A banda elogiada por Jimmy Page pela identidade própria; "sem roubar ideias de outras bandas"
Por Bruce William
Postado em 07 de outubro de 2025
Jimmy Page sabe bem o que é lidar com acusações de "roubar ideias". Desde os primeiros discos do Led Zeppelin, ele ouviu críticas de que sua banda teria se inspirado demais em velhos bluesmen. Justo ele, o músico que ajudou a redefinir o rock nos anos 1970 com riffs que até hoje estão na cabeça de roqueiros de todo o mundo.
Ao longo da década, o Zeppelin foi o grupo que todos queriam ver e, para muitos, a banda que ocupou o vazio deixado pelos Beatles. A mescla de Robert Plant nos vocais, John Paul Jones no baixo e teclados, John Bonham na bateria e Page na guitarra criou um som que parecia inalcançável. Não por acaso, dezenas de bandas tentaram seguir o mesmo caminho, mas poucas conseguiram encontrar uma identidade própria.

Em entrevista citada pela Far Out, Page reconheceu que havia exceções. "Gosto muito do Aerosmith, porque acho que, entre todas as bandas que surgiram nos anos 70, eles conseguiram manter uma identidade muito forte. Eles são apenas o Aerosmith, sem roubar ideias de outras bandas."
O elogio não foi algo pequeno. Vindo de alguém que viu surgir uma enxurrada de grupos tentando imitar o Led Zeppelin, o reconhecimento de Page indicava respeito genuíno. Steven Tyler e Joe Perry, à frente do Aerosmith, vinham justamente de uma base blues rock parecida, mas conseguiram transformar isso em algo distinto, com groove, atitude e um senso de humor que distanciava a banda de Boston das cópias sem alma que lotavam os bares da época.
Page também já havia citado outros grupos que, segundo ele, conseguiam "pegar emprestado o espírito" do rock sem soar falsos, como The Mission e The Sisters of Mercy. "Eles estão tentando, e acreditam no que fazem. Não é apenas uma paródia. Mesmo que peguem alguns acordes emprestados, fazem isso com alma", disse.
Ao elogiar o Aerosmith, Jimmy Page parecia também fazer uma espécie de defesa indireta do próprio legado. Afinal, se o Zeppelin havia sido acusado de plágio, a força criativa que inspirou bandas como o Aerosmith provava o contrário: a originalidade, no fim das contas, não está em inventar do zero, mas em transformar o que já existe em algo impossível de copiar.
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