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Guitarras: As mais icônicas do Rock - Parte 13

Por Marco Pala
Em 04/04/17

Chegando ao final da longa lista de guitarras icônicas do rock, temos a parte 13:

ROBBY KRIEGER (THE DOORS) – GIBSON SG STANDARD 1968

Originalmente um violonista "flamenco", Robby Krieger foi incorporado ao The Doors cerca de três meses depois de ter sido introduzido à guitarra elétrica, instrumento pelo qual ele confessa não conhecer absolutamente nada à época. Ele sempre será associado à Gibson SG, apesar de ter usado outros modelos, como Les Paul, ES-335 e 355 (esta última, sua preferida há 40 anos). Quando o Doors gravou seu primeiro álbum em 1967, Robby teria usado em todas as músicas uma Gibson Melody Maker (que tinha a fiação modificada, segundo o produtor Paul Rothchild), guitarra esta que ele teria comprado achando que fosse igual à do Chuck Berry (que, no caso, usava uma ES-355). Porém, quando começou a se apresentar com a banda, Robby preferiu usar modelos Gibson SG (melhores que a Melody Maker), os quais ele achou confortáveis e com bom som, adotando o modelo como seu favorito dali em diante. Entre 1967 e 1968, Robby usou duas SG Special (anos 1964 e 1967, ambas com pickups P-90), até adquirir (por US$ 180) sua guitarra mais "reconhecível": uma SG Standard vermelha que foi a titular no período mais conturbado e midiático da carreira do Doors, que vai de 1968 até 1970 (quando a guitarra foi roubada). Depois de perder sua principal guitarra, Robby comprou outra SG idêntica (mas do ano de 1967) que permaneceu como sua titular até o fim do Doors, algum tempo depois da morte de Jim Morrison em 1971. Em 2009, a Gibson lançou o primeiro modelo "Robbie Krieger Signature", baseado em sua SG Standard 1967 (já que a original foi roubada) e o novo modelo foi usado na turnê do Doors com o vocalista Ian Astbury (The Cult) em 2012. O segundo modelo "signature" de Robbie lançado pela Gibson foi a Les Paul Custom preta usada como guitarra secundária por ele nos últimos anos de existência do Doors.

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RONNIE MONTROSE – GIBSON LES PAUL STANDARD "STP" 1958

Talvez muitos das novas gerações não conheçam o nome deste ótimo guitarrista que foi "side-man" de Van Morrison e Edgard Winter até montar (em 1973) sua própria banda, Montrose, a qual foi responsável apresentar ao mundo ninguém menos que o vocalista Sammy Hagar. Aliás, a música "I’ve Got Fire", lançada pelo Iron Maiden como lado B do single "Flight Of Icarus" (1983) é uma "cover" do Montrose. Falecido em 2012, Ronnie teve uma considerável coleção de guitarras, sendo que seu instrumento mais icônico foi uma "burst": uma Gibson Les Paul Standard de 1958. Entre os colecionadores de guitarras e entusiastas das "vintage", esta Les Paul ‘58 que pertenceu a Montrose é um dos instrumentos mais icônicos que se tem notícia. Como já dito em matérias anteriores, as Les Paul "sunburst" originais de 1958, 59 e 60 são famosas desde o final dos anos 60; um sonho de consumo que, com o passar dos anos, foi ficando cada vez mais inacessível para reles mortais. Já na década de 70 elas eram muito caras e raras, mas Ronnie, assim que foi recrutado por Edgard Winter em 1972, desembolsou US$ 800,00 (dinheiro suficiente pra comprar cerca de três novas Les Pauls) para adquirir, segundo ele, uma "guitarra de verdade": uma Les Paul original de 1959, a mais cobiçada. Porém, para seu desespero, sua ‘59 foi roubada poucas semanas depois, em um show com Edgard Winter feito na cidade de Dudley, Massachusetts. Vendo que não conseguiria recuperar sua preciosidade, Ronnie teve de correr para comprar outra Les Paul e "só" conseguiu encontrar um exemplar de 1958 numa loja de Memphis. Logo em um dos primeiros shows feitos com sua nova guitarra, Ronnie foi sondado por Sammy Hagar e a banda Montrose foi formada, tendo a sonoridade da Les Paul ‘58 na linha de frente, algo marcante no timbre característico de Ronnie Montrose. Esta guitarra ficou conhecida entre colecionadores como "STP Les Paul" por conta de um adesivo (da linha de produtos automotivos STP) colado no corpo da guitarra. Porém, mesmo tendo uma preciosidade em mãos, Ronnie não estava contente e acabou vendendo esta Les Paul ainda nos anos 70 (ele nunca engoliu o fato de sua ‘59 ter sido roubada e passou o resto de sua vida tentando reencontrá-la sem sucesso). Sua "STP Les Paul" foi vendida por volta de 1978, por cerca de US$ 2.500, e foi passando de mão em mão até se tornar uma guitarra altamente colecionável e ir parar nas mãos de um colecionador anônimo, que possui esta guitarra até hoje. Em 2014, a Gibson passou a fabricar réplicas da STP através da divisão Custom Shop, chamada de "Collectors Choice #28".

