Guitarras: As mais icônicas do Rock - Parte 9

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Por Marco Pala
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Parte 9 da série. Importante lembrar que se trata de uma extensa lista com nomes em ordem alfabética. Caso seu guitarrista favorito não esteja estampado nesta matéria, é bem provável que já foi citado nas matérias anteriores. Alguns nomes acabaram ficando de fora, e serão compilados na próxima edição.

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STEVIE RAY VAUGHAN – “NUMBER ONE”

O saudoso mestre de blues elétrico foi um autêntico “strateiro”. Ele foi dono de algumas guitarras icônicas, mas obviamente não há como não falar de sua “Number One”, uma Fender Stratocaster ano 1963 “sunburst”, que ele não se importava de surrar em todo lugar que se apresentava. Apesar de ter ganhado de seu irmão mais velho (Jimmy Vaughan, da banda The Fabulous Thunderbirds) algumas guitarras quando era mais jovem, a “Number One” foi comprada por SRV com seu próprio dinheiro em uma loja em Austin (Texas) em 1973. A guitarra sofreu algumas modificações, como o escudo original (branco) trocado por um preto e a ponte tirada de uma Strato canhota, que ele instalou para dar à guitarra uma “vibe” de Jimi Hendrix. Porém, algumas questões ainda são controversas. Segundo o próprio SRV, ela seria uma Strato 1957 que teve o braço trocado, mas seu técnico (e responsável pela manutenção dos seus instrumentos), Rene Martinez, diz que o corpo tinha uma inscrição interna indicando que seria de 1963. Já o braço seria do ano de 1962. Em 1989, poucos dias antes da trágica morte de SRV, o braço teria sido novamente trocado por outro do ano de 1962, este tirado de uma Strato vermelha que Stevie havia batizado de “Red” (esta última teve seu braço original trocado anos antes por um modelo para canhotos). A Number One permaneceu durante toda carreira de SRV como seu principal instrumento, e a guitarra que ele mais surrava (segundo o próprio, era a única que se mantinha afinada depois de ele jogá-la no chão). Depois de sua morte, ela foi herdada pelo seu o irmão Jimmy, que a possui até hoje. Ela foi “clonada” pelo Custom Shop da Fender no início dos anos 90, que desde então comercializa o modelo SRV.

TED NUGENT – “NUMBER 4”

Seria talvez menos difícil redigir uma matéria sobre as armas preferidas deste polêmico músico, ou apresentar uma coleção de algumas de suas citações mais controversas, mas o foco aqui é outro: a guitarra favorita deste subestimado guitarrista. Apesar de usar diferentes modelos de guitarra ao longo das décadas de carreira, entre elas Les Paul e PRS, a preferência de Ted pelas Gibson Byrdland é notável. Este é um modelo de guitarra não muito tradicional no rock, uma guitarra “hollow-body” (totalmente oca, ou seja, não se trata tecnicamente de uma semi-acústica), mais voltada para o jazz, criada especialmente para dois músicos: Billy Byrd e Hank Garland (daí o nome Byrdland). A favorita de Nugent é uma na cor da madeira (spruce), do ano de 1962, com pickups PAF e “Florentine Cutaway” (o corte na parte inferior da guitarra é mais pontiagudo, em contraponto à versão mais arredondada usada dos primeiros anos deste modelo). Nugent numerava suas Byrdland por ordem de chegada, sendo sua favorita a quarta a ser comprada (por isso “Number 4”). As três primeiras foram destruídas em um incêndio na época que ele tocava na banda Amboy Dukes. Além de retirar os escudos, Nugent modificava todas suas guitarras de uma forma peculiar: instalando um parafuso de prender correia (da Grestch) no lugar da haste da chave de mudança de pickups. Apesar de possuir várias outras Byrdlands, a Number 4 vem sendo a principal guitarra de Ted Nugent desde os anos 70, e já teve seu braço reparado várias vezes. Em 2003, os pickups PAF originais tiveram de ser substituídos, optando Ted pelas versões novas da Gibson da época, no caso, Burstbucker 2.

