Kiko Loureiro - Comentários sobre o CD solo, metal e Angra

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Kiko Loureiro - Comentários sobre o CD solo, metal e Angra


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Por Thiago Pinto Correa Sarkis e Rafael Carnovale

Kiko Loureiro dispensa apresentações. O trabalho mundialmente reconhecido com o Angra e seu talento já o credenciam como um dos melhores guitarristas do Brasil e um dos “Top Ten” do seleto grupo de virtuosos no cenário mundial. No entanto, Kiko não é de se acomodar com o competente trabalho de sua banda. Durante as gravações de “Temple of Shadows”, novo CD do Angra (muito bem sucedido por sinal), o mesmo se cercou do super-batera Mike Terrana e do produtor Dennis Ward para dar vida a “No Gravity”, seu primeiro disco solo, no qual Kiko, além de demonstrar toda sua velocidade, sentimento e “feeling”, se aprofunda na fusão de ritmos brasileiros com o som de sua guitarra. Aproveitando a divulgação de seu CD solo, lançado recentemente pela Hellion Records, batemos um longo papo com Kiko, procurando extrair do mesmo o máximo possível sobre essa nova empreitada em sua carreira, e também vários assuntos relacionados metal e ao Angra. Receptivo, ele nos correspondeu amplamente, e abriu o jogo. Confira abaixo...

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Whiplash! - Sempre considerado no Brasil e no mundo como um grande guitarrista, um “virtuose”, após dezesseis anos de carreira, você lança seu primeiro álbum solo. Fale-nos um pouco do momento que você está passando musicalmente, e do por quê da escolha de lançar seu trabalho como solista somente agora, depois de tantos anos e muita expectativa por parte dos fãs.

Kiko Loureiro / Gravar um álbum instrumental de guitarra sempre foi um sonho, afinal cresci ouvindo artistas como Jeff Beck , Vai, Satriani entre outros. O sonho de criar junto com outros músicos uma banda de carreira longa e bem sucedida também sempre existiu. O Angra desde o comeco trouxe resultados super positivos onde eu precisei dar todo meu empenho, esforço e tempo. Por isso apesar de ter vontade de gravar, acabava deixando para depois para me dedicar por completo aos trabalhos do Angra. O ano de 2003 foi muito produtivo para mim em termos de composição. Estou me sentindo mais capaz e confiante, com a experiência destes 13 anos de Angra. Assim participei quase em todas as composições do álbum Temple of Shadows e produzi mais inúmeras composições onde a única forma de não perdê-las seria gravá-las em um CD solo. O Dennis Ward me deu um incentivo muito grande para gravar quando ele ouviu minhas idéias mais instrumentais que não haviam entrado no CD do Angra.

Kiko Loureiro / Estou muito feliz com o resultado do CD. Estou agora no Japão divulgando “No Gravity”. Está vendendo muito bem e deu resultados acima de esperado em relação à mídia especializada. Grandes reviews e duas capas na maior revista de guitarra japonesa, a Young Guitar.

Kiko Loureiro / É um CD onde posso mostrar um pouco mais meus diversos lados como guitarrista e instrumentista, pois gravei vários outros instrumentos também. Musicalmente ele tem temas bem variados, privilegiando sempre melodia e minha raiz brasileira.

Whiplash! - Seu gosto pela música nacional, do choro à MPB, já é de conhecimento geral. Em "No Gravity" você decidiu incluir um pouco desses estilos. Apesar do Angra trabalhar com elementos próprios de nossa música, como foi, para você, realizar esse encontro de sonoridades brasileiras num disco solo de um guitarrista virtuose proveniente de uma banda de heavy metal?

Kiko Loureiro / Sempre ouvi música brasileira e tenho muito respeito pela MPB em geral. Sou ainda um estudante da nossa imensa cultura. Convivo com diversos outros músicos, fora da cena metal, onde dali aprendo outras perspectivas musicais. Destas influências, que a cada dia são mais naturais para mim, misturo com o rock, heavy metal, que também já toco há tanto tempo e está intrinsecamente incorporado em meu estilo.

