Anathema: distante das influências mais pesadas do passado

Resenha - We're Here Because We're Here - Anathema

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Desde o álbum “Eternity” (1996), o ANATHEMA vem adotando uma sonoridade diferente, com progressivas modificações ao longo do tempo. A banda, que iniciou a sua carreira com um doom metal em “Serenades” (1993), dezessete anos depois lança o seu disco mais alternativo e distante das influências mais pesadas do seu passado. “We’re Here Because We’re Here”, o novo álbum da banda inglesa, é recheado de sonoridades diversificadas e extremamente difícil de ser digerido no primeiro momento.
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Embora muitos fãs tenham torcido o nariz para o novo direcionamento musical do ANATHEMA, discos como “A Natural Disaster” (2003) e, sobretudo “Judgement” (1999), mostraram que era possível adotar um caminho mais melancólico e cadenciado sem abrir mão de eventuais riffs pesados e de ótimas composições. Depois de sete anos sem nenhuma novidade, os irmãos Vincent Cavanagh (vocal/guitarra), Danny Cavanagh (guitarra) e James Cavanagh (baixo), juntamente com Les Smith (teclado) e John Douglas (bateria), mostram em “We’re Here Because We’re Here” uma sonoridade bastante intensa e com referências do rock alternativo, especialmente de nomes como RADIOHEAD e SNOW PATROL. De qualquer forma, o oitavo álbum do quinteto deixa, na maioria das suas composições, as suas principais qualidades escondidas por trás de uma mistura relativamente caótica (e tão ímpar).

Entretanto, uma consideração precisa ser feita: não há como repetir a fórmula bem sucedida dos dois maiores discos do ANATHEMA – os citados “Judgement” e “A Natural Disaster” – se a banda adquire uma postura cada vez mais distante do seu primórdio doom metal. Em compensação, “We’re Here Because We’re Here” tem os seus momentos de destaque, mesmo que fuja um pouco da considerada “nova” essência mais cadenciada do grupo inglês. “Thin Air”, composição que abre o disco, é muito bem construída através de uma carga emotiva acentuada e um instrumental relativamente agressivo.

“Summer Night Horizon”, por outro lado, deixa claro que a união de tantas influências distintas – que vão da melodia do piano ao riffs acelerados – compromete o mais novo trabalho da banda. Da mesma forma, as faixas “Everything”, “Get Off, Get Out” e “Universal” repetem a falha: exageram na intensidade e acabam se tornando amontoados de barulhos e instrumentos musicais. Diferente do que pode parecer, “We’re Here Because We’re Here” possui outras músicas interessantes que, de repente, conseguem se sobrepor ao que o ANATHEMA apresenta de duvidoso no disco. Não há nenhuma intervenção necessária sobre a ótima balada “Dreaming Light” – com piano, orquestrações e violão. Com essas mesmas referências, “Angels Walk Among Us” (que traz a participação especial do vocalista Ville Valo, do HIM) mostra potencial para ser inserida entre os momentos mais destacáveis do disco, pela mistura simples entre peso e delicadeza – aqui a fórmula funcionou.

Em quase uma hora de duração, o novo álbum do grupo de Liverpool conta ainda com duas longas composições de destaque. “A Simple Mistake” e “Hindsight” – ambas com cerca de oitos minutos –, apesar de bem trabalhadas, não evidenciam aspectos musicalmente opostos (e falhos), como “Get Off, Get Out”, por exemplo. “A Simple Mistake”, que tem um início bastante cadenciado, é a faixa que melhor incorpora elementos pesados em todo o disco. O instrumental muito bem trabalho também se repete em “Hindsight”, música que fecha “We’re Here Because We’re Here” e igualmente intercala referências cadenciadas e guitarras agressivas (sem nenhuma linha de voz).

De qualquer modo, uma parcela expressiva dos fãs do ANATHEMA, que aguardaram quase dez anos por um novo registro da banda em estúdio, poderá se decepcionar com o “o mais novo” encaminhamento musical da banda. Dessa vez, não apenas por intolerância ao gênero mais cadenciado e melancólico: “We’re Here Because We’re Here”, ao contrário dos discos anteriores, exibe claramente as suas falhas em diversos momentos. Entretanto, em uma audição exaustiva e dedicada, qualquer um é capaz de encontrar os elementos que fizeram do ANATHEMA uma das maiores referências da música na década passada.

Track-list:

01. Thin Air
02. Summer Night Horizon
03. Dreaming Light
04. Everything
05. Angels Walk Among Us
06. Presence
07. A Simple Mistake
08. Get Off Get Out
09. Universal
10. Hindsight

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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