STEVE CLARK (DEF LEPPARD) – GIBSON LES PAUL XR-1

O eterno guitarrista do Def Leppard (falecido em 1991) sempre foi um guitarrista "old school" e fiel usuário de instrumentos da Gibson (e algumas Hamer), mesmo no período em que sua banda adentrou de cabeça no "hair-metal" (estilo em que as super-strato reinavam). Alguns fãs de Steve Clark podem gostar mais do equipamento usado na fase "Hysteria" (1987 a 1990), composto de algumas Les Paul Custom (com trêmulos Kahler), Firebird e Doubleneck. Mas a escolha do autor é pela guitarra mais usada no período anterior ao acidente que custou o braço esquerdo do baterista Rick Allen em dezembro de 1984, principalmente as fases "High ‘N’ Dry" e "Pyromania" (1981-1983), em que ainda eram associados ao "NWOBHM". Neste período, Steve Clark usou como principal instrumento um modelo obscuro da Gibson, chamado Les Paul XR-1, o qual foi garoto propaganda. A XR-1 foi uma espécie de "avó" da consagrada série Studio (esta lançada em 1983 e que nunca mais saiu de linha): uma Les Paul com acabamento mais simples, na cor "tobacco sunburst", sem frisos laterais (que são comuns em modelos Standard, Deluxe e Custom), com um par de pickups Gibson Dirty Fingers (captadores cerâmicos de alta resistência, mais voltados para som pesado), além de uma chave para "splitar" as bobinas. A XR-1 (e algumas outras "irmãs", como a XR-2, XR-III e a The Paul) foi fabricada em um curto tempo (entre 1981 e 1983), sendo item raro e difícil de se encontrar hoje em dia. Ao que consta, além de algumas The Paul (e também Les Pauls Deluxe e Standard, séries estas de melhor qualidade), Steve foi dono de duas XR-1 idênticas, as quais foram suas titulares neste período (muito mais por questões contratuais). Em 1983, elas ganharam trêmulo Kahler e continuaram sendo usadas até o final da turnê de "Pyromania", quando o Def Leppard entrou em um hiato de quatro anos, por conta de crises criativas e pelo acidente sofrido pelo baterista. Quando o grupo retornou (multiplatinado) em 1987, Steve mudou todo seu set-up, optando por guitarras Gibson Les Paul Custom, Firebird e Doubleneck, mas o seu "rig" da fase inicial continua inesquecível.

STEVE HOWE (YES / ASIA) – GIBSON ES-175 1964

Em 1964, um jovem de 17 anos chamado Steve Howe passou por uma loja em Londres chamada Selmer Music Store e encomendou uma guitarra relativamente incomum para um aspirante a "rock-star": uma Gibson ES-175. A 175 não é propriamente uma guitarra semi-acústica (ou seja: guitarra oca, mas que possui um bloco de madeira maciça no interior), mas sim, basicamente, um belo e extremamente bem feito "violão" com tampo arqueado como um violino, aberturas em formato de "f" nas laterais e captadores magnéticos. Estas características fazem deste tipo de instrumento algo difícil de ser domado quando ligado a amplificadores potentes ou distorção. Por isso, uma guitarra "hollow-body" (termo usado para estas guitarras de corpo totalmente oco) nunca foi uma opção natural para um guitarrista de rock (apesar de muitos usarem). Porém, Steve Howe sempre foi um adepto do jazz e viria a utilizar muitos elementos de sua formação musical na banda que lhe catapultou ao rol dos maiores guitarristas da história, o Yes (ele entrou no grupo em 1970 substituindo Peter Banks), e a 175 é uma das principais guitarras usadas por músicos de jazz. A coleção de guitarras de Steve é imensa e contém muitos instrumentos raros, tanto que ela já foi objeto de livros e exposições em galerias de arte ou museus. No entanto, sua ES-175 sempre será sua guitarra mais icônica, principalmente pelo período em que tocou com o Yes (no Asia, que formou em 1980, ele preferiu usar alguns instrumentos modernos como Steinberger, sem abandonar totalmente as guitarras "vintage" que sempre gostou). Ao que parece, a ES-175 de Howe se encontra toda original até hoje, incluindo os pickups PAF, e ainda vem sendo incessantemente usada pelo seu dono em gravações e turnês com o Yes (que ele sai e volta periodicamente), carreira solo e outros projetos. Trata-se também de mais um instrumento clonado pelo Custom Shop da Gibson. Curiosidade: os códigos das guitarras da linha "Electric Spanish" (ES) da Gibson, originalmente, tinham a ver com o preço delas oferecido ao consumidor. Em resumo, uma ES-175 custava US$ 175 quando foi lançada.

