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Guitarras: As mais icônicas do Rock - Parte 1

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Por Marco Pala
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Para aqueles que são aficionados por guitarras ou gostam de saber algo sobre instrumentos usados pelos seus ídolos, esta matéria irá trazer algumas informações e curiosidades sobre guitarras icônicas intimamente ligadas à história do rock.

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A maioria dos músicos aqui retratados usou diversos instrumentos diferentes ao longo de suas carreiras, mas sempre há aquela guitarra preferida, com alguma história interessante ou que foi usada exaustivamente e marcou algum ponto importante da sua história e até mesmo da música em geral. Como em toda lista, alguém poderá ser esquecido. Outros certamente serão citados em matérias que virão na sequência, uma vez que a lista é longa, está em ordem alfabética e dividida em partes, para não ficar muito extenso. O foco da lista também não é ranquear “guitarristas virtuosos”, mas sim, músicos influentes e de várias vertentes, que, tocando bem ou não, ajudaram a transformar o rock naquilo que amamos. Vamos à parte 1:

ACE FREHLEY (KISS) – GIBSON LES PAUL CUSTOM 1974

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Quando se lembra de Ace Frehley, a primeira imagem que vem à cabeça é a do “homem do espaço” empunhando uma Les Paul “sunburst” com três captadores de cor creme. No caso, uma Gibson Les Paul Custom de 1974, adquirida por ele por volta de outubro de 1976, para substituir sua então titular (uma Les Paul Deluxe), cujo resultado de uma reforma não o agradou. Ace modificou sua Custom à sua maneira: captadores DiMarzio cremes, escudo, molduras dos pickups e seletor também de cor creme, além das tarraxas Grover Futura. O resultado é o visual que nunca lhe mais seria a ele dissociado, apesar de Ace usar Les Pauls com outros acabamentos e até mesmo (em raras ocasiões) guitarras de outros modelos ao longo dos anos. Sua Custom 1974 foi seu principal instrumento em um curto período (entre as turnês de “Rock And Roll Over” e “Dinasty”) permanecendo como instrumento secundário até a segunda metade dos anos 80. A guitarra passou por uma reforma em 1992, quando o pickup DiMarzio instalado em 1976 foi substituído por um Seymour Duncan Pearly Gates. Ace Frehley voltou a usá-la com o KISS somente nos ensaios para a “Reunion Tour”, em 1996, e depois vendeu a guitarra a um fã, que a emprestou para a própria Gibson cloná-la para o modelo Les Paul Budokan, lançado em 2012. Curiosidade #1: o captador DiMarzio Super Distortion, característica básica das guitarras de Ace, foi criado por Larry DiMarzio em 1972 e foi o primeiro captador a explorar possibilidades sonoras (maior saída e resistência) que iam além da oferecida pelos humbuckers PAF da Gibson, dando início ao mercado de captadores para customização e reposição. Curiosidade #2: Larry DiMarzio era amigo de colégio de Gene Simmons e chegou a tocar guitarra em formações embrionárias do Rainbow, banda que viria a se tornar o Wicked Lester em 1970 e depois o KISS em 1973. Curiosidade #3: o terceiro pickup creme (na posição do meio) era falso, somente para estética, e era cortado pela metade e colado entre os outros dois pickups.

ADRIAN SMITH (IRON MAIDEN) – GIBSON LES PAUL DELUXE 1972

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Fãs de Adrian e do Maiden poderão se lembrar de seu ídolo usando várias guitarras diferentes, só que esta Les Paul possui um apelo especial. Quando o jovem Adrian Smith, aos 17 anos, ganhou do seu pai uma Les Paul Deluxe “goldtop” novinha em folha, não imaginava que aquela guitarra seria, em suas mãos, um instrumento que ajudaria a escrever a história do heavy metal. Ela foi seu principal instrumento durante os tempos que tocou na banda Urchin, no final dos 70, até ceder ao convite de seu amigo de infância, Dave Murray, e entrar para o Iron Maiden em 1980. Munido de sua Les Paul, Adrian gravou muitos dos clássicos da Donzela durante os anos 80, e excursionou com esta guitarra em turnês lendárias (como a “World Slavery Tour”), além de usá-la em turnês com Bruce Dickinson nos anos 90. A guitarra permaneceu ausente de seus set-ups de turnês a partir do seu retorno ao Maiden em 1999, porém voltou a ser usada regularmente a partir de 2009. Apesar de ser um instrumento antigo e surrado, Adrian fez poucas modificações na guitarra: apenas o pickup “mini-humbucker” da ponte foi trocado por um DiMarzio Super Distortion (na posição do braço está o original).

