Machine Head: "Coldplay é uma das minhas bandas favoritas"

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Machine Head: "Coldplay é uma das minhas bandas favoritas"

Traduzido por Nathália Plá | Fonte: Blabbermouth.net

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Amy Kelly, do Ultimate-Guitar.com, entrevistou o guitarrista/vocalista Robb Flynn dos metaleiros da região de San Francisco Bay, MACHINE HEAD. Seguem alguns trechos da conversa.

Ultimate-Guitar.com: "The Blackening" foi um enorme sucesso de crítica para o MACHINE HEAD. Vocês sentiram uma certa pressão de fazer jus a esse álbum?

Robb: Nos últimos seis meses em turnê com o "The Blackening", essa foi a única pergunta que nos fizeram. "Como vocês vão superar o 'The Blackening'?" Eu fiquei tipo "Iche, não sei". Começamos a compor em novembro de 2009. Eu não sei se foi uma reação contra o The Blackening" e músicas de 10 minutos e estrutura complexa ou porque estávamos vendo o METALLICA todas as noites com gente perdendo a cabeça, mas nós trouxemos alguns riffs e compusemos por duas semanas. Para ser honesto, ficamos fazendo farra. Voltamos em turnê por mais seis meses e então fizemos uma pausa. Foi ótimo estar fora de turnê e foi ótimo estar com a minha família, mas depois de um tempo meu cérebro estava indo. Eu tinha realmente voltado à guitarra clássica. Eu tive aulas quando estava no colégio. Eu tinha me afastado disso mas voltei e estava compondo umas coisas. Quanto mais eu compunha mais eu curtia. Eu finalmente consegui uma música, e eu chamei o Phil «Demmel, guitarra» e o Adam «Duce, baixo». Eles ficaram tipo "Não estou pronto para ensaiar. Preciso de mais um tempo". O Dave «McClain, bateria» já estava lá e disse, "Eu preciso tocar com vocês!" A primeira música do disco que saiu foi uma música chamada "This Is The End". É guitarra, bateria e musicalidade bem pesadas. É uma música ótima. Tem estruturas bem fortes, bons ganchos e ótimas mudanças de acordes – mas numa velocidade de mil quilômetros por hora. O refrão vai esfolando todas as cordas. É tipo a última parte do refrão que vai subindo até o fim. Quando o Dave e eu terminamos ele foi tipo "Isso é difícil pra caralho! Mas é tão incrível!" Foi ótimo termos feito essa música que era basicamente acima das nossas habilidades. Foi como uma meta. Nós literalmente não conseguíamos tocá-la do jeito certo. Era tão complicado. Ter isso como meta é tipo, "Ok, temos de conseguir isso. Nós agora temos que acertar isso". Padrão muito elevado que estipulamos para nós. Nós fizemos um cover da "Hallowed Be Thy Name" para um tributo ao IRON MAIDEN da Metal Hammer. Até esse ponto, esses eram os vocais mais altos que eu já tinha cantado. Eu honestamente nem sabia se eu conseguiria fazer. Eu nunca tinha feito e consegui. Eu não sabia ao certo se conseguiria controlar e foi tipo tentativa e erro. Eu fiquei tipo "Eu quero conseguir. Eu consigo. Eu posso dominar isso". Então eu comecei a treinar intensivamente em Nova Iorque. Eu viajava para Nova Iorque a cada dois ou três meses e ensaiava por três horas durante três dias seguidos com Melissa Cross. Então fiz umas coisas com o cara que treinou o Mick Jagger. Eu também comecei a fazer aulas de guitarra clássica num lugar que chama New York Guitar School. Eu entrei em modo de treinamento. E aprender era desaprender. Eu estava tendo aulas de canto pela primeira vez na minha vida e eu cantava há 17 anos. Eu estava desaprendendo todos esses maus hábitos. Foi legal voltar àquele ponto – especialmente na guitarra – onde você diz "Eu sou um retardado. Isso é difícil demais". Foi um ponto legal, vulnerável. Nós simplesmente tentamos começar a partir disso. "The Blackening" foi indicado ao Grammy, o que é legal, mas como artista e músico o desafio é se forçar ao máximo. Nós não queríamos "Ok, isso é o máximo que conseguimos. Você tem de compor músicas de 10 minutos." Nós queríamos tanto compor. Então colocamos nossas mentes nisso.

