David E. Gehlke, do site Blistering.com, recentemente conduziu uma entrevista com o vocalista Anders Fridén, da banda sueca In Flames. Alguns trechos da conversa seguem abaixo.
Blistering.com: Como foi gravar um álbum sem (o ex-guitarrista do In Flames) Jesper (Strömblad)? Foi estranho não tê-lo em estúdio com vocês?
Anders: Não, definitivamente. Não se alterou nada. Nós saímos em turnê, onde ele não esteve conosco na parte do “A Sense of Purpose”, e tivemos um hiato de um ano, por assim dizer, então seria estranho se ele tivesse nos deixado no meio da gravação. Eu e o Björn (Gellote, guitarras) estamos na banda desde 95 e o Peter (Iwers, baixo) e o Daniel (Svensson, bateria), desde 97, então não é como se ele fosse o cara principal e nós estivéssemos em volta, esperando pelas decisões dele. Ele ainda é um bom amigo, mas seu vício em álcool afetou o grupo. Somos indivíduos unidos e a unidade não estava funcionando. Num dia ele estava super feliz, no outro, era totalmente o oposto, e é muito difícil trabalhar desse jeito. Sinto falta dele. Eu sentei e conversei com ele há duas semanas. É difícil para ele, mas tivemos um bom papo por algumas horas, o que foi bom.
Blistering.com: Já há um certo nível de familiaridade com Niclas (Engelin), sendo que essa é a segunda vez que ele trabalha com a banda. Como está o entrosamento dessa vez?
Anders: Nós o conhecemos desde os primeiros dias da cena Metal em Gotemburgo, mesmo quando eu estava no Dark Tranquillity e ele em outras bandas. Ele é um grande amigo. Passamos mais tempo fora do palco do que no palco, então é importante ter alguém com quem você se dê bem... Onde quer que seja. Ele se encaixa. Eu não sei o que fizemos que ele disse não (risos). A transição dele para Jesper teria sido muito mais difícil. Estávamos saindo em turnê por volta de 2009, mas poucos dias antes de começarmos, Niclas entrou e aprendeu as músicas, passou muitas horas tocando as músicas. Ele tem sido um salvador. Decidimos gravar o álbum sem eles – ele não gravou nada.
Blistering.com: Vamos falar sobre Björn e como ele carregou a responsabilidade de compor dessa vez. Como você acha que ele se saiu?
Anders: Eu sei que ele se desesperou um pouco quando Jesper decidiu sair, porque eles haviam sido parceiros por muito tempo. Éramos eu, Björn e Jesper compondo, sendo eu geralmente com a parte musical, o geral, mas eles eram os que compunham as guitarras – eu fazia as melodias. Para ser honesto, ele é o mais talentoso dos dois. Não me leve a mal – Jesper é um ótimo guitarrista, mas ele é mais um criador de melodias, por assim dizer, e Björn é um guitarrista mais talentoso. Eu diria que ele (Bkörn) realmente melhorou e eu o encorajei, tipo, “Vamos lá, nós conseguiremos!” Não sou muito fã de solos de guitarra só por fazer, e eu penso em cada nota, cada solo de guitarra é incrível (aqui). Acho que ele foi incrível.
Blistering.com: Você sabe, é o 15º aniversário de “The Jester Race” e as bandas costumam tocar um de seus álbuns clássicos na íntegra. Houve alguma intenção de se fazer isso, mesmo vocês tendo um álbum sendo lançado?
Anders: Não é provável, e se você conhece o In Flames, nós tentamos não ficar na mesmice. Eu vejo um monte de bandas compondo álbuns em suas carreiras onde as pessoas dizem que eles estávam no ápice... Não nos vejo fazendo isso. Seria impossível fazer álbuns como aqueles novamente. Continuo dizendo que “Operation: Mindcrime”, do Queensryche, é um dos melhores álbuns de metal que já escutei.
Blistering.com Então eles fizeram “Mindcrime II”.
Anders: E eu disse, “Não mesmo!”
Blistering.com: Desde “Colony” e “Clayman”, a popularidade de vocês aumentou dramaticamente, o que significa que expectativas para cada álbum sejam extremamente altas. Como vocês lidam com isso? Vocês se atêm a isso?
Anders: Eu leio os reviews. Eu leio o que os fãs dizem e eu tenho interesse no que as pessoas pensam de nós. Não me incomoda quando alguém diz “Vocês são horríveis”. Eu durmo bem de qualquer forma (risos). Se as pessoas curtem uma música ou o álbum todo... Não fomos de um sucesso à fama mundial. Demorou bastante para chegarmos onde estamos hoje e acho que a banda inteira tem os pés no chão. Tentamos ser normais e termos uma atitude relaxada, mesmo assim, levamos nossa música muito a sério. Estamos aqui baseados no que decidimos fazer. Não por casa de gravadoras ou fãs, ou ninguém mais. Sempre tem sido nós cinco e se não concordamos com alguma coisa, tentamos concordar nisso. Sou muito humilde e grato a todas as pessoas que nos ouvem, por estarmos aqui e fazermos o que amamos.
Leia a entrevista na íntegra no Blistering.com.
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Mineiro de Januária, baterista autodidata, cresceu em ambiente familiar ligado à música popular e erudita. Seu pai chegou a fazer pequenas turnês com bandas da Jovem Guarda como tecladista no fim da década de 70. Aos 10 anos, iniciou os estudos de teoria musical e piano clássico. Teve o primeiro contato com o mundo do metal ao escutar o CD Angels Cry do Angra, aos 15 anos. Desde então tem se dedicado a conhecer, colecionar e difundir o melhor do metal brasileiro e mundial. Graduado em Letras/Inglês, principalmente por influência da língua-mãe do rock, tem como principais ícones do metal as bandas Angra, Symphony X, Dream Theater e Opeth.
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