ALBERT KING – “LUCY”

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Além de guitarristas de várias vertentes do rock e metal, haverá nesta lista também alguns outros músicos icônicos e influentes que ajudaram a transformar o rock naquilo que ele é. O “bluesman” Albert King é um deles, a começar pelo modelo de guitarra por ele escolhido: a Flying V. Este modelo foi idealizado em 1957, pelo então presidente da Gibson, Ted McCarty, pertencente à série “Designer”, que tinha outros dois modelos (Futura, que viria a se tornar a Explorer, e a Moderne). Toda linha, que passou a ser comercializada em 1958, foi um completo fracasso comercial, mas Albert King gostou do “shape” V e o adotou como principal instrumento logo no final dos anos 50. Sua insistência na Flying V acabou influenciando vários músicos nos anos 60, renovando o interesse do público para este até então obscuro modelo, que havia tido apenas um ano de produção. Isto fez com que a Gibson relançasse a Flying V em 1967, que viria a se tornar um dos modelos mais populares do rock logo depois. Assim como B. B. King, Albert batizou sua primeira Gibson Flying V (ano 1958) com nome de mulher (“Lucy”), mas ela acabou sendo roubada por volta de 1970. Daí um luthier chamado Dan Erlewine se ofereceu para fazer para Albert uma Flying V exclusiva para canhoto (os modelos que ele usou até então eram de destros, virados ao contrário), confeccionada em uma única peça de madeira de 125 anos, e esta se tornou a sua Lucy favorita por mais de 20 anos, até sua morte em 1992. Um detalhe da Lucy feita por Erlewine é o headstock (parecido com o de uma Les Paul), diferente das Flying V´s convencionais. Curiosidade: o atual dono desta guitarra (e de outras duas Flying V de King) é o ator Steven Seagal.

ALEX LIFESON (RUSH) – GIBSON ES-355

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Dentre a lista de instrumentos icônicos do rock, não podia faltar a Gibson semi-acústica branca de Alex Lifeson. O modelo em questão é o ES-355-TDSV (de “Thinline/Dual Pickups/Stereo/Varitone”), que ele adquiriu em 1976, estreando a guitarra nas gravações do álbum “A Farewell To Kings”, lançado no ano seguinte. Alex era um fã de semi-acústicas (por influência de Alvin Lee) e vinha tocando com uma ES-335 até encontrar sua guitarra favorita. Acredita-se que a guitarra tenha sido customizada pela Gibson por conta da cor (branca), incomum neste modelo, e também por conta do nome do guitarrista na capa que cobre o tensor (no headstock). Além de retirar o escudo, Alex adicionou uma chave para anular o switch “varitone” (um controle giratório semelhante a um botão de fogão, com seis posições para cortes de freqüências específicas), o que foi desfeito somente em 1996. Na virada dos anos 70 para os 80, Alex deixou sua #1 em casa e passou a usar outros instrumentos mais “tecnológicos”, passando também grande período como “endorser” da Paul Reed Smith. Durante a turnê Vapor Trails, em 2002, Alex voltou a tocar com instrumentos clássicos, como Les Paul, SG, Tele (e algumas PRS), o que motivou a levar sua velha 355 branca para a estrada novamente, a partir da turnê de 30 anos da banda, em 2004. Até a última turnê feita pelo Rush, Alex viajou com sua #1, mas também com cópias feitas pela Gibson, que comercializa o modelo Alex Lifeson Signature desta guitarra (e também de outras usadas por ele, como a Les Paul Axcess).

