Em 01/12/2011 | W. Axl Rose: "vocês são todos desprezíveis" – Parte VII

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W. Axl Rose: "vocês são todos desprezíveis" – Parte VII


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Por Mick Wall, traduzido por Nacho Belgrande

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Em um desenrolar ainda mais estranho, o que ninguém sabia ainda era que Axl tinha passado uma parte significante dos meses anteriores regravando todas as músicas de ‘Appetite’ com sua nova banda, com a bizarra intenção de substituir todas as futuras cópias do disco com a nova versão, e assim privando a banda original de quaisquer royalties que eles teriam direito, e metaforicamente, tirando seus nomes da história da banda. Felizmente, a Interscope bateu o pé e simplesmente recusou-se a compactuar com isso, temendo que tal delírio destruísse o último pedaço restante de credibilidade de um disco que ainda vendia 10 mil cópias por semana nos EUA. Como um sinal de comprometimento, entretanto, eles permitiram que a ‘nova’ versão de ‘Sweet Child O’ Mine’ fosse usada nos créditos finais do filme de 1999 de Adam Sandler, ‘O Paizão’.

A essa altura, contudo, toda a promessa de atividade no ano anterior, com Beavan se infiltrando mais dentro do caos criativo fora seguida por outra prolongada ausência do estúdio. A rotina de trabalho de Axl agora se tornara tão irregular que ele raramente dava as caras no estúdio, apesar de manter todos os músicos e engenheiros sob salário mensal, que se dizia ser em torno de 250 mil dólares ao todo (incluindo mais de 55 mil em horas de estúdio, uma folha de pagamento para os sete membros da banda de aproximadamente 65 mil dólares, mais técnicos de guitarra a seis mil por mês, um engenheiro fonográfico a 14 mil por mês e um ‘engenheiro de software’ a 14 mil dólares mensais).. Foi nesse ponto que o engenheiro Billy Howerdel, e o então baterista Josh Freese – que deixaria a banda logo depois – acharam tempo para fundarem sua própria banda, A Perfect Circle, gravando o disco Mer de Noms, que acabou vendendo 1.7 milhões de cópias nos EUA. O guitarrista Robin Finck também logo sairia da banda, supostamente para voltar ao Nine Inch Nails, mas na verdade pelas mesmas razões pelas quais Slash e Izzy tinham jogado a toalha antes. Ele simplesmente tinha se cansado de esperar por Axl.

Beavan logo desistiria também. De repente, depois de aproximadamente cinco anos de tentativas, Axl e seu ‘novo’ Guns N’ Roses tinham voltado à estaca zero. A Interscope estava compreensivelmente furiosa. De modo a tentar reconquistar alguma credibilidade com a empresa, Goldstein sugeriu um disco ao vivo da banda original. Ansiosa para recuperar algum dinheiro de seu já enorme investimento, a Interscope concordou. Doug disse a eles que Axl agora estava disposto a deixar que uma parte do novo material no qual ele tinha estado trabalhando viesse a público, permitindo que uma das faixas, uma letra fictícia com o portentoso título de ‘Oh My God’, fosse usada como parte do teaser do novo filme de Arnold Schwarzenegger, ‘End of Days’.

Tendo petulantemente apagado as partes de Finck da faixa e substituindo-as com gravações de Dave Navarro e Gary Sunshine, para acompanhar o lançamento da faixa no dia 22 de setembro, Axl emitiu sua primeira declaração oficial para a imprensa em mais de cinco anos: uma carta que se mostrava tanto amarga (referindo-se a Matt Sorum como ‘um ex-empregado’) e surpreendentemente sarcástica (terminando com a frase: ‘Poder para o povo, paz pra todos e culpem o Canadá’). A maioria dela era marcada pelo tipo de falácia psicótica que se pode esperar de alguém que tinha estado em terapia por quase uma década. Descrevendo ‘Oh My God’ como “uma música que lidava ‘com a repressão social de emoções profundas e frequentemente agonizantes – algumas das quais podem ser aceitas de boa vontade por uma razão ou outra – a expressão apropriada desta «sendo que uma delas promove um efeito positivo libertador e de cura» é por muitas vezes desencorajada e muitas vezes negada” tal epístola acabou deixando os fãs mais sem entender nada do que eles já estavam. Antes de fechar: “A expressão e veículo apropriados para tais emoções e conceitos não é algo a se ignorar.” Bem, com certeza.

