A banda que intimidou Robert Smith no palco: "A melhor coisa que eu tinha visto"
Por Gustavo Maiato
Postado em 08 de junho de 2026
Robert Smith disse que o Joy Division foi uma das bandas mais impactantes que viu ao vivo. O vocalista do The Cure relembrou um show de 1980, no Marquee Club, em Londres, em que seu grupo precisou subir ao palco depois da banda de Ian Curtis. Segundo ele, a apresentação foi tão forte que obrigou o The Cure a se esforçar para chegar perto.
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A lembrança foi resgatada por Arun Starkey, da Far Out. Smith contou que o The Cure havia escolhido quatro bandas para tocar com eles naquela noite. Uma delas era o Joy Division, que já chamava atenção após o lançamento de Unknown Pleasures, de 1979. "Em 1980, fizemos uma coisa em Londres, no Marquee Club. Escolhemos as quatro bandas que queríamos que tocassem conosco, e Joy Division era uma delas", disse Smith.
O líder do The Cure afirmou que conheceu o som do Joy Division pelo rádio, no programa de John Peel, figura central na divulgação de bandas novas no Reino Unido. "Ouvi 'Unknown Pleasures' no rádio, no John Peel, e eles eram simplesmente fantásticos", afirmou.
Robert Smith e Joy Division
Smith descreveu o show como uma experiência difícil de seguir. Ele chegou a chamar o Joy Division de "a melhor coisa" que havia visto até então, embora tenha feito uma ressalva por já ter assistido a artistas como David Bowie e Rolling Stones. "Eles eram tão poderosos", disse. "Aquele foi nosso melhor show daquele ano, eu acho. Entramos depois deles e tivemos que nos esforçar muito para igualar o que eles fizeram."
Para Smith, o Joy Division fazia parte de sua própria geração, mas ocupava um lugar raro. A banda vinha do pós-punk britânico do fim dos anos 1970 e ajudou a abrir caminho para sonoridades mais sombrias, que depois seriam associadas ao rock gótico. O The Cure foi uma das bandas que absorveram essa influência.
O cantor também lamentou a morte de Ian Curtis, que se suicidou em 1980, aos 23 anos. Smith comparou a perda à de outros artistas que marcaram profundamente a música em pouco tempo. "É uma pena o que aconteceu com Ian Curtis", afirmou. "É como Jimi Hendrix ou Kurt Cobain. Pessoas tão boas aparecem com pouca frequência."
A admiração de Smith não ficou apenas no palco. Em 2014, ao listar suas 30 músicas favoritas dos anos 1980 na Sirius XM, ele incluiu "The Eternal", do Joy Division. A faixa saiu em Closer, segundo e último álbum da banda, lançado em 1980.
A escolha ajuda a explicar a ligação entre os dois grupos. "The Eternal" tem um clima lento, sombrio e fúnebre que dialoga com Faith, disco lançado pelo The Cure em 1981. Smith já citou o Joy Division como uma influência importante nesse período.
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