Resenha - Fly Like An Eagle - Steve Miller Band

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Resenha - Fly Like An Eagle - Steve Miller Band


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Nascido em Milwaukee, Wisconsin, 1943, em meio a uma família de músicos, Steve Miller não poderia ser outra coisa senão músico. Afinal, freqüentavam sua casa pessoas como Les Paul (o inventor da guitarra elétrica), T-Bone Walker e James Cotton. Pertence àquela estirpe de rockstar que não tem um grande público fora dos EUA mas que é especialmente compreendido e adorado pelo povo norte-americano, como Bruce Springsteen, John Mellencamp, Bob Seger, Boz Scaggs, entre muitos outros.

Em 1973, após o lançamento de “The Joker”, hit-seller que atingiu o nº 1 das paradas americanas, Steve resolveu dar um tempo, pois haviam se passado 5 anos de estafante trabalho, com turnês ininterruptas e 8 discos lançados (tudo bem, Frank Zappa seria capaz de fazer isso em 2 anos, mas vamos deixar isso pra depois...). Após um ano e meio de descanso, Steve mergulhou na preparação de seus dois álbuns seguintes: “Fly Like An Eagle” e “Book Of Dreams”.

“Fly Like An Eagle” saiu em maio de 1976 e marcou a carreira de Steve por conter uma maciça quantidade de hits, que fazem parte até hoje, em sua maioria, dos set-lists de shows. Significou também o início do flerte com a música progressiva, que Steve iria explorar mais intensamente nos álbuns seguintes, mas aborda outros ritmos além do rock básico, como blues, rhythm’n’blues e folk. A formação básica da banda para este disco traz, além de Steve nas guitarras, vocais e teclados Roland, Gary Mallaber (ex-Van Morrison Band) na bateria e Lonnie Turner (ex-Eddie Money e Dave Mason Band) no baixo. Lonnie é um antigo amigo de Steve e membro fundador da SMB, enquanto Mallaber se destacaria posteriormente por co-produzir discos platinados de Steve, como Abracadabra e Italian X-Rays.

A primeira faixa, “Space Intro.”, é uma vinheta instrumental de 1’14” executada por Steve no teclado Roland, cujo final se emenda com a faixa-título, um dos maiores hits de sua carreira. Também em clima de rock progressivo, tem seu ponto alto no órgão B-3 tocado por Joachym Young e por um solo final de cítara meio psicodélico. “Fly Like An Eagle” voltou a ser sucesso em 96, na voz do cantor inglês Seal, integrando a trilha sonora do filme “Space Jam”, estrelado por Michael Jordan e os Looney Tunes (Turma do Pernalonga). Chegou ao 2º lugar dos charts em dezembro/76 e está mais uma vez em evidência, por ser tema do jingle atual de TV do US Postal Office (o correio americano), largamente divulgado no país.
Em seguida vem a balada “Wild Mountain Honey”, de Steve McCarty, ainda em clima psicodélico sobre teclados viajantes. A 4ª música, “Serenade”, é o primeiro dos rocks básicos presentes no disco e tem uma levada e letra à la surfmusic. “Dance, Dance, Dance” é uma folksong em ritmo dançante (obviamente), praticamente toda acústica, onde se sobressai o violão dobro de John McFee, outro convidado especial. Na seqüência vem uma cover de K.C. Douglas, “Mercury Blues”, uma das melhores faixas do álbum e uma das mais pedidas em shows.

A 7ª e a 8ª músicas fazem uma dobradinha do que se pode produzir de melhor em rock’n’roll. “Take The Money And Run” conta a divertida estória de um casal, Billy Joe e Bobbie Sue, que são perseguidos pela polícia, tal qual Bonnie & Clyde, porém com final feliz. A música seguinte é um caso à parte... “Rock’n’Me” é provavelmente a mais perfeita combinação de uma guitarra/baixo/bateria já realizada, um exemplo de simplicidade bem sucedida. São 3 minutos exatos de “road” rock contagiante, com o típico vocal cristalino de Steve e uma letra ingênua, sobre um rapaz que percorre os EUA atrás de qualquer emprego que possa lhe dar condição de manter sua namorada. Atingiu o 1º lugar das paradas americanas em agosto/76 e é a música que fecha os shows de Steve, sempre cantada em uníssono com a platéia.
Depois vem uma cover de Sam Cooke (já percebeu como todos os grandes artistas gravam músicas dele?), “You Send Me”, cuja regravação é reputada como sendo até melhor do que a original. Não é pra menos... tem uma excelente harmonia de vocais, acompanhada por um singelo violão acústico e percussão com escovinha. Uma delícia.

Logo após, outra vinheta instrumental nos teclados (“Blue Odissey”) prepara a entrada de um blues no estilo “raízes” , “Sweet Maree”, no qual se destaca a harmônica de James Cotton - mais um convidado especial. O álbum se fecha com “The Window”, uma balada que começa e termina com o órgão progressivo de Joachym Young, mas que assume um tom bluesy no meio, permeada também por ótimas harmonizações vocais.

Foi com “Fly Like An Eagle” que Steve Miller passou a fazer shows em ginásios, em vez de teatros, e com o qual recebeu nada menos que 4 discos de platina, assim como seu sucessor “Book Of Dreams”. Nada mal para um artista que está a 7 anos sem lançar material inédito, mas que continua vendendo mais de um milhão de cd’s por ano. Sua atual turnê de verão (ano 2000) vem lotando todos os shows e conta com ninguém menos do que Govt. Mule como banda de abertura... que tal?

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Sobre Paulo Haroldo

Ex-comerciante, divorciado (liberdade ainda que tardia). PreferUncias musicais: Hard Rock (principalmente anos 70), Blues, Heavy Metal sem podreira, Progressivo(nOo confundir com ProgMetal), e todo bom rock/pop feito sem samplers,computadores e outros artifYcios eletrnicos que s_ servem para mascararfalsos músicos. Exterminador de hip-hoppers...

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