O improviso do Deep Purple após noite inteira de farra que virou canção clássica
Por Bruce William
Postado em 04 de dezembro de 2025
No começo dos anos setenta, o Deep Purple estava mergulhado de vez no peso que marcaria "In Rock". A banda vinha pensando em álbuns como bloco único, cheios de riff e volume, sem muita preocupação em separar uma faixa "de trabalho" para tocar em rádio. Quem se incomodou com isso não foi o grupo, e sim a parte comercial da engrenagem: terminado o disco, veio o recado de que faltava um single evidente para empurrar o lançamento.
Roger Glover, baixista da formação clássica, já contou que a banda não se enxergava como um grupo de singles, mas resolveu encarar o pedido para acalmar os chefes. Eles voltaram ao estúdio com a missão de tirar do nada uma música mais direta, apoiada em um riff simples e marcante. A teoria parecia fácil; na prática, a sessão virou um longo exercício de frustração. "Passamos uma tarde inteira tentando conseguir um riff e nada aconteceu", lembrou Glover, conforme publicado na Far Out.

Quando perceberam que estavam rodando em círculo, decidiram fazer o que muita banda faz nessas horas: fechar o estúdio e ir beber. Desceram até o pub por volta do começo da noite, ficaram lá até o horário de encerrar as atividades e, em vez de cada um ir para casa, tomaram a decisão mais improvável - voltar ao estúdio, já completamente fora do clima controlado da tarde. A parte "responsável" do trabalho tinha falhado; agora era a vez da farra ver se resolvia.
Foi nessa volta que a coisa finalmente andou. O que não saía com a cabeça fria apareceu em poucos minutos, no meio da ressaca em formação. Glover conta que o grupo retornou ao estúdio "completamente bêbado", e foi aí que Ritchie Blackmore pegou a guitarra e soltou o embrião de um riff que, até poucas horas antes, parecia impossível de encontrar. "Ritchie pegou a guitarra e começou a tocar o que se tornaria 'Black Night', e nós dissemos: 'É, isso soa ótimo, vamos nessa'", recordou o baixista.
O normal é que essas experiências rendam mais frustração do que repertório novo pois, curiosamente, essa história conversa com outro tipo de relato comum entre músicos: a ilusão de achar que sonho ou bebedeira sempre trazem ideias geniais. Bruce Springsteen, por exemplo, costuma dizer que música que parece incrível no sonho quase sempre se revela fraca quando ele acorda: "Você sonha com uma música que está compondo e acha que ela é fantástica. Aí você acorda e ela nunca é. Tem algo no sonho que parece ótimo, mas quando você acorda é tipo: 'ah, isso é... deixa pra lá'".
No caso do Deep Purple, porém, o improviso de fim de noite funcionou. Da combinação de pressão da gravadora, horas improdutivas de estúdio e uma rodada generosa de pub, surgiu o riff simples e pesado que acabaria virando "Black Night". A faixa foi lançada como single separado de "In Rock" e ajudou a cravar essa fase da banda também fora do contexto do álbum completo. Para o grupo, ficou a lembrança de que, pelo menos daquela vez, a noitada conseguiu entregar aquilo que a sessão planejada não tinha dado conta.
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