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Walls Of Jericho (Expanded Edition) - Helloween

Por Rodrigo Werneck | Em 21/03/06
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A história da banda alemã Helloween se confunde com a própria história do chamado speed metal e do heavy metal melódico, que viriam por sua vez a gerar outros sub-estilos, tais como o prog metal. A Sanctuary, que vem relançando vários CDs de diversas bandas em luxuosas edições remasterizadas e recheadas de material inédito, nos brinda agora com toda a discografia do Helloween. “Walls Of Jericho” é o primeiro lançamento desta leva.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O Helloween surgiu em Hamburgo, na Alemanha, no início dos anos 80. Formado originalmente pelo vocalista e guitarrista Kai Hansen (hoje líder do Gamma Ray), o baterista Ingo Schwichtenberg, o baixista Markus Grosskopf, e o guitarrista Michael Weikath (estes 2 últimos, membros da banda até os dias atuais). O início da banda foi avassalador: participaram da coletânea “Death Metal”, em 1984, com as músicas “Metal Invaders” e “Oensrt of Life” (fizeram parte da mesma coletânea as bandas Hellhammer, Running Wild e Dark Avenger), e em fevereiro de 1985 lançaram seu primeiro disco, na verdade um EP (um Mini-LP) chamado “Helloween”. Este continha 5 petardos: “Starlight” (cuja introdução, que mostrava um sujeito sintonizando algumas estações de rádio, parecia uma referência à “Detroit Rock City”, do Kiss), “Murderer”, “Warrior”, a sensacional “Victim Of Fate”, e “Cry For Freedom”. Nesta edição dupla sendo agora lançada, todas essas músicas citadas foram incluídas, sendo que as músicas do EP “Helloween” iniciam o primeiro CD, antes mesmo das músicas do disco “Walls Of Jericho” propriamente dito, por uma questão cronológica.

Já em dezembro de 1985, lançaram o LP de estréia, o já citado “Walls Of Jericho”. Este continha também uma seleção de faixas que fizeram história e influenciaram dezenas de bandas nos anos seguintes: “Ride The Sky”, “Reptile”, “Guardian”, “Phantoms of Death”, “Gorgar” e a excelente “How Many Tears”, que fechava o disco com chave de ouro. O estilo da banda, baseado em rápidos riffs de guitarra e linhas de bateria idem, com um som pesado porém bastante melódico, acabou sendo definido como speed metal. As guitarras ora duelando, ora solando separadamente, eram influência tanto do Iron Maiden, na época já uma das bandas de heavy metal mais populares do planeta, quanto de bandas mais antigas como o Thin Lizzy e o Wishbone Ash. O baixo de Grosskopf, pulsante e variado, também se tornou referência, assim como o vocal de Hansen, ao mesmo tempo agressivo e melódico. Os arranjos eram de uma forma geral mais elaborados que os das bandas inglesas de NWOBHM, o que ajudou a abrir terreno para novos sub-estilos do heavy metal, culminando com o prog metal, hoje uma febre.

O primeiro CD é fechado pela música “Judas”, que fazia parte de outro EP (com o mesmo nome, “Judas”, e lançado em setembro de 1986), e que continha ainda versões ao vivo de “Ride The Sky” e “Guardians”. Estas duas últimas estão incluídas no segundo CD desta compilação, além das músicas citadas que fizeram parte da coletânea “Death Metal”, e ainda versões remixadas em 2002 de “Murderer” e “Ride The Sky”, que entraram na coletânea “Treasure Chest”. Finalizando, a faixa “Surprise Track” (uma brincadeira com músicas tradicionais), oriunda da versão “picture disc” do EP “Judas”.

Algumas curiosidades... Neste disco de estréia, havia o mascote, “Fang Face”, uma espécie de monstro à la Eddie (do Iron Maiden), que na capa atacava as muralhas de Jericó (daí o título do disco). Na versão bíblica, quem teria liderado a destruição das muralhas teria sido Josué, mais de 1.000 anos A.C., ao som de trombetas, e daí vem outra referência no LP original, pois na contracapa aparece um sujeito com uma cara de abóbora (“Pumpkin Man”), tocando uma trombeta. O mascote Fang Face foi oficialmente declarado morto no EP “Judas”, e posteriormente ressuscitado pelo grupo Gamma Ray, de Kai Hansen, após sua saída do Helloween. Mas esta já é outra estória...

No encarte desta nova versão do CD, há uma interessante entrevista com o guitarrista Michael Weikath, chamando a atenção para vários detalhes da época, assim como as letras de todas as músicas, e várias fotos, incluindo as de todos os integrantes vestindo camisas da revista brasileira “Rock Brigade”(!).

Concluindo, trata-se de um brilhante relançamento, certamente a versão definitiva deste clássico álbum de heavy metal que já suplantou os 20 anos de idade, mas que continua bastante atual, tendo resistido bravamente ao tempo.

Tracklist:

CD 1
1. Starlight
2. Murderer
3. Warrior
4. Victim Of Fate
5. Cry For Freedom
6. Walls Of Jericho
7. Ride The Sky
8. Reptile
9. Guardians
10. Phantoms Of Death
11. Metal Invaders
12. Gorgar
13. Heavy Metal (Is The Law)
14. How Many Tears
15. Judas

CD 2
1. Murderer (Remix)
2. Ride The Sky (Remix)
3. Intro/Ride The Sky (Live)
4. Guardians (Live)
5. Oernst Of Life
6. Metal Invaders
7. Surprise Track

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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