Guitarras: As mais icônicas do Rock - Parte 12

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Por Marco Pala
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Agora é a vez da 12ª e penúltima parte da matéria sobre as guitarras icônicas do rock, sendo a terceira da série "esquecidos pelo autor".

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NUNO BETTENCOURT (EXTREME) – WASHBURN N4

Este português de nascença despontou como uma das maiores promessas da guitarra virtuose na virada dos anos 80 para os anos 90 à frente da banda Extreme. Sua fama acabou se tornando “meteórica”, pois logo na época em que a banda chegou ao “mainstream”, o som de Seattle despontou no mercado, enterrou a carreira de muitas bandas que flertavam com o hard rock oitentista e o Extreme perdeu grande parte de sua popularidade. Apesar de reconhecido como um grande guitarrista, Nuno nunca chegou a figurar no “panteão dos guitar-heroes”. Mas uma de suas criações – a série de guitarras que leva a inicial de seu nome – acabou tendo uma história de sucesso bastante longeva. Contratado em 1990 pela Washburn (marca tradicional no mercado de instrumentos desde o final do século XIX), Nuno projetou uma inovadora guitarra super-strato juntamente com o luthier Stephen Davies (ironicamente de Seattle), que se tornou um enorme sucesso de vendas e ajudou a popularizar a Washburn no mercado de guitarras elétricas modernas. A Washburn N4 (e sua versão mais “em conta”, a N2) possuem corpo sem pintura (verniz seco) com contornos de Strato, porém, levemente assimétrico, dando um visual único e tocabilidade idem. O headstock que lembra uma Fender Strato (mas invertido e com ângulo de inclinação) deu um charme a mais na guitarra, que misturava elementos modernos e “vintage”, atraindo admiradores destes dois mundos (mesmo existindo ali uma ponte Floyd Rose II). De inovador mesmo, há o curioso sistema de junção braço/corpo (existente somente no modelo mais caro, o N4), que promoveria maior equilíbrio e sustain. A N4 vinha com pickups Bill Lawrence L-500 (ponte) e Seymour Duncan 59 (braço), enquanto que a N2 vinha com o L-500 e um pickup “genérico” da Washburn na posição do braço. A N4 é até hoje a principal escolha de Nuno, que se divide entre o Extreme e a banda de apoio da cantora Rihanna, mas a série “N” como um todo (principalmente os modelos N4 e N2) é provavelmente uma das linhas de guitarra “signature” recordista de tempo no mercado, sendo um sucesso de vendas sem interrupção de produção há mais de 27 anos.

NOEL GALLAGHER (OASIS) – EPIPHONE SHERATON “UNION JACK”

No início de sua carreira, em que dividiu os holofotes da banda Oasis junto de seu irmão Liam, Noel usou muitas guitarras Epiphone. Porém, o início da relação não teve a ver com algum tipo de fetiche pela marca: ele não tinha dinheiro pra comprar uma Gibson Les Paul original e optou por uma versão mais “em conta” feita pela Epiphone (pouco tempo depois da estréia do Oasis, ele ganhou uma Gibson Les Paul Standard 1960 do lendário guitarrista Johnny Marr, ex. The Smiths, e encostou sua cópia barata). No entanto, Noel acabou criando uma relação afetiva com a Epiphone e no período em que o Oasis chegou à fama mundial com seu segundo álbum, “(What´s The Story) Morning Glory” (de 1995) ele optou em usar – além das suas preferidas Gibson – alguns modelos semi-acústicos da Epiphone (que não são tão bons quanto os da Gibson, mas são ótimas opções). Seus modelos preferidos eram Riviera e Sheraton (versões da Gibson ES-335) e a mais icônica delas é sem dúvida uma Sheraton dos anos 60 (com captadores Mini-Humbuckers) que Noel resolveu mandar pintar com as listras da bandeira do Reino Unido (chamada de “Union Jack”). Ele usou esta guitarra durante a turnê de 1996 e logo fechou uma parceria com a Epiphone para o lançamento de um modelo “signature” nela baseado (batizado de “Supernova”) que se tornou um sucesso de vendas e ficou no catálogo da empresa por muitos anos. Esta guitarra se tornou o instrumento mais “reconhecível” de Noel Gallagher, apesar de ele tê-la usado efetivamente por tão pouco tempo (sua guitarra favorita há muitos anos é uma Gibson ES-355 vermelha).