Kiko Loureiro / Portanto essa mistura acaba sendo super natural para mim, algo que flui sem muito esforço. Levo isso para o Angra com músicas como “Sprouts of Time”, por exemplo, ou “Morning Star”. Em “No Gravity” também ficam explícitas estas misturas. Na faixa “Beautifull Language”, por exemplo, o meu gosto pela música brasileira fica evidente. Acho que o nome já diz tudo.

Whiplash! - Ao ouvirmos faixas como "Enfermo" e "Endangered Species" nota-se que você se inspirou muito em guitarristas como Joe Satriani e Steve Vai. Você não teme ser considerado uma cópia destes em seus CDs solo? Sem querer provocá-lo, mas já provocando, "Escaping" me lembrou muito "Summer Song", principalmente nos "riffs" iniciais e no solo. Gostaria que você falasse sobre isso.

Kiko Loureiro / Não posso negar a influência que tive destes dois guitarristas. Sou da geração que teve o primeiro impacto com eles. Estava começando a estudar guitarra quando eles apareceram. A “Escaping” é bem na onda do Satriani mesmo,agora as outras como composição não acho tanto. De qualquer forma no fraseado é possível com certeza achar influência dos dois. Porém não achoque o Satriani nem o Steve Vai fariam um CD com a cara do “No Gravity”. A similaridade existe, pois toco diretamente na mesma vertente que os dois, assim como também percebemos claramente os dois se influenciando mutuamente.

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Whiplash! - Não lhe passou pela cabeça a idéia de chamar um vocalista (até mesmo o Edu Falaschi) e fazer uma música com vocais? É algo que você considera para o futuro?

Kiko Loureiro / Para isso já existe o Angra, onde componho pensando no vocal. O CD é para mostrar minha paixão pela música instrumental, e mostrar que ela diz muitas vezes mais até que as palavras.

Whiplash! - Você e Rafael Bittencourt são os principais compositores do Angra, embora todos ajudem no processo de composição. Logo pode-se concluir que você tem muito espaço para se expressar musicalmente. Daí a pergunta: porque lançar um cd solo? O que o CD pode mostrar aos fãs que você já não tenha mostrado nos CDs de sua banda?

Kiko Loureiro / Por que a música instrumental para mim tem outro sentido. Por isso a resposta acima, que não penso em colocar vocal.

Kiko Loureiro / Além disso, foi para mim um desafio produzir um CD onde eu sozinho cuidei de cada etapa. Composição, execução (toquei tudo menos a batera), produção musical, arte, edição, contratos, marketing, divulgação, planejamento, etc, etc.

Kiko Loureiro / Foi muito bom fazer tudo como acho que deve ser feito. Aprendi muito com este trabalho. Fora que se não gravasse estas músicas, talvez elas ficassem engavetadas, como tantas outras que compus ao longo do tempo

Whiplash! - Com esta união de duas linhas musicais bem diversas, seu trabalho fica exposto a várias formas de pré-concepção por parte de imprensa e fãs: de um lado, aqueles que pensam que heavy metal é barulho e que já até disseram, em tom irônico, sobre o Angra: "e ainda dizem que trabalham com música clássica"... do outro lado, os que consideram a MPB como na verdade uma MPBos**. Enfim, posições radicais, mas que sabemos que existe. Como você vê isso? De alguma forma, teme que venha a atrapalhar o sucesso do disco?

Kiko Loureiro / Para mim é um pouco difícil de entender esse tipo de pensamento hermético e menor. Desde pequeno, mesmo sendo metaleiro fanático, nunca desconsiderei a MPB e nossos grandes compositores. Afinal como músico posso enxergar a profundidade do conhecimento musical dos nossos artistas.

Kiko Loureiro / Sempre fui, sou e serei um amante da boa música, sabendo que ela existe para unir as pessoas, e não para dividi-las como se faz erroneamente também através da religião ou esporte.

Kiko Loureiro / A união do rock-metal com a nossa brasilidade é a única forma de criarmos um estilo verdadeiramente próprio. Ainda mais para mim que estou sempre tocando fora do Brasil, está e uma forma de se diferenciar e criar uma identidade. Quando toco algo genuinamente brasileiro, em workshops, por exemplo, os caras ficam loucos. A gente no Brasil não faz idéia da força de tradição de nossa música. Não e possível negar isso, não posso imaginar um brasileiro que não sinta orgulho de sua própria cultura.

