Resenha - Infestissumam - Ghost

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Resenha - Infestissumam - Ghost


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Sinceramente, adoro bandas que funcionam da seguinte forma: ou você ama ou odeia o trabalho do grupo. Esta fórmula parece se aplicar muito bem a banda sueca GHOST (no E.U.A forma forçados judicialmente a mudar o nome para GHOST B.C.), e vem gerando inúmeros comentários, desde apontamentos de críticos famosos como os comentários dos críticos mais anônimos.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Quando se fala bem da banda, apontam-nos como gênios, que seus trabalhos são clássicos instantâneos; quando se fala mau do grupo, o mínimo que se diz é que são músicos sem criatividade, que reciclam riffs e atmosferas de músicas dos grandes nomes do heavy metal, como Blue Oyster Cult, Mercyful Fate, King Diamond, etc. Desde que artistas como Phil Anselmo (Pantera, Down, Superjoint Ritual), James Hetfield (Metallica) foram flagrados com suas respectivas camisetas do Ghost, a mídia especializada direcionou seus holofotes para o grupo escandinavo.

Durante o final de 2010 e início de 2011, o primeiro álbum do grupo sueco fora lançado mundo afora - "Opus Eponymous" alcançou marcas bastante expressivas no que diz respeito a receptividade do trabalho do grupo entre os fãs de rock and roll e heavy metal. A apresentação do grupo é performática, e o grupo tem em seus temas recorrentes relacionados ao satanismo – e de forma bem escancarada o Ghost profere palavras como "Anticristo" "Satanás" "Lúcifer" e afins. O GHOST é liderado pelo ignoto vocalista Papa Emmeritus II, que se apresenta como um papa satânico no mais literal sentido do conceito, bem como os músicos que se se apresentam como Nameless Ghouls I, II, II, IV, V e que mais se parecem com abades sinistros reunidos em algum convento do mal. Ao vivo, o impacto visual é aterrador, sombrio e sublime ao mesmo tempo – tudo muito vintage e retrô (principalmente no que diz respeito aos instrumentos musicais utilizados).

O último disco do GHOST, "Infestissumam" é carne nova. Lançado em 10 de abril de 2013, é o segundo trabalho full length da banda. A produção do disco é assinada por Nick Raskulinecz, que tem em seu curriculum a produção de trabalhos de bandas como Alice in Chains, Stone Sour, Deftones. Sob a batuta de Raskulinecz,"Infestissumam" pode ser considerado de excelente nível de produção.

"Infestissumam" é a primeira música do disco e é uma introdução. Tem por característica o canto gregoriano exaltando o mal, em sincronia com as guitarras pesadas, o orgão litúrgico, e a bateria compassada. "Infestissumam" é um termo em latim que significa hostil. A prece em latim da música: "Il padre, Il filio, Et lo Spiritus Malum, Omnis Caelestis, Delenda Est, Anti Cristus, Filio de Sathanas, Infestissumam", traduzida ficaria algo como, "O pai, O filho, E o Espírito Mal, Todo Celeste, Destruir, Anti Cristo, Filho de Satanás, Hostil".

"Per Aspera Ad Inferi" significa "Pelo Áspero Inferno" e é a segunda música do disco "Infestissumam". A canção já começa com um riff afiadíssimo, com certa agressividade contida. A agressividade se dissipa quando os vocais com bastante eco de Papa Emmeritus II aparece, o riff é uma sequência muito bem escolhida de trítonos e intervalos macabros. O órgão do Nameless Ghoul cria uma atmosfera religiosa para a música. "Per Aspera Ad inferi" é uma ode a luxúria.

"Secular Haze" começa com um sintetizador, que mais lembra um trem fantasma macabro, ou uma daquelas Fun House sinistras, com seus símbolos aterrorizantes. Mais uma vez os acordes em trítono fazem a música ter uma conotação diabólica. Uma das guitarras trabalha em conjunto com o órgão, enquanto à outra cria melodias sombrias em pequenos temas. O vocal de Papa Emmeritus II, aparece muito limpo, e com o eco característico, nos remetendo a sonoridade de uma missa negra.

"Jigolo Har Meggido" tem uma sonoridade mais alegre, e uma atmosfera bem anos 1980. O teclado executando arpeggios enquanto o riff é executado pela guitarra, tendo o vocal de Emmeritus II como figura central. O solo é bem melódico e logo após sua execução, um novo riff harmonizado entre as guitarras e um sintetizador que lembra um cravo, prepara uma nova chamada para o refrão. Uma música simples porém de muito bom gosto. Excelente pedida para animar aquela festinha dark.