PAGE HAMILTON (HELMET) – ESP HORIZON CUSTOM 1989

Desde que formou a banda Helmet em 1989, Page Hamilton (guitarrista, vocalista e líder do grupo) é fiel às guitarras ESP (Electric Sound Products), principalmente ao modelo Horizon. Sua guitarra principal foi, durante muitos anos, uma Horizon Custom ano 1989 de cor “magenta” que se tornou uma espécie de marca registrada do músico. A ESP Horizon é um modelo super-strato de altíssimo padrão de construção, diferenciando-se de modelos similares e visualmente parecidos (como a própria ESP M-1 ou Mirage) justamente pelo esmero e utilização de técnicas mais complexas de construção, contrariando um pouco o conceito original deste tipo de guitarra, que é simples e objetivo por natureza. A guitarra possui braço e corpo confeccionados em peça única, sendo utilizadas madeiras nobres no processo. Além disso, o corpo é arqueado, como em uma Les Paul ou PRS, algo pouco usual em modelos Strato. A Horizon cor-de-rosa de Page possui headstock (invertido) no formato típico das guitarras ESP M-1, sendo que muitas das Horizon feitas entre os anos 80 e 90 saíram com headstock iguais aos da Jackson. Já os modelos surgidos a partir do início dos anos 2000 passaram a vir com um novo modelo de headstock, com 3 tarraxas de cada lado. Não é fácil encontrar muitas informações técnicas sobre a ESP original de Hamilton, a não ser que ele manteve na guitarra apenas o pickup da ponte, provavelmente DiMarzio (marca que ele é “endorser” há décadas). Há muitos anos suas guitarras de turnês estão equipadas com os modelos DiMarzio Tone Zone, sendo que sua #1 se encontra guardada desde o início dos anos 2000 e substituída por uma réplica Custom Shop feita pela ESP, que reproduziu inclusive as marcas de uso, além de seus modelos “signature”.

PEPEU GOMES – “PG”

Mais uma guitarra “nacional” da lista. O excelente guitarrista Pepeu Gomes nunca foi um grande entusiasta de instrumentos importados ou “vintage”, ele sempre gostou de criar suas próprias guitarras para que atendessem às suas necessidades pessoais (apesar de tocar de vez em quando com Stratocasters – raramente da Fender – e de ter uma considerável coleção de guitarras importadas). Entre erros e acertos, Pepeu chegou ao seu modelo de guitarra ideal na virada dos anos 80 para os anos 90: a “PG”. Basicamente, se trata de um corpo (cuja madeira ele não revela) de Stratocaster todo recortado, com braço/escala de maple, montados no sistema “bolt-on” (braço aparafusado ao corpo). Os corpos e braços vêm prontos dos EUA (feitos pela Schecter) sendo que o próprio Pepeu se responsabiliza por remodelar o corpo e montar todo esquema. Porém, o segredo da guitarra está justamente na sua parte elétrica, escondida sob o escudo (feito sob medida), que revela o quanto Pepeu é admirado mundo afora (e pouco lembrado por guitarristas e construtores brasileiros): os captadores ativos EMG foram projetados pelo próprio guitarrista e foram fabricados especialmente para ele nos EUA, além de um relativamente complexo sistema de pré-amps embutidos, projetados por Pepeu juntamente com ninguém menos que Roger Mayer, lendário engenheiro que criou efeitos para gente do quilate de Jimi Hendrix, Jimmy Page, Jeff Beck, entre muitos outros, que é seu amigo pessoal. Pepeu possui cerca de meia dúzia de PG’s, que são suas titulares absolutas em shows já há décadas. Sua #1 é PG do início dos anos 90 que possui braço de Telecaster.

PHIL COLLEN (DEF LEPPARD) – IBANEZ DESTROYER II 1980

Há décadas Phil Collen vem usando guitarras super-strato feitas pela Jackson (algumas “signature”), não havendo uma destas em particular que mereça destaque. Mas, voltando ao passado e à fase gloriosa da banda Def Leppard nos anos 80, há uma guitarra icônica que até hoje é associada a Phil: a Ibanez Destroyer II com três pickups. Como já falado em matérias anteriores, a Ibanez (cuja matriz se situa no Japão e foi fundada por Hoshino Gakki em 1957) se especializou em construir ótimas cópias de guitarras da Gibson e Fender nos anos 70, entre elas, o modelo Destroyer (de 1976), então uma réplica exata da Gibson Explorer de 1959 (feita em madeira korina). Quando as marcas americanas se deram conta do poderio da clonagem japonesa, houve uma série de processos envolvendo patentes e direitos autorais, o que obrigou os fabricantes japoneses a reestilizar seus instrumentos para evitar indenizações (por isso, as guitarras japonesas feitas antes da série de processos judiciais, quando eram cópias exatas, são chamadas pelos colecionadores de “lawsuit”). Em 1979, a Destroyer (Explorer) ganhou novo design e foi renomeada de Destroyer II. Em 1982, quando se juntou ao Def Leppard (substituindo Pete Willis) no meio das gravações do lendário álbum “Pyromania”, Phil já era dono de uma Destroyer II preta, ano 1980, sua então guitarra principal. Segundo o próprio, ele se apaixonou pela guitarra assim que a viu, principalmente por conta dos três pickups DiMarzio de cor creme (quando criança, ter uma Les Paul com três pickups era seu sonho). Outro fator que lhe agradou: tinha o visual da Explorer, porém, muito mais confortável e com maior possibilidade de timbres (apesar de Phil usar apenas o pickup da ponte). O trêmulo Kahler (não original do modelo) foi instalado na guitarra por ninguém menos que Dave Storey, um dos inventores deste tipo de ponte (ao lado de Gary Kahler). Phil usou sua Destroyer II original durante boa parte dos anos 80, e, segundo ele, os solos de “Photograph”, “Foolin'”, “Rock of Ages”, entre muitos outros clássicos do Def Leppard, foram gravados com ela. Ele ainda a possui (juntamente com outras três cópias idênticas) e recentemente vem usando ao vivo um modelo encomendado por ele para a Jackson, chamado “X-Troyer” (que entrou em linha de produção em 2016 como mais um modelo “signature”), baseado em sua antiga Destroyer II preta.