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Whiplash! - Um fato que me deixou um pouco desconfiado foi ter Dennis Ward (Pink Cream 69) na produção do disco. Não pela qualidade indubitável dele, já provada em tantos álbuns do Angra, e de outras bandas de hard e heavy, mas exatamente por essas faixas com a predominância da música brasileira. Houve alguma dificuldade em neste sentido? Como Dennis reagiu, por exemplo, a "Pau-de-Arara" e "Choro de Criança"?

Kiko Loureiro / Em relação a isto acho que não existe mais problema com o Dennis. Sua adaptação conosco foi na época do “Rebirth”. Agora ele já conviveu bastante com nossa música e sabe o que espero dele. Ele, na hora das percussões, deixa que eu controle a coisa. Mesmo com o Angra ele deixa eu comandar a produção e arranjo das percussões. Ele busca tirar um som bom de cada instrumento maluco (para ele) que trazemos. Já tive a oportunidade de mostrar várias vezes para ele CDs e vídeos de artistas brasileiros para ele pegar a idéia.

Kiko Loureiro / Ele é um super produtor. Sabe tirar um ótimo som, é rápido, incansável, muito musical dentre tantos outro atributos. Gosto muito de trabalhar com ele.

Whiplash! - Apesar de já ter um "know how" com ritmos diferentes, e bastante trabalho com jazz, como foi a relação de Mike Terrana com os arranjos nas músicas com ritmos e harmonias mais características do Brasil? Qual seria sua avaliação sobre o trabalho de Terrana nesse sentido?

Kiko Loureiro / Com o Mike Terrana foi o mesmo processo que o Dennis, pois os dois são americanos, mas ele por ser batera já conhecia muito dos ritmos latinos, porém sempre com uma visão mais americana da coisa.

Kiko Loureiro / Meio Dave Weckl, Steve Smith, Peter Erskine. Expliquei muita coisa para ele e nos intervalos dos ensaios mostrei bastante da música brasileira. Assim ele entrou no clima mais facilmente. Ficávamos fazendo bastante jams para ele entrar no clima. Eu na percussão e ele na bateria. Assim ele entendia que o que eu queria era realmente um heavy metal solto e menos alemão possível.

Whiplash! - Sempre tive a impressão, por exemplo, que o mais brasileiro dos discos do Angra, "Holy Land", era um trabalho mais do Rafael Bittencourt e do André Matos. Pelo menos é o que os créditos no álbum nos remetem. Refletindo sobre sua carreira com o Angra, a convivência com os músicos citados e tantos outros, como você avaliaria o crescimento de Kiko Loureiro como compositor?

Kiko Loureiro / É sempre ótimo trabalhar cercado de ótimos músicos, tanto na formação anterior como nessa nova formação. Aprendo muito com todos eles, existe uma troca de experiência e visão musical constante que ao longo dos anos fica bem solidificada. Com certeza quem mais me ensinou foi o Rafael. Fizemos muita coisa juntos, desde o “Holy Land”, apesar de na época nem tudo ter entrado no CD.

Kiko Loureiro / O gosto pela música brasileira sempre foi constante entre eu Rafael e André. Eu particularmente escuto muito da música instrumental brasileira, enquanto o Rafael mais os grandes artistas da MPB.

Kiko Loureiro / O meu crescimento como compositor é a somatória destes intercâmbios, mais meu contínuo estudo da música, e mais especificamente da composição nos últimos anos. Também toco com vários outros músicos de São Paulo, que não estão no meio Heavy, como o Doulgas Las Casas, Ximba Uchiama (tinha um trio de fusion instrumental com eles), Yaniel Matos- pianista cubano que toquei junto por um tempo, entre tantos outros. Esse intercâmbio com músicos de perspectivas diferentes me acrescentaram muito também. Vale dizer que tenho aulas de piano e composição e controle da minha musicalidade ainda hoje com a Silvia Góes.

Kiko Loureiro / Essa busca do aperfeiçoamento para mim deve ser constante, por isso é visível, pelo menos para mim, o quanto melhorei na questão da composição.