THE EDGE (U2) – GIBSON EXPLORER 1976

Difícil escolher uma guitarra em especial para falar de The Edge, pois ele é dono de alguns instrumentos icônicos, mas sua Gibson Explorer 1976, cor natural, merece destaque por cobrir toda sua carreira musical. Edge comprou esta guitarra em New York, numa viagem que fez aos EUA com seus pais em 1978, por exatos de US$ 248,40. A Explorer se transformou em parte fundamental (ao lado dos efeitos como chorus e delay, os quais Edge é perito) na criação do som único e largamente influenciador deste guitarrista, e, por conseqüência, de sua banda. A guitarra em questão foi muito usada em turnês e estúdio até o final dos anos 80, quando ela sofreu um acidente: Edge a jogou no chão para intervir em uma briga entre seguranças e fãs, e o braço se partiu. Por sorte, seu técnico da época conseguiu consertar a guitarra a ponto de deixá-la impecável, mas Edge não quis mais levá-la em turnês. Por muitos anos, ele viajou o mundo com duas guitarras idênticas (inclusive do mesmo ano), mantendo sua velha fiel apenas para gravações, até 2008, quando abriu mão da posse de sua guitarra mais icônica para caridade: ele obteve US$ 240.000 em um leilão, em benefício da campanha “Music Rising”, que destina recursos para recuperar a cultura musical (incluindo instrumentos danificados ou perdidos) durante os furacões Katrina e Rita. As Explorers usadas por Edge hoje em dia continuam sendo outras peças de 1976 e também réplicas feitas pela Gibson.

TOM MORELLO – “ARM THE HOMELESS”

Tom Morello é um guitarrista bastante prolífico, que participou de vários projetos musicais, sendo os mais notáveis as bandas Audioslave e Rage Agaist The Machine, justamente a que lhe deu fama e alçou seu nome no rol dos guitarristas mais inventivos de todos os tempos. E, durante as várias encarnações do RATM, sua principal guitarra (na afinação padrão, já que usava outras guitarras para outras afinações) foi a “Arm The Homeless”, uma super-strato azul. Mas afinal, que guitarra é esta? Resposta: mais um “frankenstein” da lista. Com pouco dinheiro no ano de 1986, Tom foi até uma empresa situada em Hollywood chamada Performance Guitar Co e encomendou uma guitarra com as especificações que queria. Uma guitarra “custom” parecia algo legal de se fazer, mas Tom simplesmente detestou o resultado. Ao levar a guitarra para casa e tocar o solo de “Mr. Crowley” (Ozzy), ele ficou decepcionado: além de feia, a guitarra era ruim de tocar e com um som morto. Mas ao invés de vendê-la, ele passou a modificá-la: o que sobrou de original foi só o corpo. O primeiro passo foi trocar o braço por um de grafite da Nadine Music (não, não é um Kramer). Os pickups ativos da EMG vieram depois de diversas trocas e testes, optando Tom pelo modelo 85 na ponte e H (um single-coil com formato de humbucker) no braço. A ponte Floyd Rose foi tirada de uma guitarra Ibanez. Resultado? Ainda uma guitarra feia e com som estranho; não era o que ele esperava. Porém, por alguma razão, ela se encaixou com o som do Rage Agaist The Machine e se tornou parte fundamental das experiências sonoras de Tom com a sua banda. Em resumo: a guitarra “ruim” acabou se tornando item essencial na sua sonoridade única, sua marca registrada. Curiosidade: Tom possui duas “Arm The Homeless”, sendo que a #2 é uma Ibanez Roadstar, porém, em todo show com o RATM, sua original está em cena.

TONY IOMMI (BLACK SABBATH) – “OLD BOY”

Quando pensamos em Tony Iommi, a primeira coisa em termos de guitarra que se vê em mente é uma Gibson SG com cruzes incrustadas nas marcações da escala. Porém, a sua #1, aquela SG surrada que esteve onipresente em toda sua trajetória desde 1980, NÃO é uma Gibson. Trata-se de uma JayDee Custom, feita sob encomenda. Em 1975, Tony conheceu o luthier John Diggins, que trabalhava para um construtor de captadores “custom” chamado John Birch. Tony procurou Diggins para trocar um pickup de sua Gibson SG Special vermelha, até então uma de suas principais guitarras. Eles ficaram próximos, Diggins chegou a ser técnico de guitarra de Tony por breve período até passar a construir e consertar guitarras por conta própria em 1977, sob o nome de JayDee (ou J.D.). Ele fez dois protótipos a pedido de Tony, um baseado na Les Paul e outro SG, ambos com especificações incomuns para a época: escala com 24 trastes e braço ajustado para a tensão de encordoamento 008 em afinações baixas, necessidade que Tony Iommi tinha em razão do acidente que lhe custou a ponta de dois dedos da mão direita. A “SG” (com captadores John Birch do tipo FilterTron) acabou se tornando a “Old Boy”, a sua principal guitarra por muitas décadas e sua marca registrada. Atualmente, Tony usa algumas réplicas idênticas em turnês (igualmente surradas), e também modelos Gibson “signature” inspirados na sua JayDee original e nas SG Special que ele usou nos anos 70. Curiosidade: até o dia em que o Black Sabbath foi para o estúdio gravar seu primeiro disco, a guitarra favorita de Tony era uma Fender Stratocaster. Mas a guitarra parou de funcionar durante as sessões, daí Tony foi obrigado a usar sua guitarra reserva, uma Gibson SG Special (com pickups P-90). Depois disso, ele nunca mais se readaptou às Strato e a SG acabou se tornando seu modelo favorito.

