídos. Sendo da velha escola, Bobby Woodman acabou se irritando com o grupo e saiu chamando toda a proposta musical de música de circo. Pouco depois The Roundabout tornava-se Deep Purple.
Os empresários Edwards e Colletta afastaram Curtis Davis e Bobby Clarke do projeto Roundabout. Porém, houve interesse de trabalhar com eles em um segundo projeto. Liderados por Clarke, essa nova banda, inicialmente batizada de Canto, tornou-se um trio com a entrada de Steve Howe, guitarrista da extinta banda Tomorrow. O som do grupo Canto era um meio termo entre rock psicodélico e rock progressivo, termo que, aliás, ainda não existia.
Depois de gravarem alguns números como Canto, o trio incorporou Clive Skinner Muldoon, um segundo guitarrista que também contribui com vocais, e o baixista Bruce Thomas, deixando Curtis, que inicialmente cuidava do baixo, livre para se dedicar somente aos vocais. Com a formação de quinteto, nasce a banda Bodast. A origem do nome estando nas duas letras iniciais do primeiro nome de cada um do três fundadores.
Recebendo um salário fixo, Bodast é famoso por existir por um ano sem quase nunca tocar ao vivo. A banda acabaria assinando um contrato com a MGM Records, gravando ainda em 1968 um farto material para o seu álbum de estréia. Este disco foi todo produzido por Keith West, colega de Howe de várias bandas suas entre 1965 - 68. Infelizmente a MGM Records mudou de direção. A nova direção teve o intuito de acabar com todas as filiações do selo com cabeludos degenerados que fazem apologia a drogas e sexo. (O selo acabaria sendo comprado em parte por Allen Klein, então empresário dos Rolling Stones e Beatles.)
Bodast, assim como muitas outras bandas e artistas seriam dispensados do selo, como também ficou decretado que o disco gravado não seria mais lançado. Tendo colocado toda a esperança de divulgação do trabalho do grupo neste disco, o desânimo caiu sobre todos. Howe foi o primeiro a sair e a banda desmoronou em seguida. Steve Howe, depois de participar de duas bandas por um curto período cada, iria se afiliar à segunda formação da banda Yes, onde conseguiu fama e fortuna internacional. Bruce Thomas foi para Las Vegas para fazer parte da banda de Elvis Presley. Dave Curtis e Clive Maldoon juntaram forças continuando a trabalhar juntos. Lançaram o disco "Curtiss Maldoon" em 1971, que contém a participação também do ex-Bodast, Steve Howie. "Maldoon" é o disco segunte lançado em 1973 e ainda menos memorável que o anterior. Dave Curtis reapareceria em 1979 com dois álbuns lançados pelo pequeno selo Tank, "Broken Hill" e "Takin' The Rough With The Smooth."
Já Bobby Clarke retornou para França, morando em Paris, só reaparecendo na Inglaterra na dédada de noventa como músico de estúdio. Participou em discos de artistas tão variados quanto David Holt, Londonbeat e Efua Baker, além de algumas trilhas sonoras de peças musicais.
Em 1982, o selo Cherry Red acabou conseguindo comprar e lançar o material preso na antiga MGM Records. O disco saiu em vinil com o título de "The Bodast Tapes". Este continua sendo o melhor representante de seu trabalho quando seu nome ainda era largamente respeitado entre os roqueiros ingleses.

1. Do You Remember (Curtis) [3:35]
2. Beyond Winter (Skinner/Howe) [2:51]
3. Once in a Lifetime (Skinner) [3:25]
4. Black Leather Gloves (Skinner) [3:14]
5. I Want You (Curtis) [3:18]
6. Tired Towers (Curtis/Howe/Skinner) [3:05]
7. Mr. Jones (Curtis) [3:03]
8. 1000 Years (Skinner) [2:40]
9. Nether Street (Skinner/Howe/Curtis) [2:58]
10. Nothing to Cry For (Howe) [4:07]
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Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.
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