Em "Ghuleh/Zombie Queen" podemos dizer que "Ghuleh" pode ser considerada um prelúdio sonoro para "Zombie Queen". "Ghuleh" tem um piano característico de início, criando todo o clima para a voz sombria, mas um tanto lamuriosa de Papa Emmeritus II – nesta passagem, seu vocal faz lembrar em alguns momentos os lamentos de Roger Waters em músicas obscuras do Pink Floyd. Assim que os últimos acordes de "Ghuleh" são ouvidos, um riff poderoso começa, ao passo que imaginemos que tudo dará origem um riff heavy metal, a bateria surf music nos faz surpreender. Antes do refrão temos a passagem mais metal da música devido a rápida progressão de acordes em intervalos trítono. Durante o solo, qualquer guitarrista perceberá que o mesmo é executado com uma guitarra com captadores simples single coil, dando aquele timbre característico das guitarras Fender. Mais uma boa canção para animar uma festa a meia noite.

"Year Zero" começa com mais uma vocalização que relembra os cantos gregorianos, ficam escancaradas as vozes exaltando várias representações mitológicas para o mal – tal como Lúcifer, Beelzebu, Asmodeus, e afins. Mais uma vez a bateria do Nameless Ghoul nos faz dançar, os vocais góticos são acompanhados por um coral magnífico, acompanhado de harmonizações no órgão, a música tem direito até a um sino de igreja badalando ao refrão. O timbre da guitarra durante o solo lembra muito as guitarras de Andy LaRocque (guitarrista do grupo de King Diamond).

"Body and Bloody" começa com um pizzicatto de instrumentos de cordas (violinos, violoncelos) simulados pelo sintetizador. A guitarra aparece com expressão e vigor numa bela parceria com os teclados, pianos, e órgãos que acompanham a música. O refrão é o que podemos chamar de um refrão pop – ainda mais se você for admirador do que fora feito na onda dark gótica dos anos 1980. É uma música que poderia muito bem ter feito parte da trilha sonora do filme cult "Donnie Darko", é uma pena que o anacronismo não nos permita ir além de uma observação como essa.

"Idolatrine" começa com uma bateria visceral se alinhando com linhas melódicas criadas pelo sintetizador. O vocal característico de Papa Emmeritus II prova-se mais uma vez como excelente para músicas pop – se a intenção do GHOST era se aproximar da música pop sem perder o bom gosto nas harmonias eles conseguiram, e "Idolatrine" é uma das provas disso. Ainda não sei como não fora noticiado pessoas em baladas dançando ao som do GHOST. No solo de Nameless Ghoul, nada de virtuosismo e sim senso melódico preciso, matador. Enquanto chacoalha-se o corpo ao som do GHOST, eles proferem em suas músicas as maiores blasfêmias que a música pop ouve nos últimos tempos.

"Depht Of Satan's Eyes" é uma canção com um riff simples porém poderoso, impossível qualquer um não "bater cabeça" ao som do riff inicial. É a música mais heavy metal do disco em minha opinião, e mesmo o apelo pop do vocal do Papa Emmeritus II não consegue ofuscar o peso e a obscuridade que contém todas as passagens da música. Mesmo nas vocalizações antes do solo, a energia do heavy metal não se perde na composição. O bom gosto do riff de guitarra explica o porque que grandes nomes do heavy metal e do rock and roll gostam do som do GHOST.

Se existe uma música perfeita para ouvirmos enquanto visitaríamos o castelo do Conde Drácula seria "Monstrance Clock". Simplesmente tem um clima muito macabro, e se podemos ressaltar em algum momento o virtuosismo e a genialidade nas composições das linhas melódicas das teclas da banda, é nesta música – o trabalho de Nameless Ghoul é expressivo e de grande lirismo. O disco se encerra com esta música, enquanto o Papa Emmeritus II, convoca a todos para que juntos nos unamos ao filho de Satan. As vocalizações características do canto gregoriano do disco, afirmam a necessidade de que todos nós façamos de nossa união o símbolo sacro do encontro com o filho do Senhor das Trevas.

Tracklist:

"Infestissumam"
"Per Aspera Ad Infer"
"Secular Haze"
"Jigolo Har Meggido"
"Ghuleh/Zombie Queen"
"Year Zero"
"Body And Bloody"
"Idolatrine"
"Depht Of Satan's Eyes"
"Monstrance Clock"

Integrantes:

Papa Emmeritus II – vocal
Nameless Ghoul I – guitarra
Nameless Ghoul II – guitarra
Nameless Ghoul III – contrabaixo
Nameless Ghoul IV – teclado
Nameless Ghoul V – bateria

Produzido por Nick Raskulinecz.

Lançado por Loma Vista em 10 de abril de 2013.

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Sobre Bruno Blues

Bruno Blues, nascido em 12 de agosto de 1986. Se envolveu com música desde cedo enquanto o dublava a banda de baile no bar dos pais. Amante de Rock and Roll aos 13 anos, guitarrista aos 15. Adulto, além de músico, tornou-se professor de Filosofia e Sociologia. Além da música, é fã do cinema - Herzog, Linklater, Tarantino. Nas horas vagas é Condutor de Turismo de Aventura - adora uma cachoeira, uma corda, e a adrenalina. De música, curte de Django Reinhardt à Slayer - só separa, dentro de teu julgamento, a música boa da música ruim.

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