Whiplash! - Partindo para as músicas mais pesadas, no estilo que você já toca há muitos anos. O CD começa logo com "Enfermo", composição repleta de técnica. Por quê da escolha desta como a faixa de abertura e qual o significado dela para você e a mensagem que ela passa para os fãs logo de início?

Kiko Loureiro / Pelo fato dela ser bem técnica achei que era um boa abertura. Muita gente achou que talvez eu viesse com um CD mais de fusion, daí a vontade de já de cara mostrar que não seria bem assim.

Whiplash! - Você toca quase todos os instrumentos no álbum. Por quê essa escolha, ao invés de incluir um tecladista, pianista, ou mesmo um baixista propriamente dito, por exemplo? Como músico, você tem esse costume de se aventurar em outros instrumentos? Qual sua análise sobre seus engendros nos teclados, baixo, piano, etc... em "No Gravity"?

Kiko Loureiro / Adoro tocar outros instrumentos. É meu passa-tempo. Estudo piano já faz alguns anos e baixo passei um período estudando e tocando com amigos. Os teclados e programação para mim são uma forma diferente de colocar a música que está na minha cabeça. Gosto de ouvir música erudita, orquestras, quartetos, etc. Tenho vários sons comigo, e a única forma de expressar é via samples de orquestra. Vide a “Gate 13” de “Temple of Shadows”.

Kiko Loureiro / Mas a opção que fiz de gravar tudo foi mais pelo motivo de eu estar na Alemanha e ser complicado e caro levar músicos brasileiros para lá. Também porque não pude ensaiar com ninguém além do Mike Terrana. Foi mais uma questão de logística do que de ego. Mas no final acho que foi bem divertido poder gravar tudo, foi mais um desafio. Talvez o mais difícil seja a parte que não chama a atenção das pessoas que e a parte da produção. Contatar o Mike, estúdio, Dennis, passagem, equipamento, estadia, transporte, registro das músicas em cada país a ser lançado, pagar tudo, fazer contratos com gravadoras, capa e arte, organizar as fotos da arte, parte de marketing, distribuição, site exclusivo (www.kikoloureiro.com.br/nogravity) e tantas outras coisas envolvidas numa produção. Fiz tudo por conta própria, afinal quem vai acreditar na minha música se não for eu mesmo.

Whiplash! - Um dos maiores destaques na evolução de sua técnica durante os anos foi no que concerne a tapping e two hands. Inclusive, quando falo disso, faço menção a "Tapping Into My Dark Tranquility". Você concorda que isso trouxe, de alguma forma, uma unicidade ao seu tocar e a qualquer um que vá se referir ao guitarrista Kiko Loureiro?

Kiko Loureiro / Sempre gostei do Van Halen, portanto fui estudando esta técnica desde quando comecei a conseguir solar um pouco na guitarra. Depois ouvi o grande Stanley Jordan e fui surpreendido pela sonoridade que a guitarra poderia alcançar com esta técnica. Estudei bastante por um período o que me deu mais desenvoltura para colocar esta técnica nos meus solos até hoje. Depois acabei por desistir de tocar igual ao Stanley Jordan pois vi que a dedicação teria que ser integral a essa técnica caso quisesse realmente tocar assim. Uso então coisas que para meu gosto ficam bem legais e não são absurdamente complicadas, como a "Tapping Into My Dark Tranquility", ou a introdução de “Heroes Of Sand”, por exemplo.

Kiko Loureiro / Gosto da sonoridade diversa que esta técnica pode trazer para a guitarra. Na realidade sempre fui preocupado em estudar as diversas técnicas para poder ser bem versátil em termos de interpretação na guitarra. Assim sempre dividi meu tempo para saber um pouco de palhetada alternada, tapping, sweep, ligados, etc.

Whiplash! - O lançamento de seu álbum solo vem primeiro, mas em época próxima à do primeiro disco solista de John Petrucci, "Suspended Animation". Como sabemos, o Angra vem trabalhando também com o metal progressivo, e no Japão, assim como em outros países, vocês e o Dream Theater estão juntamente no topo. As comparações surgem em conseqüência de tudo isso. Como lidar com elas e qual a sua opinião sobre o Dream Theater e especificamente John Petrucci?

Kiko Loureiro / Na verdade estou aqui na Japão e fiquei sabendo agora do CD dele. Não ouvi ainda.

