Afinal de contas, o que é um riff?
Por Invisible Kid
Postado em 02 de junho de 2010
Riff... palavra sem tradução na língua portuguesa. Talvez porque não precise de uma: o som rasgado do R, o suave intervalo do I, a dupla faísca do F no final... pronto, está dito. Quatro letras que sintetizam ao máximo aquilo que descrevem. Já reparou que não existe uma riffologia por aí? Acontece que não há muito como escrever sobre esses "caras". Riffs falam por si, numa linguagem tão direta que dispensa palavras.
Afinal de contas: o que é um riff?

Há duas maneiras de responder:
1. Você pode tentar com seu melhor repertório de jargões: base, frase, acordes de fundo, linha de guitarra, "batida" da guitarra, palhetada, etc. Talvez você precisa de vocábulos mais intimidadores, como ostinato. Algo do tipo "sequência de notas da guitarra rítmica" pode causar um efeito interessante. Se não for suficiente, procure um dicionário e saia à caça de mais floreios.
2. Esqueça os idiomas oficiais e apenas cante. As primeiras quatro ou cinco notas de Smoke on the Water bastarão. Seu interlocutor não apenas compreenderá, como saberá identificar riffs onde quer que apareçam. Tudo a partir desta simples "definição".
Na hora de descrever um riff, as palavras dãããn, dãããããããn e dããããããããããn são as únicas que realmente transmitem algo. Trazem consigo um fantástico poder: são compreensíveis por qualquer ser humano, independente de sua língua formal. Estão acima de qualquer fronteira, e ainda assim são apenas a simulação cantarolada do real idioma da música, compreendido por todos mas impossível de traduzir.
A origem da palavra riff é atribuída a músicos de jazz, em torno de 1917, com registros oficiais a partir de 1935. Eles usavam o termo para se referir a combinações de sons legais que se repetiam ciclicamente. Eram o suporte das infindáveis viagens dos solos de trompete, piano, contrabaixo vertical e mesmo bateria. Riff seria, então, uma derivação de refrain [refrão], com identidade própria e um papel diferenciado dentro da música.
Receita do dia: Riff ao ponto
Ingredientes
Cordas: Para alguns, as três mais agudas são apenas figurativas, pois não fornecem a consistência necessária. Outros sentem-se à vontade para misturar todas as seis. Agora, se forem sete, é melhor sair de baixo. Neste caso, o peso final equivale ao do concreto armado, daqueles usados para sustentar túneis do metrô. Cautela ao servir no café-da-manhã.
Captação: segundo as práticas tradicionais, ativar o captador agudo confere uma textura mais crocante à massa. Posições intermediárias sugerem sabores de blues. Há quem prefira o som abafado do captador grave. É o mesmo que popotear seus biscoitos no café-com-leite, perdendo toda a crocância. Questão de gosto.
Alavanca: para atingir o ponto, é preciso agitar o conteúdo de vez em quando. Pense no canudo que mistura o drink, apenas para renová-lo antes de mais um gole.
Jack: apesar do nome de peso, esta peça só aceita conectores do tipo "banana".
Volume: se não for no máximo, você está chupando bala com papel.
Tone: aberto, proporciona uma textura mais rasgada, desfiada, próxima à da carne louca. Fechá-lo é como abrandar o fogo e ver surgir um saboroso caldinho.
Palheta: à moda do gourmet. As mais respeitadas costumam atacar as cordas de cima para baixo apenas, sempre que a velocidade da batedeira permitir. O peso gerado por esse movimento soma-se à gravidade da Terra, desencadeando os mais sublimes terremotos.
Modo de preparo
Feche os olhos. Unte as ondas sonoras com alguns acordes, começando pelo mais grave que a afinação alcançar. Em movimentos rítmicos, aplique a palheta sobre as cordas. Com as mãos, procure intercalar notas abafadas e outras mais abertas. Misture até obter um conteúdo uniforme. Você saberá quando estiver pronto.
Acompanhamentos
Tradicionalmente servido com bateria e baixo. Ótimo com vocal e perfeito com solos de guitarra e teclado. Sirva sobre uma orquestra inteira se desejar. O riff é imbatível como prato principal.
Riffola
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Pôster do Guns em Fortaleza gera reação da Arquidiocese com imagem de Jesus abraçando Axl
Baixista admite que saída do Korn se deu por recusa a tomar vacina
O maior cantor da história do rock progressivo, em lista de 11 vocalistas feita pela Loudwire
Mortification fará quatro shows no Brasil em 2027; confira datas e locais
Como Kai Hansen do Helloween destravou a reunião do Angra com Edu Falaschi
Slash escolhe o maior álbum ao vivo de todos os tempos; "Eu amo esse disco"
10 discos que provam que 1980 foi o melhor ano da história do rock e do heavy metal
Cavalera Conspiracy participará de evento que celebra 40 anos de "Reign in Blood", do Slayer
O disco do Sepultura que tem vários "hinos do thrash metal", segundo Max Cavalera
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
Rodolfo revela atitude de Danilo Gentili que o surpreendeu positivamente na TV
A balada do Aerosmith que o baixista Tom Hamilton achava "muito fraca"
Sobrinha de Clive Burr (Iron Maiden) fará estreia na WWE
O que motivou Rob Halford a aceitar abrir turnê do Kiss com o Judas Priest
Dimebag Darrell: Ele foi enterrado com uma guitarra de Van Halen num caixão do Kiss
Frank Zappa: downloads contra a pirataria... em 1989
Iron Maiden: as aventuras de Adrian Smith como vocalista