Ultimate-Guitar.com: Vocês pegaram técnicas assistindo o METALLICA?

Robb: Eles são incríveis. Eles são uma banda de verdade – umas das últimas bandas de verdade que ainda existem. Eles fazem ao vivo. A forma como eles fazem o arranjo e mesclam as coisas é a magnitude de tudo. Para mim foi um sonho realizado. Eu sou da Bay Area e eles eram meus ídolos.

Ultimate-Guitar.com: Vocês buscam esse tipo de magnitude?

Robb: Sim. Totalmente.

Ultimate-Guitar.com: Com tantas bandas saindo por tantos selos diferentes, você acha que é possível para artistas alcançarem esse status lendário?

Robb: Eu acho que é uma meta muito elevada. Se você vai sonhar, sonhe alto. Para ser honesto, eu vi o quão alto pode ser. Isso é a realidade. Isso é totalmente a realidade. Eles conseguiram por suas próprias regras. Eles fizeram a música deles. Você ouve uma música como a "Master of Puppets" todas as noites. São oito minutos e meio de ritmos complexos e estranhos. Isso não é música pop. Isso não é Lady Gaga ou Taylor Swift. Isso é música bem diferente, muito pesada e brutal. As pessoass se identificam com isso. Com certeza tem a "Enter Sandman". Eu adoro o álbum "Preto". Ver músicas como "Master of Puppets" por aí – isso é que é incrível. Ela tem uma estrutura bizarra, oito minutos de duração, super pesada, drogas, regurgitando seu café da manhã! É incrível. Eu adoro.

Ultimate-Guitar.com: Vamos falar um pouco sobre o lado comercial do mundo da música. Se tornou público que sua banda batalhou com selos no início dos anos 2000.

Robb: Não foi tão tumultuado. Ao contrário do mito popular, nós pedimos para nos deixarem. Não fomos dispensados. Eles queriam ficar conosco. Na época ainda fazíamos shows para público de 30.000 pessoas. Foi só uma transição. Era o que a música estava fazendo. O mundo todo estava em transição. A internet estava começando a decolar, e fomos atrás. Até então era tipo, "Oh, você tem um sucesso nas rádios". Nunca nos ajustamos a esse molde. Esse foi um período complicado, não somos uma banda de rádio, somos uma banda pesada. Então os selos estavam tipo, "Deixa pra lá". Nós vimos a internet acontecendo. Nós fomos a primeira banda que eu vi na época fazendo vídeos de cinco minutos contando o que estávamos fazendo no estúdio. Soa absurdo dizer, mas estamos voltando ao início de 2003. Nós realmente corremos atrás. A mídia não queria falar conosco, o rádio não estava a fim, então nós escolhemos outra via que podíamos controlar mais. Isso criou uma conexão ainda maior com os fãs. Aquilo formou uma bola de neve até o disco sair, e se tornou nosso maior disco sem esforço nenhum.

Ultimate-Guitar.com: Você sente atualmente que ser independente é a melhor forma?

Robb: Você ainda precisa de uma gravadora. Eles te dão dinheiro e batem à sua porta. Você pode fazer muito por conta própria, e nós fazemos muitas coisas por conta própria também. Nesse ponto em nossa carreira temos muito que afirmar. Queremos esse controle. Queremos nos afirmar. Toda banda deve desejar isso. Isso é a sua arte. Você a controla. Desse jeito você sempre poderá ser você mesmo. Não importa que tipo de música você toca – e eu gosto de todos tipos de música. Uma das minhas bandas favoritas é o COLDPLAY. Eu gosto demais deles. A razão pela qual eu os adoro é porque eles são apaixonados pelo que fazem e pela música deles. Você os vê no palco e você sente isso. Você vê isso. É de verdade. Tem energia saindo. Eles não tocam música pesada, mas eles tocam a música na qual acreditam. Isso vale também para o METALLICA ou SLAYER e outras bandas assim. Enquanto você for honesto consigo – não importa o tipo de música que você toca – vai conectar. Por mais hippie que isso possa soar, acho que quando você está lá sendo você mesmo, as pessoas podem ver a sua alma.

Leia a entrevista na íntegra (em inglês) no Ultimate-Guitar.com.

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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