RICHIE SAMBORA (BON JOVI) – FENDER STRATOCASTER RS7 1991

É muito difícil escolher uma guitarra usada por Richie Sambora, uma vez que, mesmo tendo sido ao longo das décadas patrocinado por empresas como Kramer, Fender e ESP (incluindo modelos “signature” de todas elas), ele nunca foi um “homem de uma guitarra só”, usando um sem-número de instrumentos de sua vasta coleção. As super-stratos (Kramer, Jackson, Hamer...) marcaram época na fase multiplatinada do Bon Jovi nos anos 80, porém, a guitarra mais reconhecível de Richie Sambora foi sem dúvida a sua Fender Stratocaster “signature”, um grande sucesso de vendas enquanto permaneceu no catálogo da Fender. O primeiro protótipo foi feito em 1991 e a guitarra de linha foi inserida no catálogo da Fender em 1992 como “Richie Sambora Stratocaster” (com ponte Floyd Rose, captadores DiMarzio no esquema H-S-S, escala de maple e marcação com estrelas), sendo lançado outro modelo dois anos depois, a “Riche Sambora Standard Stratocaster” (também com Floyd Rose e mesmo tipo de captadores, mas com escala de jacarandá e visual mais “vintage”). Os primeiros protótipos e também algumas guitarras de linha foram usadas massivamente por Richie durante todos os anos 90 e também início dos anos 2000, marcando época nas fases dos álbuns “Keep The Faith” (1992) e “These Days” (1994), os únicos de inéditas lançados pelo Bon Jovi nos anos 90. A partir de 2003 (último ano em que a Fender fabricou a sua Strato “signature”), Richie continuou usando Fenders, mas optou por guitarras com apelo mais “vintage”, entre elas diversas Gibsons e também uma guitarra “signature” não muito bonita feita pela ESP.

RUDOLF SCHENKER (SCORPIONS) – GIBSON FLYING V 1974

Assim como seu irmão mais novo Michael (já tratado em matérias mais antigas), Rudolf é fiel usuário do modelo Flying V, principalmente da Gibson, desde longínquo início de sua carreira com sua banda, o Scorpions, formado em 1965. Rudolf é um ávido colecionador deste modelo, sendo dono de cerca de 70 Flying V’s, incluindo algumas raras, como de 1958 (primeiro ano de produção) e algumas “Medallion Series” (uma série limitada lançada no ano de 1971 com cerca de 300 exemplares, consideradas as Flying V mais “colecionáveis” do mercado “vintage”). Porém, a guitarra mais associável de Rudolf é uma V “de linha”, feita em 1974. Originalmente branca, a guitarra teve sua metade inferior pintada de preto (corpo e headstock), acabamento levemente diferente da Flying V 1976 usada pelo seu irmão (cujas cores eram alternadas no corpo e headstock). Ao que consta, a V ‘74 de Rudolph foi mantida com seus captadores originais (Gibson PAF “T-Top”) e foi uma das suas principais guitarras durante a fase mais cultuada do Scorpions, que vai do final dos anos 70 até a metade dos anos 80 (apesar de ele também ter usado outras V´s com o mesmo acabamento neste período, incluindo uma “Medallion”). A guitarra original está guardada desde o início dos anos 90 e foi clonada em 2013 pela Gibson para o modelo “Rudolf Schenker Signature” que ainda se encontra em produção pelo Custom Shop da empresa.

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Post de 30 de março de 2017


Sobre Marco Pala

Marco Pala, nascido em 1975 na cidade de Monte Alto-SP, é advogado, guitarrista da banda Roy Corroy nas horas vagas e um apreciador do bom e velho rock and roll desde a mais tenra idade.

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