Estreando durante o MTV VMA de 1999, Axl tinha feito um baita carnaval em relação ao preciosismo da música e um grupo de técnicos de estúdio foi forçado a trabalhar noite adentro para ajustar a mixagem final. Todos seus esforços foram em vão, todavia, enquanto os críticos se fartaram, fazendo piada com a pretensão de toda a coisa, comparando a faixa, desfavoravelmente, a clássicos da era de ouro como ‘Paradise City’ e ‘Welcome to the Jungle’.

O disco ao vivo, um CD duplo intitulado ‘Live Era ’87 – ‘93’ chegou depois, em novembro, e apesar de ser um documento fiel dos clássicos shows da banda, não foi recebido de maneira muito melhor pela crítica. Mesmo com uma compilação mediana do Guns N’ Roses como ‘The Spaghetti Incident?’ conseguindo vender milhões, ‘Live Era’ entrou nas paradas dos EUA na posição #45 e não fez muito barulho das semanas seguintes. Quatro meses depois de seu lançamento, o disco ainda não tinha vendido cópias suficientes – mais de 500 mil – nos EUA até para chegar ao disco de ouro. Ao mesmo tempo, a trilha sonora de ‘End of Days’ que incluía ‘Oh My God’ mal entrou no Top 40 dos EUA tampouco. Enquanto a faixa em si não foi ouvida na maioria das estações especializadas em rock dos EUA.

Axl consolou-se pelo fato de que ele tinha tido quase nada a ver com a produção do disco, deixando boa parte do trabalho para Slash. O guitarrista, que tinha trabalhado arduamente nele, também filosofou. Ele me disse: “Eu achei que seria lançado de qualquer maneira, então que ficasse do melhor patamar possível.” Quanto o disco vendeu “não era mais problema meu.” Ele e Axl nem chegaram a conversar sobre o álbum diretamente, ele disse, comunicando-se somente através de seus respectivos empresários, Goldstein e Tom Maher. “De repente tem um monte de faxes e ligações, todo mundo se evitando.”

Como era cada vez mais de costume com Axl, ele simplesmente recebia os CDs pelo correio. Com a ajuda do ex-produtor do Faith No More, Andy Wallace, Slash remixou as fitas ao vivo “da maneira que eu achava que deveriam ser. Eu trabalhei lado a lado com Andy, daí Duff veio, e no fim só arrumamos algumas partes onde a bateria sumia, e tivemos que sangrar os microfones.” E o que Axl achou da nova mixagem? “Eu não sei. Eu não perguntei e ninguém me disse nada.”

Quando Matt Sorum viu uma prova do encarte do disco, seu coração afundou: ele foi listado como um mero ‘músico adicional’. “Aquilo doeu,” ele diz. “Foi o maior golpe que ele jamais me deu. Mas Axl disse que ele não lançaria o disco se mudassem aquilo. Pra você ver como ele ficou pirracento. Eu não digo isso com maldade. Eu tenho dó dele.”

A fixação de Axl em reescrever a história estava começando a rivalizar com a de Stalin. A sua postura não se suavizava. Ou você estava com ele ou contra ele. Tal como Robin Finck e Josh Freese descobriram quando saíram da banda. No lugar deles, Axl agora tinha contratado dois novos músicos: o guitarrista Buckethead – um virtuoso que vestia uma máscara parecida com um manequim de loja e um balde do KFC de cabeça pra baixo em sua cabeça, e só conversava através de um fantoche de mão – e o baterista Brian ‘Brain’ Mantia, um californiano de 35 anos nascido na cidade balneário de Cupertino, e que era conhecido por seus trabalhos anteriores com Tom Waits, Praxis, Godflesh e mais recentemente, o Primus, e que tinha sido trazido a bordo através de uma sugestão de Buckethead, em cujos discos solo ele também havia tocado.

Buckethead (nome de batismo: Brian Caroll) era um enigma de 31 anos que tinha crescido num subúrbio do sul da Califórnia bem perto de sua amada Disneylândia. Um garoto tímido, nerd, obcecado por histórias em quadrinhos, vídeo-games, filmes de Kung Fu e de terror que também estudou teoria musical na faculdade, a marca registrada de Carroll era uma predileção por incorporar influências clássicas em seu estilo ‘esmerilhador’ de guitarra. Desconfortável no palco, ele desenvolveu o personagem Buckethead, depois de comer um balde de KFC em uma noite. “Eu coloquei a máscara e coloquei o balde na minha cabeça. Eu fui pro espelho. Eu simplesmente disse, ‘Buckethead’. Esse aí é o Buckethead’.” E daí ele desenvolveu seu fetiche absurdamente detalhado por galinhas – afirmando em entrevistas que ele tinha sido criado por galinhas, e que sua ambição a longo prazo era alertar o mundo do corrente holocausto de galináceos em lanchonetes ao redor do mundo.

