A banda que influenciou gigantes do metal, mas era desconhecida pelo público deles
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de maio de 2026
Por muitos anos, o In Flames viveu uma situação curiosa: era uma banda admirada por músicos, citada como influência por nomes enormes do metal moderno, mas nem sempre reconhecida pelo público dessas mesmas bandas.
Em entrevista resgatada pela Metal Hammer, o vocalista Anders Fridén lembrou essa contradição de forma direta: "Quando tocávamos nos Estados Unidos com bandas que influenciamos, os fãs delas ficavam tipo: 'Quem são vocês?'".

O grupo sueco foi um dos pilares do chamado "som de Gotemburgo", vertente do death metal melódico que ajudou a mudar a cara do metal nos anos 1990. Ao lado de nomes como At The Gates e Dark Tranquillity, o In Flames misturou a brutalidade do death metal com melodias de guitarra, estruturas mais acessíveis e influência da New Wave of British Heavy Metal.
O impacto foi enorme. A Metal Hammer aponta que o In Flames influenciou bandas como Killswitch Engage e Bring Me The Horizon, além de ter ajudado a colocar o metal sueco no mapa internacional. Mas, segundo Anders, nada disso parecia óbvio no começo. Para ele, Gotemburgo era apenas "uma cidade pequena", com "talvez 40 caras" na cena metal local.
"Nós não fazíamos ideia, éramos apenas um bando de caras que amava metal", disse o vocalista. A percepção começou a mudar quando bandas suecas passaram a chamar atenção fora do país. "At The Gates conseguiu contrato com a Peaceville e o Entombed com a Earache, então isso nos fez perceber que bandas suecas podiam sair da Suécia."
Mesmo assim, o In Flames não entrou no jogo achando que já havia vencido. Quando assinou com a Nuclear Blast, Anders lembra que a sensação era mais de oportunidade do que de consagração. "Não sentimos que tínhamos 'chegado lá' ou algo assim, mas era: 'Uau, aqui está uma grande chance de tocar para mais pessoas e fazer mais turnês fora da Suécia'."
A partir daí, a banda emendou uma fase considerada decisiva. Discos como "The Jester Race", "Whoracle", "Colony" e "Clayman" ajudaram a consolidar um modelo de metal extremo mais melódico, direto e influente. Enquanto parte da cena ficava presa a fórmulas, o In Flames buscava avançar.
Anders resume essa postura dizendo: "Nunca quisemos nos repetir". Para ele, depois que uma banda faz algo bem, não faz sentido "fazer a mesma melodia mil vezes". A ideia era sempre levar o som adiante, usando influências de death metal, NWOBHM e thrash alemão, mas sem ficar preso a uma cartilha.
Essa vontade de mudar também explica por que o In Flames dividiu opiniões ao longo dos anos. Parte dos fãs queria que a banda continuasse eternamente ligada ao death metal melódico clássico dos anos 1990. O grupo, por outro lado, preferiu incorporar elementos mais modernos, acessíveis e até alternativos.
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