ALVIN LEE – “BIG RED”

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Depois do show antológico que fez no festival Woodstock com sua banda (Ten Years After), Alvin se tornou um dos guitarristas mais influentes da história do rock, apesar de não ser tão conhecido e reconhecido pelas gerações mais recentes. É creditado a ele o título de “avô” do estilo que viria a ficar conhecido como “shred”, popularizado por Eddie Van Halen no final dos anos 70. Na explosiva performance de 1969, e também ao longo de (quase) toda sua vida, Alvin foi fiel ao modelo Gibson ES-335. Porém, a sua guitarra mais icônica foi sua #1, batizada de “Big Red” (por causa da cor): uma 335, vermelha, ano 1958. A guitarra foi severamente modificada: Alvin retirou as capas de níquel dos pickups (PAF), incluiu no meio um single-coil tirado de uma Stratocaster, encheu a guitarra de adesivos, entre outros. Ele possuía algumas outras 335 semelhantes e também instrumentos “signature” lançados por marcas japonesas nos anos 70 e 80 (as ótimas Tokai e Heritage), mas sua Big Red original continuou na ativa até por volta do início dos anos 2000, quando Alvin decidiu guardar sua relíquia e reservá-la apenas para gravações. Em 2012, a Gibson lançou o modelo Alvin Lee Signature, um clone idêntico à sua #1, que passou a ser seu principal instrumento de turnê, até sua morte abrupta no ano seguinte, por problemas cardíacos.

ANDREAS KISSER (SEPULTURA) – CHARVEL MODEL 2

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Ao longo das décadas à frente das guitarras do Sepultura, Andreas passou por diversas fases, usando instrumentos de marcas como Jackson, ESP, Fender, Seizi... Porém, sua guitarra mais emblemática é uma Charvel Model 2, preta, que ele cobriu de adesivos e “tunou” com um pickup EMG 81. Este é um modelo super-strato simples, com braço aparafusado ao corpo, único pickup humbucker e ponte Floyd Rose. Não há muitas informações sobre o ano da guitarra ou histórias curiosas sobre ela, mas esta Charvel foi a primeira guitarra importada que Andreas adquiriu, entre 1987 e 1988. Há imagens de Andreas e sua Charvel com o Sepultura logo no início de seu envolvimento com a banda, e ela continuou como sua #1 em turnês até a fase do “Chaos A.D.” (onde já usava também uma Jackson Rhoads, outra guitarra icônica). Depois do lançamento de “Roots”, a Charvel foi guardada, sendo substituída por outras Jacksons e, posteriormente, por guitarras de outras marcas. Mas ela ainda continua sendo a guitarra preferida de Andreas, que eventualmente a tira do case para situações pontuais, e, obviamente, todas as gravações que faz com o Sepultura.

ANDY SUMMERS (THE POLICE) – FENDER TELECASTER CUSTOM 1963

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Durante seus anos de Police, a principal guitarra de Andy Summers (até o quarto álbum, “Ghost In Machine”) foi uma Fender Telecaster “sunburst” ano 1963, toda detonada. Ela foi usada e abusada tanto em gravações quanto em turnês, e foi item essencial para criar a sonoridade típica deste ótimo e subestimado guitarrista, e também de sua banda, que influenciou gerações. Há duas versões sobre como Andy teria conseguido a guitarra. A primeira é de que ele fez um negócio com Eric Clapton, que deu a Tele em troca de uma Les Paul e alguma grana a mais (sim, amigos, as lendas da música também são chegadas em “rolos” de instrumentos, como será mostrado ao longo da série de matérias). A segunda (e provavelmente a verdadeira) é que Andy comprou a guitarra por US$ 200 de um antigo aluno chamado Mike Eldred. Esta Tele sofreu muitas modificações, todas elas feitas antes da guitarra ir parar na mão de Summers: o pickup do braço foi trocado por um Gibson PAF, e os captadores passam por uma espécie de pré-amplificador interno, para dar mais ganho (que é acionado por uma chave liga/desliga); a ponte foi trocada e há também chaves para inverter a fase dos pickups. Andy usou algumas guitarras diferentes com o Police nos anos 80, como Strato, 335, Les Paul, Roland, entre outras, tendo preferido usar guitarras “archtop” em seus trabalhos de jazz. Na reunião do Police em 2007, preferiu réplicas Custom Shop de algumas de suas Stratocasters “vintage”, mas a Tele ‘63 usada nos primeiros anos de sua carreira é sua guitarra mais icônica, que vem sendo também replicada pela Fender Custom Shop desde 2007.

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