A opinião de Ronnie James Dio sobre Bruce Dickinson e o Iron Maiden
Por Bruce William
Postado em 05 de dezembro de 2025
Quando Ronnie James Dio falava sobre outros cantores, ele não costumava jogar confete à toa. Já tinha passado por Rainbow, Black Sabbath e carreira solo quando, em meados dos anos 2000, começou a ser questionado com mais frequência sobre quem ele via como destaque entre os vocalistas que vieram depois. Em vez de bancar o "velho ranzinza", ele abria espaço para nomes mais novos e para bandas que tinham começado a crescer quando ele já era um veterano.
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Em 2005, ao ser perguntado sobre quem seriam os melhores vocalistas do mundo naquele momento, Dio citou Chris Cornell, do Audioslave, dizendo que era "um grande cantor", e emendou que Bruce Dickinson também era "um cantor muito bom", relatou a Rock And Roll Garage. Não era só um elogio politicamente correto: ele deixava claro que via Bruce no topo entre os colegas de profissão, o que, vindo de quem veio, já diz bastante sobre o peso do vocalista do Iron Maiden no cenário do metal.
O respeito ia além da voz. Em outra entrevista um ano mais tarde, Dio comentou que o que o incomodava no metal mais recente era a facilidade com que qualquer um se declarava músico do gênero sem ter o mesmo cuidado com composição e performance. Para ilustrar o que, na cabeça dele, era o padrão a ser seguido, citou bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Judas Priest e Iron Maiden, descrevendo esses grupos como formados por pessoas que sabiam tocar, sabiam cantar e pensavam no que estavam fazendo. Ou seja: colocava o Maiden no mesmo patamar dos gigantes que moldaram a geração dele.
Na prática, essa admiração também se transformou em convivência na estrada. Dio abriu shows do Iron Maiden em diferentes fases: chegou a excursionar com a banda na época Blaze Bayley, quando promovia o disco ao vivo "Inferno: Last in Live", e voltou a dividir turnê com os britânicos em 2003, nos Estados Unidos e no Canadá, numa dobradinha que ainda incluía o Motörhead. Blaze já contou que era estranho subir ao palco depois de ver, todas as noites, "o Deus do canto heavy metal" aquecendo o público - ele assistia às apresentações do lado dos fãs antes de correr para se preparar para o set do Maiden.
Houve também momentos de encontro direto no palco. Em 2000, durante um show na Bélgica, Dio chamou Bruce Dickinson e Nicko McBrain para uma versão de "Rainbow in the Dark". Mais tarde, o cantor ainda brincaria com a ideia do mascote Murray, das capas de seus discos, dizendo que escolheu esse nome justamente por soar bobo, do mesmo jeito que via o Eddie do Iron Maiden: figuras sombrias com nomes quase engraçados, o que, para ele, deixava tudo mais interessante.
A ligação entre os dois ainda rendeu um quase-projeto. Bruce contou, anos depois, que ele, Dio e Rob Halford chegaram a considerar um grupo chamado The Three Tremors, uma espécie de versão metálica do trio de tenores operísticos. A ideia era gravar um álbum com músicas pensadas para três vozes diferentes, e a faixa "Tyranny of Souls" chegou a nascer como demonstração de como a divisão dos versos funcionaria entre os cantores. O plano acabou travando por questões de bastidor e nunca saiu do papel, mas mostra que a possibilidade de dividir um projeto com Dio era levada a sério por Dickinson.
Olhando esse conjunto de histórias - as entrevistas, as turnês em comum, a jam em "Rainbow in the Dark" e o esboço de um trio com Halford - dá para ver que, para Dio, o Iron Maiden era uma daquelas bandas que justificavam o orgulho de se apresentar como músico de heavy metal. E, no meio disso tudo, Bruce Dickinson aparecia não só como frontman de uma banda importante, mas como um dos poucos vocalistas que ele colocava no grupo dos "grandes", ao lado de gente como Chris Cornell, reforçando uma admiração que atravessou entrevistas, palcos e planos que ficaram só no quase.
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