WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Resenha - Black Ice - AC/DC

Definir o som do AC/DC é tão simples quanto a sua música. Uma dupla entrosadíssima de guitarristas que despeja riffs em profusão. Um vocalista que mais parece um Pato Donald rouco e esganiçado, tamanha é a peculiaridade de seu timbre de voz. Uma cozinha precisa, direta e crua, que serve de sustentação às poderosas guitarras, a força motriz do grupo. Acrescente-se a isso letras festivas, divertidas, sacanas e irônicas. Pronto. Essa é a fórmula que o AC/DC vem seguindo desde o seu primeiro disco, o clássico "High Voltage", de 1975.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
De lá para cá, a banda lançou mais de uma dezena de discos, entre eles o indispensável "If You Want Blood You’ve Got It" (um dos mais aclamados discos ao vivo da história) e o fenomenal "Back In Black" - o segundo álbum mais vendido de todos os tempos – e , alcançou o estrelato mundial e atingiu um invejável patamar de respeitabilidade. Tudo isso calcado na singela fórmula supracitada. O segredo de tamanha longevidade e sucesso? "Black Ice" esclarece.

Lançado há pouco menos de um mês, o novo disco da banda que melhor encarna o espírito rock n’ roll é a prova de que é possível haver genialidade na simplicidade. Não que "Black Ice" seja genial. Ele é “apenas” um excelente CD do mais puro, bom e velho rock n’roll. Mas o que é genial é a interminável capacidade que o AC/DC possui de, dentro da tão explorada linguagem (estilo) que eles próprios criaram, se reinventar, de permanecer relevante e de lançar um disco oitentista nos 2000 sem mostrar sinais de obsolescência. A essa capacidade dá-se o nome de criatividade. E criatividade é que o não falta em "Black Ice".

É por isso que quem, depois dos oito anos de inatividade da banda – o último registro havia sido "Stiff Upper Lip", de 2000 -, alimentava um certo ceticismo em relação ao novo CD dos australianos teve logo que mudar de idéia quando foram liberadas as primeiras músicas na internet. "Rock N Roll Train", o single de Black Ice, é a síntese do AC/DC: simples e direta. Seu refrão, fortalecido pelo ótimo trabalho de backing vocal, agrada desde a primeira audição. "War Machine", a melhor do CD, tem, sem dúvida, um dos mais poderosos riffs da carreira do quinteto. "Anything Goes", principalmente em razão da pegajosa melodia vocal, é uma deliciosa balada de grande potencial radiofônico. "Stormy May Day" tem um trabalho excepcional de guitarras e só não é a melhor das 15 faixas de "Black Ice" por causa de seu frustrante e apressado fim. "Rocking All The Way", com suas guitarras cortantes e seu empolgante refrão, é uma aula do mais genuíno rock n’roll. A faixa-título tem um riff tão frenético que é capaz de fazer o mais sonolento defunto levantar do seu túmulo.

De negativo apenas a excessiva cadência de "Money Made" e a fria estrutura bluesística de "Decibel". Essas duas músicas, descartáveis e genéricas, freiam o ímpeto juvenil do álbum e tiram um pouco do seu dinamismo. Poderiam ter sido excluídas da set list final, sem qualquer prejuízo.

Certa vez, em resposta aos que criticam a imutabilidade musical do AC/DC, Angus Young, guitarrista e líder da banda australiana, com o sarcasmo que lhe é característico, declarou: “Temos sido acusados de fazer o mesmo álbum uma dúzia de vezes. Mas isto é uma mentira suja. A verdade é que fizemos o mesmo álbum 14 vezes.” Com "Black Ice", Angus e companhia entregam ao mundo o “mesmo” álbum pela décima sexta vez. Se é para o bem do rock n’ roll, quem se incomoda?

Outras resenhas de Black Ice - AC/DC

AC/DC: quebrando o gelo em nome do Rock 'N Roll
ACDC: livres dos rótulos limitadores que a imprensa adora
AC/DC: nova dose do rock n'roll puro que os consagrou
AC/DC: "podem copiar o formato, mas nunca a alma da banda"

Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre AC/DC

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)

Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.

Sobre Guilherme Vasconcelos Ferreira

Ano 2000. Então com 12 anos, entrei na secção de CDs de um supermercado para gastar o dinheiro da mesada que meu pai dera dias antes. Sem o mínimo de discernimento, deixei-me fascinar pela bela capa do Brave New World, do Iron Maiden. Não me decepcionei. Aqueles vocais operísticos e as guitarras melodiosas foram a porta de entrada para o heavy metal, estilo que muito contribuiu para a formação dos meus valores e da minha personalidade. Hoje, aos 21 anos, estou no último ano do curso de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e trabalho com assessoria política. A música pesada, porém, nunca me abandonou. Além da Donzela, nutro sincera paixão por Black Sabbath, Deep Purple, Dio, Metallica, AC/DC, Rush, Pink Floyd, Dream Theater, Judas Priest, Yes e Motörhead. As bandas emo, indie ou qualquer uma que tire onda de moderninha e bem comportadinha me exasperam profundamente. Odeio instrumentais paupérrimos e rebeldia de boutique. Rock n’ roll existe para questionar noções consagradas de normalidade e tensionar padrões morais e estéticos dominantes. Para cultivar a estupidez e exaltar o artificialismo, já existe a música pop. Sim, sou um old school empedernido.

Mais matérias de Guilherme Vasconcelos Ferreira no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.

Use o botão abaixo para seguir o webmaster e receber as principais novidades em sua timeline.


Edu Falaschi: fax com convite de seleção para o Iron MaidenEdu Falaschi
O fax com convite de seleção para o Iron Maiden
Rock Revolução e SatanismoSatanismo
O que pensam os que acreditam que rock é coisa do demo?
Dimmu Borgir: Silenoz se considera um satanista?Dimmu Borgir
Silenoz: "Não sei se me classificaria como satanista!"