O período da carreira do Black Sabbath que Tony Iommi considera caótico e frustrante
Por Mateus Ribeiro
Postado em 05 de dezembro de 2025
Bandas de heavy metal inevitavelmente passam por trocas de integrantes, sendo raros os casos em que uma formação permanece intacta por décadas. Curiosamente, aquela considerada - com toda justiça - a criadora do estilo teve mais músicos em suas fileiras do que álbuns lançados ao longo da carreira. É claro que estou falando do Black Sabbath.
Fundado em 1968 pelo guitarrista Tony Iommi, o Black Sabbath contava inicialmente com o vocalista Ozzy Osbourne, o baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward. Esse quarteto permaneceu unido por aproximadamente uma década e registrou alguns dos trabalhos mais importantes da história da música pesada, como o debut homônimo (1970), "Paranoid" (1970) e "Master of Reality" (1971).
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A estabilidade começou a ruir em 1979, quando Ozzy foi demitido. Ronnie James Dio assumiu os vocais, e a banda passou a trocar integrantes com a mesma frequência que comentarista de futebol erra palpites.
Para dar um exemplo do tamanho da bagunça que o Sabbath virou, Ian Gillan (ex-Deep Purple) se tornou vocalista do Black Sabbath após a saída de Dio. Reza a lenda que a parceria surgiu depois de uma noite regada a copos generosos de bebida.
A fase com Gillan durou pouco e, após sua saída, não apenas vocalistas, mas também baixistas e bateristas passaram a entrar e sair em ritmo acelerado. O "entra-e-sai" era tão intenso que deixaria até Dave Mustaine - famoso pela rotatividade de músicos no Megadeth - impressionado. Não por acaso, Tony Iommi recorda os anos 1980 como um dos períodos mais turbulentos do Sabbath.
"Era um caos. Um caos total", relembrou Iommi em entrevista à Classic Rock. "Quando alguém saía, tudo bem, você trazia outra pessoa. E quando essa pessoa saía, você fazia a mesma coisa. Depois de um tempo, fica bem tedioso, mas qual é a alternativa?", questionou o guitarrista.
Em meio a essa constante rotatividade, dois músicos conseguiram se firmar por mais tempo: o vocalista Tony Martin e o baterista Cozy Powell. Ambos tiveram duas passagens pelo grupo, sendo que o cantor gravou cinco discos e o lendário batera participou de três.
Martin e Powell contribuíram para a sobrevivência do Black Sabbath. No entanto, Tony Iommi recorda essa fase com uma mistura de orgulho e frustração.
"Eu realmente adoro o trabalho que fizemos naquela época com Tony Martin e Cozy, mas foi um período frustrante. As pessoas tinham que se esforçar para aceitar o que estávamos fazendo. E embora fosse uma ótima banda e tivéssemos músicas realmente boas, aqueles álbuns não fizeram sucesso. Como líder [da banda], achei isso difícil."
Ao longo de sua primeira passagem pelo Sabbath, Tony Martin gravou "The Eternal Idol" (1987), "Headless Cross" (1989), "Tyr" (1990) - sendo que os dois últimos também contaram com a participação de Powell. O cantor retornou à banda em 1992 e ainda registrou "Cross Purposes" (1994) e "Forbidden" (1995).
Cozy Powell, creditado em "Forbidden", faleceu de forma precoce (e trágica) no dia 5 de abril de 1998. Martin deixou o Sabbath em 1997 e passou um tempo afastado da música.
O Black Sabbath encerrou suas atividades de forma definitiva em 5 de julho de 2025, em um concerto beneficente realizado em Birmingham. Infelizmente, apenas 17 dias após a apresentação, Ozzy Osbourne nos deixou.
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