Kiko Loureiro / Gravei este CD em abril / maio de 2004. Já faz um tempo. Não lancei antes pois a prioridade era o Angra e esperei sair o “Temple Of Shadows” para lançar o meu trabalho solo. Nem fazia idéia que ele também esta gravando um CD.

Kiko Loureiro / O Petrucci já lançou várias coisas instrumentais com o Liquid Tension Experiment, por exemplo, mas ele deve ter a agenda super cheia, por isso também só agora conseguiu ter tempo para fazê-lo. Acho ele fenomenal e a banda também. Um exemplo de qualidade, técnica e profissionalismo para qualquer um.

Kiko Loureiro / Somos guitarristas da mesma idade e vejo no que ele toca muito do que eu também estudei e ouvi. Acho legal isso. Não vejo a galera comparando muito não. Vejo que recebemos um grande respeito dos guitarristas.

Whiplash! - Da mesma maneira que os guitarristas da Shrapnel sofriam há duas décadas atrás, é bem provável que seu disco seja rotulado de masturbação instrumental, guitarrística, etc. Termos pejorativos, mas já costumeiros infelizmente. Qual a sua opinião sobre essa tremenda dificuldade do público e da imprensa, não só no Brasil, de lidar com a música instrumental e dessa concepção da guitarra como um instrumento de "não-músico" de verdade?

Kiko Loureiro / Espero que o meu não seja assim rotulado, porque apesar de ter coisas bem técnicas as melodias com certeza predominam.

Kiko Loureiro / Qualquer música com muita técnica, seja ela no instrumento, na harmonia, nos arranjos, assusta um pouco as pessoas e incomoda, acho isso normal. Existe um enorme número de interessados de qualquer forma, não podemos agradar a todos. Mas até eu concordo que muitos destes CDs da Shrapnel são chatos...

Whiplash! - Considero uma das maiores conquistas de um músico o alcance de uma sonoridade única, que você ouve e sabe: "é ele tocando". A trajetória até este ponto é bem turbulenta. Em relação a este caminho, onde você localizaria sua música e a si mesmo?

Kiko Loureiro / Penso ser difícil responder isso, pois sou muito auto-crítico. Como falei estou sempre procurando aperfeiçoar e achar uma boa sonoridade.

Kiko Loureiro / Cada músico, de uma forma ou de outra, transfere sua personalidade para sua música, esteja no nível que estiver. Afinal cada ser humano age de forma diferente. Fala, anda conversa, escolhe vocabulário, etc, de forma pessoal. Na hora de tocar é a mesma coisa. Agora existem aqueles que têm uma forma tão especial de fazer que seu estilo fica marcado. Page, Blackmore, Hendrix, Van Halen, Jeff Beck, Vai, Allan Holdsworth, Wes Montgomery, Benson, Hélio Delmiro, Heraldo do Monte, Guinga, etc.

Whiplash! - Uma das poucas reclamações que já ouvi sobre seu estilo é dos timbres de guitarra, especialmente nos riffs, que eles não teriam o peso necessário, e que soariam um pouco evasivos, digamos assim. Obviamente isso parte da escolha e perspectiva de cada músico, mas como você vê essas críticas?

Kiko Loureiro / Essa questão do peso da guitarra é gosto. Eu gosto de colocar acordes às vezes dissonantes que não soam bem com um timbre muito pesado e com muita distorção. Acho que no “Temple Of Shadows” já tem algo mais pesado. Usei até uma sete cordas. O lance de tocar pesado tem haver muito com a afinação. Gosto da guitarra afinada em 440hz, e hoje quase nenhuma banda afina assim. É pelo menos um tom abaixo. Isso transforma qualquer riff em algo pesado.

Whiplash! - Algumas músicas, como por exemplo "Beautiful Language", poderiam ser usadas em filmes, tamanho o caráter atmosférico e viajante que as mesmas apresentam. Isso é algo que você pensa em fazer no futuro, como Andreas Kisser e Igor Cavalera fizeram no filme "Coração dos Deuses"?

Kiko Loureiro / Qualquer música instrumental pode ser usada em filmes. Os filmes sempre usaram da "arte maior", música pura, para enriquecer as imagens. Sem a música o que seria do cinema?