Antes de aceitar ser o ultimo substituto de Axl para Slash, Buckethead tinha gravado como artista solo por quase uma década, indo do ‘post-metal psycho – esmerilho’ de seu disco de 1999, ‘Monsters and Robots’ até a ambiência suave de seu lançamento seguinte, ‘Electric Tears’. Ele também gravou sob o pseudônimo Death Cube X. A única razão pela qual ele entrou para o Guns N’ Roses, disse ele, foi que Axl o convidou a sua casa para lhe dar uma edição rara para colecionadores do personagem Leatherface, o que ele tomou como um bom sinal, decidindo que Axl ‘deve me entender de algum modo. ’

Em novembro de 1999, Axl deu sua primeira entrevista formal em seis anos para Kurt Loder, da MTV, com quem ele tinha concordado em falar, rapidamente, por telefone. Em uma sessão claramente revisionista de seu pensamento, Axl começou explicando que ele originalmente tinha visado fazer um disco que ‘remetesse ao lance de Appetite ou algo parecido, porque teria sido muito mais fácil de fazê-lo’. Ele então culpou Slash por seu fracasso em tal empreitada. ‘Estávamos tentando fazer as coisas funcionarem com Slash por muito, muito tempo… cerca de três anos e meio.’ Ele também insistiu que o disco Live Era não era um tapa-buracos, mas ‘algo que nós queríamos dar ao público como um modo de dizer adeus.’

Axl e Loder em 2002
Quando perguntado por que ele tinha estado regravando as músicas de Appetite, ele respondeu que ‘haviam muitas técnicas de gravação e estilos e viradas de baterias e coisas do tipo que era muito características dos anos 80 que poderiam sutilmente ser melhoradas. ’

Quando perguntado sobre as razões por detrás das saídas de Slash e Duff, ele insistiu, “que foi escolha deles sair Todo mundo que saiu o fez por escolha própria. Matt foi despedido, mas Matt chegou tentando ser despedido e disse isso a muitas pessoas naquela noite. Então é como se todos tivessem saído por vontade própria.” Ele sugeriu que se alguém ficou decepcionado, foi ele. “Eles não queriam me ajudar a fazer um disco. Todo mundo meio que queria fazer o que eles faziam individualmente ao invés do que era do interesse comum do grupo.” Ele disse que a “grande diferença entre eu e Slash e Duff” era que “eu não odiava tudo que saía de novo. Eu realmente curtia o movimento de Seattle. Eu gostava de White Zombie. Eu gosto de Nine Inch Nails e eu gosto de Hip Hop…”

Ele disse que àquela época havia por volta de 70 novas músicas em vários estágios de produção, e que ele já tinha gravado “pelo menos dois álbuns” de material. Algumas delas eram “avançadas demais” para que os fãs gostassem. “É tipo, ‘Hmm, eu tipo que manter a expectativa um pouco mais. Vamos dar tempo ao tempo. ’”

E concluindo, Axl disse que ele comparava o que ele estava tentando fazer com sua nova banda como algo parecido com “escutar Queen. Eles tinham todo tipo de músicas de diferentes estilos em seus discos, e isso é algo que eu curto. Porque eu ouço muitas coisas, e eu não gosto de ser estereotipado a esse ponto, e isso é algo que o Guns N’ Roses parece compartilhar com o Queen um pouco. Com Appetite, apesar de parecer ter sempre o mesmo som, se você puxar, você consegue pesar umas partes pequenas de influências diferentes.”

Quando perguntado por que ele era tão raramente visto em público, ele respondeu gaguejando, “Sabe como é… eu sou reservado e é isso… Eu só, entenda, eu só trabalho nesse disco e é só isso. Eu não sou entendido em computadores ou uma pessoa do tipo técnico, ainda que eu esteja envolvido com isso todo dia, então demora pra eu conseguir.”

Ouça a entrevista de Axl concedida a Kurt Loder – em inglês –


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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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