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STEVE LUKATHER – ERNIE BALL/MUSIC MAN LUKE

Este extraordinário guitarrista começou sua carreira como músico de estúdio nos anos 70, tendo ganhado fama mundial quando formou a banda Toto em 1976, época em que usou muitas guitarras tipo Strato de marcas como Ibanez, Fernandes e Valley Arts (marca esta que ele adorava). Quando a Valley Arts foi vendida para um grupo coreano, Steve decidiu desligar seu nome à empresa. Como ele adorava o modelo Music Man Axe (desenvolvido pelo seu amigo Eddie Van Halen em 1990), Steve procurou Eddie, que lhe apresentou ao "staff" da Ernie Ball, resultando em um contrato para lançamento de um modelo "signature". A Music Man foi criada em 1971 com o nome de "Tri-Sonic", e quando Leo Fender (que havia vendido a Fender para a CBS em 1965) se juntou à empresa em 1972, este sugeriu a mudança de nome, que ele achava horrível. A Music Man foi vendida para a Ernie Ball em 1984 (que resultou na junção do nome das duas empresas), tendo se popularizado no mundo da guitarra através de instrumentos "signature" projetados especialmente para músicos do quilate de Steve Morse, Albert Lee e o próprio Van Halen já citado (até então, a marca era mais associada a amplificadores e também contrabaixos, como o lendário Sting Ray). Voltando a Lukather, logo no início do projeto ele resolveu procurar seu amigo e luthier Dudley Gimpel (que havia trabalhado com a Valley Arts) com uma ideia fixa: projetar uma guitarra "perfeita" para que Steve não precisasse nunca mais usar outro modelo. Ambos criaram uma guitarra baseada na super-strato que foi batizada de "Luke" (apelido de Lukather para os íntimos). Para criar o braço da Luke, Gimpel escaneou os braços das Valley Arts preferidas de Steve, criando um "shape" ideal. O design do corpo foi ideia do luthier e quando Steve viu os contornos pela primeira vez, decidiu abandonar todos os desenhos que havia bolado para a guitarra, de tão perfeito que havia ficado. Os captadores escolhidos foram EMG’s ativos, dando versatilidade à guitarra (a ideia de timbre foi simples, mas não fácil: a guitarra deveria agradar a quem buscava um som gordo e pesado de Les Paul sem desagradar os fãs do som estalado da Stratocaster). Hoje em dia, Lukather usa sua própria linha de pickups DiMarzio. E, de fato, o resultado do projeto se mostrou viável: Steve Lukather vem usando desde então a Luke quase que exclusivamente, e o modelo se tornou um dos mais cobiçados pelo público (as guitarras Music Man são ótimas, mas bem caras), o qual possui também várias "sub-séries".

