As duas últimas grandes músicas de rock, segundo Angus Young do AC/DC em 1977
Por Gustavo Maiato
Postado em 08 de outubro de 2025
Angus Young nunca teve dúvidas sobre qual é o verdadeiro espírito do rock 'n' roll. O guitarrista do AC/DC, conhecido por sua energia incansável e pelo uniforme escolar que se tornou sua marca registrada, afirma sem rodeios que a banda faz música "para adolescentes". E, em tom de brincadeira, costuma dizer que o AC/DC grava "o mesmo álbum desde o começo" - e que isso é justamente o segredo do sucesso.
Para Young, a fórmula do rock é simples: se a receita funciona, não há por que mudá-la. "O problema com o rock moderno é que pouca gente seguiu o exemplo", declarou certa vez. Ele considera que o auge do gênero aconteceu com Chuck Berry, figura que ele idolatra, e que muitos grupos posteriores se perderam tentando reinventar o que já era perfeito em sua essência.

Em entrevista concedida à revista Classic Rock em 1977 (via Far Out), Angus foi categórico: "Vou te dizer quando o rock parou de ser bom: quando os Rolling Stones lançaram 'Jumpin' Jack Flash' e 'Street Fightin' Man'. Depois disso, acabou. Led Zeppelin e todos esses só foram imitadores pobres do The Who e bandas desse tipo".
Para o guitarrista australiano, o rock autêntico se baseia na simplicidade - nos acordes diretos, na energia e na atitude. Ele acredita que a busca por complexidade e virtuosismo, especialmente a partir do final dos anos 1960, acabou desviando o gênero de sua força vital. "Quando começaram a chamar o rock de progressivo, pra mim já tinha acabado. O resto eu nem chamaria de progressivo", disse, provocando os fãs de Led Zeppelin e de outras bandas da era psicodélica.
AC/DC, Angus Young e o rock
Young costuma ironizar os grupos que tentaram "sofisticar" o rock com arranjos grandiosos, chamando isso de pura pretensão. "Essas bandas pegam uma boa música pop e enfiam um saxofone dissonante por cima só pra parecerem diferentes. Pra quem é isso? Alguém já disse: 'Nossa, a complexidade dessa canção me fez dançar'?", provocou, defendendo que o rock deve emocionar, e não impressionar pela técnica.
Para ele, a força de músicas como "Jumpin' Jack Flash" e "Street Fightin' Man" está na ligação direta com o blues, o alicerce de todo o rock. O que fazia diferença, segundo Angus, era a personalidade dos Rolling Stones nessas faixas - algo que, em sua opinião, a banda acabou perdendo ao longo dos anos. "Os Stones hoje sobem no palco pra tocar soul music, e isso dizem que é rock 'n' roll. Deixem isso pra quem faz melhor", reclamou em outra ocasião.
O guitarrista ressalta que, no AC/DC, a missão sempre foi manter o rock empolgante e acessível, sem frescuras. "A gente tenta manter a coisa excitante o tempo todo", declarou. E, para ele, essa energia pura foi exatamente o que se perdeu no final dos anos 1960, quando o movimento contracultural passou a buscar algo "mais profundo" - algo que, nas palavras de Angus, "ninguém sabe direito o que significa".
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