ULI JON ROTH – “DOLPHIN SKY” OU “SKY GUITAR”

Outro guitarrista sensacional que normalmente é ignorado por parte do público comum. Enquanto influenciava muitos músicos tocando com o Scorpions nos anos 70, Uli era um usuário de Stratocasters. No início dos anos 80, já em carreira solo, influenciado pela era da “super-strato”, Uli começou a pensar em expandir as possibilidades sonoras da Stratocaster, muito além da utilização de humbuckers, a começar pela possibilidade de incluir vários trastes a mais que os 21 ou 22 normais da época. Levou algum tempo para Uli encontrar algum construtor disposto a lhe fazer um protótipo, até que em 1983, um luthier chamado Andy Demetriou aceitou o desafio. A guitarra, batizada de “Dolphin Sky”, possuía um design bastante incomum, visando ergonomia, praticidade e também um visual futurista. Além disso, ela vinha com 36 (!!) trastes, algo inédito, corpo de alder e braço/escala de “sycamore” (uma madeira rara) “escalopada”. Outro detalhe deste protótipo é que a escala adentra ao corpo da guitarra e passa por cima do captador do braço (!!). Logo que recebeu a guitarra, Uli ficou impressionado com o trabalho (a única modificação que fez foi trocar os captadores – não se sabe quais eram – por modelos feitos especialmente por Seymour Duncan). Ele começou a usar a Dolphin Sky em 1984 e a guitarra se tornou sua marca registrada desde então. Ao todo, Uli possui 5 guitarras “Sky” feitas por Andy Demetriou (incluindo o protótipo original, a Dolphin Sky), e mais algumas outras feitas pela empresa Dean, que foi a única a fabricar uma série limitada do modelo, com autorização de Uli (50 peças no total, sendo que a empresa produz a guitarra hoje em dia por encomendas). O protótipo original foi por quase 30 anos sua guitarra titular, estando hoje em dia exposta no Rock & Pop Museum, na cidade de Gronau, Alemanha.

ZAKK WYLDE – “THE GRAIL”

Dentre tantas guitarras icônicas usadas por Zakk, não poderíamos deixar de citar a lendária “bullseye” original, batizada de “The Grail” pelo seu dono. Trata-se de uma Gibson Les Paul Custom de 1981. Ele adquiriu a guitarra usada (que já veio da loja com o set de captadores EMG) pouco tempo antes de fazer seu primeiro show com Ozzy Osbourne, em 1987. O negócio foi feito com um sujeito chamado Scott Quinn, e Zakk deu em troca uma Gibson Double Neck como pagamento. Mas ele ficou preocupado, já que não seria de “bom tom” usar uma Les Paul branca com Ozzy, uma vez que esta era uma guitarra muito associada ao Randy Rhoads. Daí ele teve a idéia de fazer na guitarra uma pintura semelhante ao desenho do cartaz do filme “Vertigo”, de Alfred Hitchcock. Mas o luthier não entendeu nada do que foi explicado e acabou entregando a Zakk a guitarra pintada com os icônicos círculos pretos que todos conhecemos. O guitarrista ficou furioso, a princípio, mas a guitarra com esta pintura acabaria se tornando sua marca registrada. Outra modificação feita posteriormente inclui o braço sem pintura (na parte de trás), ficando na madeira crua. Curiosidade: no ano 2000, enquanto estava em turnê com o Black Label Society viajando de Dallas para Huston, um fato inacreditável aconteceu. A porta traseira da carreta que levava o equipamento da banda se abriu e duas guitarras saíram voando pela estrada (dentro do case), sendo uma delas a Grail original. Um casal que viajava logo atrás do caminhão recuperou uma das guitarras, mas não era a #1. Chegou-se a pedir uma recompensa, mas a Grail não seria encontrada até 2003, quando que por um milagre ela apareceu em uma loja em Dallas, depois de ter rodado por algumas lojas de penhores. O dono desta loja viu gravado atrás da guitarra “ZW” em baixo relevo, e logo desconfiou. Ao entrar em contato com Randy Canis (responsável na época pelo site de Zakk), constatou-se que se tratava da Grail original, que acabou voltando ao seu dono, estando com ele até hoje. O dono da loja recebeu duas réplicas Custom Shop (a Gibson fabrica o modelo há muitos anos) autografadas como recompensa.

Em breve a parte 10.

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Post de 03 de março de 2017


Sobre Marco Pala

Marco Pala, nascido em 1975 na cidade de Monte Alto-SP, é advogado, guitarrista da banda Roy Corroy nas horas vagas e um apreciador do bom e velho rock and roll desde a mais tenra idade.

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