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Cenário musical no Brasil: grandes bandas, pequenos espaços

Por Willian Yamamoto | Em 17/09/11
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Eles queriam impressionar a platéia de qualquer jeito. Terminaram tocando fogo num colégio. Foi assim que teve início o primeiro show da banda VIPER. Realmente eles fizeram um show dos mais quentes. Nada disso tinha sido pensado, só que a platéia vibrou tanto que acabou consagrando a banda.

Da mesma forma que o VIPER, são diversas as bandas de rock que sofrem para começar no chamado underground mundo da música. Toca uma noite aqui, outra ali, e dessa forma começam a ganhar público e reconhecimento. Mas nas vertentes do rock, existe a música mais pesada. E é o heavy metal que cada dia toma conta dos chamados “rock bar”, frequentados pelos headbangers, ou metaleiros na linguagem popular.

Com o aumento de bandas de metal surgindo na capital e outras cidades afora, os bares de São Paulo estão se adaptando cada vez mais. Se antes os finais de semana eram reservados para o jazz ou pop rock, agora pelo menos uma vez na semana a casa é fechada para receber bandas de metal.

O Manifesto Rock Bar, casa de shows localizada na zona sul de São Paulo, se tornou ponto de encontro de amigos e pessoas que buscam conhecer as variadas noites da cidade. E por lá passam bandas pouco conhecidas, mas que estão buscando o sucesso. Além de também se apresentarem bandas e artistas consagrados no Brasil, como ANDRÉ MATOS (ex-VIPER, ANGRA, SHAMAN) e o próprio SHAMAN.

Outros locais também disponibilizam o espaço para as bandas se apresentarem, como é o caso do Blackmore Rock Bar, também localizado na zona sul. Bandas de hard rock e heavy metal se apresentam durante os fins de semana. A maior parte das apresentações se deve a bandas que tocam por hobby ou desejam apresentar o trabalho para o público.

A baterista da banda LOUYE Adriana Pivatti expõe sua opinião sobre o cenário do metal no Brasil: “Não é fácil o espaço. É até compreensível porque o público é pequeno também. Tem muita banda boa de metal que faz sucesso fora do país, como SHAMAN, ANGRA e agora com a SHADOWSIDE”. Para ela, no Brasil dificilmente se vive da música no Brasil. “Você tem que fazer uma coisa comercial ou algo simples para obter o sucesso. Sou baterista porque sempre gostei e me interessei. E toco nas bandas por prazer e diversão, sem objetivos de conseguir dinheiro”, diz Adriana, que também integra a banda cover de MOTLEY CRÜE chamada MOTLEY CREUZA. Já FÁBIO LAGUNA, experiente músico e tecladista da banda HANGAR, explica a situação: “No metal, geralmente, quem realiza o evento é um dono de uma loja de instrumento, de discos, a própria banda ou até um fã, por exemplo. E isso representa a força que o estilo ainda tem, pois sobrevive por si próprio, mesmo no mainstream. O heavy metal nunca dependeu da grande mídia, mas somente da força de vontade de todos os envolvidos e simpatizantes”.

Para o guitarrista ANDRÉ HERNANDES, a situação tem a ver com as idas e vindas de bandas do exterior para o Brasil e vice-versa.” Acho que como qualquer outro gênero o Heavy Metal também está passando por uma fase de mudança e adaptação a essa nova cultura imediatista e às vezes superficial gerada pela globalização”, afirma o músico.

Com o aumento de bandas brasileiras se apresentando no exterior, o interesse pelas bandas de fora tocarem no Brasil aumentou. Dessa forma, os fãs, além de apreciarem as músicas com as bandas cover nos rock bar, podem ver seus ídolos tocando nas casas de shows ou até mesmo em estádios.

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