STEVE MORSE – ERNIE BALL/MUSIC MAN STEVE MORSE SIGNATURE

Este influente virtuose, cujo currículo invejável contém passagens pelos grupos Kansas e Dixie Dreggs (banda que formou na faculdade, nos anos 70), é o titular das guitarras do Deep Purple desde 1994. Desde o início de sua carreira, os padrões de guitarra existentes nunca o satisfizeram. Steve, logo no início, buscou criar um conceito próprio de guitarra (montada por ele próprio) batizado de "Frankentele": um corpo de Telecaster, braço de Strato, ponte trapezoidal da Gibson (originalmente para 12 cordas) e também trastes tirados de uma guitarra Gibson. O mais curioso de tudo era a configuração de captadores: QUATRO deles equipavam a guitarra (dois singles-coils e dois humbuckers, na configuração H-S-S-H), algo muito raro e não usual até hoje. A Tele ainda tinha um "quinto" captador, escondido sob a ponte (do tipo piezoelétrico, para simular sons acústicos ou sintetizados). Era certamente uma guitarra muito pouco comum e complicada de se usar. No final dos anos 80, a Frankentele teve de ser aposentada depois de muitas trocas de trastes e Steve acabou acertando um contrato de patrocínio com a empresa Music Man. Em 1987, Steve Morse foi contatado para se tornar o primeiro "endorser" da marca (que já era conhecida dos baixistas desde os anos 70, mas que ainda estava engatinhando no mercado de guitarras), criando um modelo "signature". Segundo Morse, a nova guitarra foi projetada para atender às necessidades dele próprio, o que, a princípio, tornaria o projeto pouco comercial, em razão das características bastante peculiares. Ela possuía hardware e eletrônica idêntica à sua Frankentele (com a mesma heterodoxa combinação de captadores, agora feitos pela DiMarzio), exceto pelo design de corpo (baseado na Strato, o que conferiu maior conforto e ergonomia). Mas, por alguma razão, este modelo muito incomum acabou se tornando um enorme sucesso de vendas, estando exatos 30 anos no mercado, mesmo com todas as suas peculiaridades e preço muito alto. Desde então, Steve Morse vem usando exclusivamente seu modelo "signature" azul (o surrado protótipo original de 1987 e algumas outras guitarras idênticas), tendo ampliado a linha com mais dois modelos "signature" parecidos (Dark Lord, a preta, e Y2D, a "roxa-sunburst"). É, sem dúvida, uma guitarra única e icônica por si mesma.

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YNGWIE MALMSTEEN – "DUCK"

Um dos maiores virtuoses da guitarra de todos os tempos desmerece maiores apresentações. Ele é outro guitarrista cuja imagem se associa a uma única guitarra: Fender Stratocaster da fase "CBS" (com headstock largo) de cor creme. Apesar de possuir guitarras de outras marcas (incluindo uma Gibson Flying V com esquema de captadores e eletrônicos de Strato) Malmsteen é um cara excêntrico e aficionado por duas coisas: Ferraris e Stratocasters. Sua coleção de Stratos é enorme e ele possui dezenas de guitarras idênticas (de cor creme e também de outras cores). A guitarra da matéria é nada menos que a primeira Strato creme que ele adquiriu: uma Fender ano 1971 que ganhou apelido de "Duck" (por conta de um pequeno adesivo do Pato Donald no headstock). Yngwie comprou a guitarra de um cara que fez testes para integrar sua primeira banda e começou a usá-la em 1978. Ela foi sua principal guitarra nos tempos em que tocou nas bandas Steeler e Alcatrazz, tanto em gravações quanto em turnês. Ainda no final dos anos 70, Yngwie mandou "escalopar" a escala da guitarra, nos moldes de seu ídolo Richie Blackmore, tratamento que acabou se tornando onipresente em todas as suas guitarras. Em 1980, ele trocou os pickups single-coils originais (ponte e braço) da Duck e de suas outras Stratos por modelos DiMarzio HS-3 (tecnicamente um humbucker, mas com aparência e sonoridade de um single-coil com alto ganho, mais graves e total ausência de ruídos), os quais foram trocados posteriormente por modelos DiMarzio YJM, seu modelo "signature". A Duck deixou de ser sua principal guitarra no início dos anos 80, quando Yngwie passou a utilizar duas outras Stratos idênticas de 1971, chamadas de "#1" e "#2"; porém, a guitarra continuou sendo usada esporadicamente até 1994, quando foi aposentada e reservada somente para gravações. Nos anos 90, o Custom Shop da Fender fez 100 réplicas exatas da Duck (incluindo as marcas de uso) e a guitarra também serviu de base para a construção do modelo "signature" que é comercializado há mais de 20 anos pela Fender. Curiosidade: todas as guitarras de Malmsteen possuem algum adesivo da Ferrari na parte de trás do corpo.

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Sobre Marco Pala

Marco Pala, nascido em 1975 na cidade de Monte Alto-SP, é advogado, guitarrista da banda Roy Corroy nas horas vagas e um apreciador do bom e velho rock and roll desde a mais tenra idade.

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