Kiko Loureiro / Sem dúvida penso nisso. Gostaria de fazer ate coisas mais complicadas como arranjos similares ao que fiz na “Gate 13” no “Temple Of Shadows”.

Whiplash! - Só prosseguindo a última pergunta e mais como entretenimento... como seria um Kiko Loureiro com uma Gibson Les Paul de Zakk Wylde? (risos)

Kiko Loureiro / Gravo coisas com Les Paul também. Algumas bases do Angra. Usei também um Gibson Explorer a la James, mas é o guitarrista que faz o som e não a guitarra. Muda um pouco a pegada isso é verdade.

Kiko Loureiro / Mas mais do que a guitarra, precisaria mudar meu modo de pensar nos improvisos, hoje procuro evitar uma pentatônica, e para tocar tipo Zakk Wylde eu teria que fazer o contrário... e provavelmente fazer uma musculação e tomas umas cervejas.

Whiplash! - Também por curiosidade e entretenimento, listo abaixo vários guitarristas e gostaria que você comentasse sobre eles...

Whiplash! - Michael Schenker (Scorpions)

Kiko Loureiro / Foi um dos caras que ouvia bastante quando comecei a tocar. Nos anos oitenta eles eram bem fortes. Lembro do Rock in Rio. Nem tocava ainda, era uma imagem muito forte para mim, era o que eu queria fazer mesmo.

Whiplash! - Richie Kotzen

Kiko Loureiro / Ouvi bastante seu primeiro CD. Talvez um pouco de ter estudado ligados no começo venha dele.

Whiplash! - Paul Gilbert

Kiko Loureiro / Esse sim. Ouvi bastante Racer X, sempre foi uma boa referência para mim. Ele é muito preciso e perfeito na execução

Whiplash! - Jeff Loomis (Nevermore)

Kiko Loureiro / Não conheço.

Whiplash! - Ace Frehley (Kiss)

Kiko Loureiro / Não fui ligado no Kiss. Talvez lá para trás quando comecei a ouvir rock.

Whiplash! - Mattias IA Eklundh (Freak Kitchen)

Kiko Loureiro / Melhor surpresa que ouvi em relação a guitarrista nos últimos anos. Tive a oportunidade de conhecê-lo e fazer uma entrevista com ele. Muito engraçado além de tudo.

Whiplash! - É sabido que você pretende montar uma banda solo e fazer alguns shows. Já se sabe quem vai tocar com você e existe algum show marcado? Se sim, como você pretende fazer esses shows?

Kiko Loureiro / Estou com shows marcados na França e Itália para final de Abril. Vou para a Europa com o seguinte trio: Eu, Mike Terrana e o Felipe Andreoli.

Kiko Loureiro / Estou ainda pensando no show. Tocarei praticamente o CD “No Gravity” inteiro. Devemos tocar algo mais, e deve ser algo de guitarra instrumental bem marcante. Por ser fora do Brasil, vou aproveitar e tocar coisas do Brasil também.

Whiplash! - Duas últimas questões... a melhor guitarrista mulher que você já ouviu tocar e sua opinião sobre a ausência de mulheres no hard rock e heavy metal.

Kiko Loureiro / É a Jeniffer Batten com certeza. Existe um machismo velado acredito, mas as mulheres também não se esforçam para mudar isso. Em São Paulo existem realmente, que eu me lembre, duas boas guitarristas, a Leila e a Mônica. Outras levam muito na brincadeira o estudo.

Whiplash! - Sua opinião sobre Dimebag Darrell, a música do Pantera, e o estilo dele de tocar.

Kiko Loureiro / Sempre gostei muito do Pantera. Quando ouvi o “Vulgar Display Of Power” foi um choque para mim. Fiquei ouvindo direto. Sem dúvida que influenciou um pouco meu jeito de tocar.

Whiplash! - Fica então seu espaço para enviar uma mensagem aos seus fãs. Obrigado pela entrevista e parabéns pelo trabalho que vem desenvolvendo!

Kiko Loureiro / Queria agradecer o espaço. E espero que a galera tenha contato com meu CD e goste da música que proponho.

Kiko Loureiro / Sou sempre muito agradecido à galera do Brasil que sempre apoiou a mim e ao Angra. Grande abraço.

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